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Há seis dias convivendo com um apagão sem precedentes, a situação da Venezuela piorou substancialmente. A tensão, que já era alta entre a população, cresceu ainda mais com agravamento da crise de alimentos e agora nos hospitais. As instituições, que já tinham dificuldade em conseguir insumos, enfrentam sérios problemas com equipamentos prejudicados pela falta de energia. Muitas das unidades de saúde dependem de geração próprias para o funcionamento de áreas como terapia e emergência. Médicos reclamam de falhas técnicas e de falta de combustível.

Em meio ao caos generalizado, ontem o procurador-geral da Venezuela, Tarek Saab, disse que pediu à Suprema Corte que inicie uma investigação sobre o líder da oposição, Juan Guaidó, por suposto envolvimento na “sabotagem” do sistema elétrico do país. Numa clara tentativa de tirar o foco real do problema.

Enquanto as autoridades não se acertam, a organização não governamental Médicos pela Saúde denunciou que os problemas de abastecimento de energia e as limitações da ajuda provocaram a morte de 17 pessoas em hospitais públicos de Caracas e outras localidades.

Apesar de todo o caos, o presidente Nicolás Maduro também acusa seu oponente pela falta de energia e ainda diz que o blecaute é culpa de um ato de “sabotagem” dos Estados Unidos na represa hidrelétrica de Guri. Entretanto, especialistas dizem que a falta de energia nada mais é do que resultado de anos de investimentos insuficientes.

O presidente da Venezuela desconsidera avaliação de especialistas e, seguindo o modelo do colega brasileiro e do norte-americano, resolveu tuitar, no domingo, a seguinte mensagem: “O sistema elétrico nacional tem sido objeto de múltiplos cyberataques. No entanto, nós estamos fazendo grandes esforços para restaurar o fornecimento (de forma) estável e definitiva nas próximas horas.” Porém, até o final da tarde desta terça-feira a energia não tinha sido restabelecida em várias regiões. Guaidó, por sua vez, declarou emergência, mas não consegue fazer muita além de convocar protestos. E quem sofre no meio da disputa é a população, que vive situações absurdas.