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Ao ser pressionado na Câmara dos Deputados, anteontem (15), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, responsabilizou governos anteriores pela falta de recursos para a educação no País.

“Nós não somos responsáveis pelo contingenciamento. O orçamento atual foi feito pelo governo eleito de Dilma [Rousseff] e do senhor [Michel] Temer, que era vice. Nós não votamos neles”, disse o ministro, que, reiteradamente, preferiu usar contingenciamento – quando os gastos são suspensos e podem ser retomados caso as receitas permitam – e não cortes de despesas, algo definitivo.

A atitude do ministro da Educação, infelizmente, é de quem não assume o lugar que ocupa. Governantes são eleitos para governar, não para responsabilizar seus antecessores por aquilo que cabe a quem ocupa atualmente a função pública. Incluindo até mesmo uma ampla campanha de esclarecimentos sobre a situação das contas do governo federal, com detalhamento sobre as áreas que estão sendo sacrificadas. Isso, no mínimo, denotaria transparência por parte das autoridades.

No lugar disso, o ministro prefere se isentar do papel de um governante, que tem a obrigação de encaminhar soluções para os problemas existentes, até mesmo por força da função exercida.

A reação de políticos e da população a essa postura veio ontem, em dose dupla. Recebido com hostilidade pelos parlamentares no Congresso Nacional, inclusive dos partidos que apoiaram a eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o ministro da Educação teve sua cabeça pedida pelo Podemos. E não foi nem por uma sigla da oposição. Isso revela que continua a desconexão entre o Palácio do Planalto e o Legislativo.

O maior troco, entretando, veio das ruas. O governo Bolsonaro conseguiu unir contra ele os congressistas, estudantes e sindicalistas, que engordaram as manifestações, anteontem, convocadas inicialmente para protestar contra o encolhimento dos recursos para as universidades e ensino básico. E tudo indica que o “esquenta” para a greve geral de 15 de junho foi para valer, envolvendo quase 200 cidades.