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O Brasil acaba de sair de uma grande recessão, que teve forte impacto negativo sobre a atividade econômica. Empresas e trabalhadores enfrentaram, durante meses, as agruras da falta de crédito ao desemprego; da queda do PIB à redução dos investimentos. A saída desse ambiente, que penaliza os negócios, a produção, o consumo, em suma, a vida de toda a Nação, foi possível por uma série de fatores, que vão desde a competente atuação da atual equipe econômica, que puxou para baixo a inflação e os juros básicos, refazendo as bases para um ambiente de negócios saudável, até o trabalho firme e incansável de entidades empresariais, entre elas a Associação Nacional de Fomento Comercial (Anfac).

O fomento comercial é um mecanismo de inequívoco valor agregado à economia. Organizou-se, desenvolveu-se, cresceu, inovou e teve capacidade de irrigar, com sua peculiar capilaridade, a liquidez de um imenso mercado de recebíveis originários de transações mercantis realizadas em todo o país.

Sua capacidade de apoiar cadeias produtivas se consolidou nos 36 anos da Anfac, comemorados em 2018, a partir de múltiplas modalidades operacionais do fomento comercial – factoring, fundo de recebíveis, securitização de crédito e outras atividades afins. Essa posição pode ser medida, principalmente, pelo valor de giro da carteira das operações de fomento na modalidade convencional de compra de recebíveis originários de vendas mercantis.

No período compreendido entre 2016 e 2017, dados da Anfac indicam que houve um giro da carteira do fomento comercial da ordem de R$ 300 bilhões. Esses valores envolvem operações de Factoring, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios e Securitizadoras de Crédito, lastreadas em recebíveis, originados de transações mercantis efetuadas por 200 mil pequenas e médias empresas, vocação histórica do fomento comercial. Essas operações contribuíram, no momento de grave contração da economia, para a preservação de cerca de 3 milhões de empregos diretos e indiretos.

A fórmula que levou o factoring a se estruturar no Brasil, que dispõe de um disputado e eficiente mercado de investimentos, e hoje atender pelo menos 200 mil empresas pelas associadas à Anfac, foi possível graças à combinação de dois importantes fatores: a agilidade operacional e, também, a forma de remuneração. A operação de factoring é remunerada pelo fator de compra, que representa a precificação da aquisição de direitos creditórios de vendas mercantis, sem qualquer conotação com juro remuneratório do capital.

A expectativa positiva dos agentes econômicos sobre a volta do crescimento do PIB em 2017, em torno de 1%, e 2018, próximo a 3%, segundo análises mais recentes, deve se refletir positivamente nos números da Anfac.

É certo que o cenário político ainda inspira cuidados. Os partidos estão em plena atividade para definição de seus candidatos às eleições presidenciais e ainda não se sabe como se dará a renovação do Congresso Nacional, fator importante para aprovação das reformas inadiáveis e essenciais para melhora da economia brasileira, como a tributária e da previdência social. Mesmo assim, acreditamos na força das instituições, na capacidade dos empresários para ampliar seus negócios e no fomento comercial como ferramenta imprescindível para o fortalecimento da economia brasileira e desenvolvimento de todo o País.

Luiz Lemos Leite é presidente da Associação Comercial de Fomento Comercial (ANFAC)

presidencia@anfac.com.br