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O jornalismo não vai acabar nunca. Alguns jornais podem até encerrar suas atividades, como lamentavelmente ocorre hoje com o DCI, mas o jornalismo prosseguirá porque as pessoas sempre precisarão de informação de qualidade, produzida com independência, ética e profissionalismo. Para a Associação Nacional de Jornais (ANJ), que se orgulha do DCI como associado por 17 anos, este momento final é de extrema tristeza, mas também motivo para uma reflexão sobre a importância fundamental do jornalismo para os cidadãos, as sociedades e a própria democracia.

Jornais são hoje informação de qualidade em diferentes plataformas. No impresso ou no digital, essa informação é produto de uma atividade que começa pela apuração criteriosa dos fatos, com uma visão mais abrangente possível dos seus diversos aspectos. A contextualização daquilo que é apurado e a edição responsável completam a atividade jornalística. Em um mundo em que a desinformação se propaga de forma avassaladora pela internet, sobretudo nas redes sociais, é ainda mais essencial a informação de credibilidade que caracteriza o jornalismo.

A desinformação destrói reputações, representando uma ameaça real para as pessoas, as empresas e as instituições do Estado. Basta pensar no que pode causar, por exemplo, a propagação de uma mentira sobre a saúde financeira de um banco para termos a dimensão do gigantesco poder da desinformação neste mundo conectado 24 horas por dia.

A internet, as plataformas digitais e as redes sociais são uma conquista que ampliou de forma admirável a nossa capacidade de comunicação. Mas também abriu caminho para a perniciosa polarização no Brasil e no mundo. Por isso, o jornalismo e os jornais ganham importância. É por meio deles que podemos ter uma visão abrangente da realidade que nos cerca e assim tomar decisões e fazer escolhas.

Como todas as atividades, o jornalismo não está imune a erros. Mas o que o caracteriza é a busca da verdade, com o eventual reconhecimento dos erros, o que constrói a credibilidade. É exercido dentro de regras legais que determinam a responsabilidade por aquilo que divulga, com a possibilidade de penalização. Num processo virtuoso, que leva a melhor informação possível aos cidadãos, o jornalismo faz o rascunho da história.

Essa atividade tão nobre e essencial vem sendo impactada, como tantas outras, pelo admirável mundo novo da internet, das plataformas digitais e das redes sociais. As receitas publicitárias, que sempre foram a base do modelo de negócio dos jornais, estão sendo sugadas por gigantes digitais, em um preocupante processo global de concentração. No Brasil, a situação se agravou com a forte recessão econômica, seguida de um quadro de estagnação prolongada. As medidas retaliatórias contra os jornais adotadas recentemente pelo governo em relação à publicação de balanços e editais contribuem para o processo de fragilização financeira da imprensa. Foi este cenário que obrigou o DCI a encerrar suas atividades.

Mesmo assim, jornais e jornalismo prosseguirão. Os jornais já estão reinventando seu modelo de negócios, buscando mais receitas na cobrança de seus conteúdos e em ações a partir do valor de suas marcas. Mas preservarão seu grande ativo: a informação de credibilidade. Isso é vital para o dia a dia de todos nós e para a própria democracia, tão necessária para avançarmos com uma sociedade mais justa e próspera.

ricardo.pedreira@anj.org.br