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O governo anunciou que vai investir R$ 5,8 bilhões até 2018 em um programa de recuperação de 2.500 pontes e viadutos em rodovias federais no Brasil. O Programa de Reabilitação de Obras de Arte Especiais (Proarte) partiu da constatação de que 10% das estruturas deste tipo -ou 500 pontes e viadutos- estão em péssimo estado de conservação e demandam reparos imediatos. - Nos EUA a situação é parecida. Um programa semelhante só foi lançado depois que uma ponte desabou, com vítimas fatais, em 2007, em Minneapolis. Em 2003, a sociedade americana dos engenheiros da construção civil já havia alertado que 27% das pontes americanas apresentavam falhas estruturais ou corrosão. Seria necessário investir US$ 9,4 bilhões por ano durante 20 anos para eliminar todas as falhas.

Estudos da década de 1970 nos EUA estimavam os custos da corrosão naquele país em cerca de 4% do PIB, o que hoje chega a quase US$ 600 bilhões. Um quinto da produção mundial de aço é destinado a repor perdas causadas pela corrosão. Boa parte desses gastos poderia ser economizada se melhores práticas de manutenção fossem adotadas. Mas essa também não é a regra na maior economia do mundo.

No Brasil, apesar da criação do Proarte, o problema maior é a falta de base de dados informatizada e única, o que dificulta a sua real avaliação. Já existe tecnologia para gerenciar a manutenção dessas estruturas, racionalizando custos e prevenindo acidentes, como o software desenvolvido pela Petrobras.

Os navios passam por um processo contínuo de manutenção de suas estruturas e equipamentos. A cada cinco anos, em média, precisam parar em estaleiro para reparos estruturais. Em razão do envelhecimento da frota e da crescente preocupação ambiental, tornou-se fundamental exercer um melhor controle sobre a manutenção dos navios. Da mesma forma, por uma questão de segurança da população, também é da maior importância controlar a manutenção de pontes e viadutos. A boa notícia é que, um software como o da Petrobras está pronto para ser usado nestas estruturas, muito menos complexas do que as de navios.

Uma tecnologia desse tipo é capaz de armazenar todos os dados das estruturas em arquivos de fácil acesso a qualquer momento. Isso significa reunir TI, engenharia e gestão para reduzir custos de manutenção e minimizar riscos de acidentes. O Brasil tem a oportunidade de sair na frente, com planejamento, sem precisar esperar que, a despeito dos investimentos, suas pontes comecem a cair.