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Em 19 de agosto de 1839, o físico e inventor francês Louis Jacques Mandé Daguerre apresentou o daguerreótipo – primeiro processo fotográfico que, a partir de imagens obtidas através de uma câmera escura, as fixava em uma folha de prata sobre uma placa de cobre. O momento teve tamanha importância que a data foi homenageada como o Dia Mundial da Fotografia, a ser comemorada na próxima segunda-feira (19).

No Brasil, estudos e trabalhos dedicados ao tema tornaram o país um dos pioneiros da fotografia. O francês, radicado no Brasil, Antoine Hercules Romuald Florence, por exemplo, foi responsável pela criação de um sistema de impressão simultânea com todas as cores primárias, denominado polygraphie, em tradução livre, poligrafia. O reconhecimento deste trabalho em âmbito internacional veio 140 anos depois com o lançamento do livro "Hercule Florence - A descoberta da fotografia no Brasil", publicado pelo professor Boris Kossoy, nos Estados Unidos.

Com a fundação da Kodak, ainda no século XIX, a fotografia se popularizou no Brasil. Mas foi só no século XX que a atividade passou a ter mais protagonismo e relevância no país. Deste período, o Centro de Memória Bunge reúne um acervo fotográfico com registros da cidade de São Paulo, que ajudam a contar a história da industrialização e urbanização.

As imagens mostram a trajetória da industrialização de São Paulo, as mudanças arquitetônicas, a modernização e os costumes da época. Uma delas mostra, por exemplo, o Largo do Café, dos anos 1920, que abrigou a sede da S.A Moinho Santista por 68 anos. Hoje, o Largo é um grande centro comercial da cidade.

Os registros também resgatam as transformações vividas na capital paulista e a mudança de paisagem marcada pelas décadas que alteraram o cenário bucólico de um ambiente rural, com chácaras, fazendas e residências, para um cenário industrial e urbano.

A cidade também registrou um aumento significativo de sua população com a chegada de imigrantes advindos de outros Estados e países em busca de novas oportunidades de trabalho e mais qualidade de vida.

Com a atividade fabril das décadas subsequentes, São Paulo passou a ser, além de sociedade referência para o país, modelo social e cultural, a principal capital responsável pelo abastecimento de outros Estados e as fotografias registram os processos fabris da época e escoamento dessas produções, o que afetou a rotina e tempo do trabalho e dos trabalhadores.