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Eles proporcionam diversas experiências por meio de seus textos, sejam eles fictícios ou não. Emocionam, impactam, instigam e também levam o leitor à reflexão.  Os escritores têm, sobretudo, um papel transformador no âmbito cultural e educacional. Para homenagear essa nobre atividade, o escritor baiano Jorge Amado, junto com o escritor potiguar João Peregrino Júnior, declarou, em 1960, o dia 25 de julho o Dia Nacional do Escritor. Na época, ambos integravam a presidência da União Brasileira de Escritores e criaram o Festival do Escritor Brasileiro. A data foi, inclusive, oficializada pelo Ministro da Educação.

Como reconhecimento da relevância social e da representatividade dessa profissão, mais de 20 escritores brasileiros foram homenageados pelo Prêmio Fundação Bunge, primeira iniciativa da Fundação Bunge que desde 1955 tem o propósito de incentivar a inovação e a disseminação de conhecimento.

O primeiro a ser contemplado foi Alceu Amoroso Lima, em 1959, representando a reflexão madura de novas tendências poéticas à época. Sete anos mais tarde, foi a vez do aclamado Manuel Bandeira ser contemplado. O pernambucano tornou-se um clássico entre os poetas modernos, com uma trajetória que abrange da musicalidade difusa do simbolismo às experiências da poesia espacial e concreta. Bandeira escreveu sonetos, redondilhas, haicais e poesia concreta. Também traduziu William Shakespeare, Federico García Lorca e Friedrich Hölderlin.

Em 1984, o Prêmio Fundação Bunge homenageou o romancista brasileiro mais conhecido internacionalmente: Jorge Amado. Suas obras foram traduzidas para cerca de cinquenta idiomas, muitas delas adaptadas para cinema, teatro, rádio e televisão. Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1961, o escritor se dedicou à produção de crônicas de costumes provincianos, temperadas com sensualidade e bom humor, como Gabriela cravo e canela (1958), Dona Flor e seus dois maridos (1967) e Tenda dos milagres (1970).

Já entre as escritoras homenageadas pelo Prêmio está a romancista Rachel de Queiroz, em 1996. De sua vasta obra literária, destaca-se o romance O Quinze, que relata os horrores da seca, motivo que a fez migrar para o Rio de Janeiro. A escritora foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras e a integrar a galeria de vencedores do Prêmio.

Em 2002, foi a vez da poeta Hilda Hilst ser contemplada por sua produção, que, de tão rica, teve seu arquivo pessoal comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio, do Instituto de Estudos de Linguagem (IEL) da Unicamp, em 1995, e encontra-se disponível para pesquisadores do mundo inteiro.

Na última edição do Prêmio Fundação Bunge, em 2018, a jovem escritora Nina Krivochein foi contemplada na categoria “Juventude” por seu trabalho em prol da literatura Infantojuvenil. Com apenas 14 anos, Nina já publicou três livros e tem despertado o interesse pela leitura em milhares de crianças pelo Brasil. Sua primeira obra, A vaca que não gostava do pasto, foi escrita aos seis anos e adotada como material didático para alfabetização de alunos do ensino fundamental de escolas públicas no Brasil.

Ainda na mesma edição, Daniel Munduruku, autor de mais de 50 livros que destacam e preservam a cultura indígena, foi o premiado na categoria “Vida e Obra”. Descendente do povo indígena Munduruku, um dos mais de 300 povos indígenas espalhados pelo Brasil, o escritor é reconhecido por seus leitores, professores e bibliotecários como um dos principais autores de literatura indígena para crianças e jovens.

A história dos 64 anos da premiação e todos os premiados na área de Letras, de Jorge Amado e Hilda Hilst à nova geração como Daniel Munduruku e Nina Krivochein, em 2018, podem ser encontrados no Centro de Memória Bunge. O local possui um acervo com mais de 1,5 milhão de materiais de mais de um século de história.

Centro de Memória Bunge – Rua Diogo Moreira, 184 - 5º andar – Pinheiros, São Paulo/SP Tel.: (11) 3914-0846