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De acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip), o pão francês ainda é o principal produto das padarias brasileiras, a despeito de todas as inovações e diversificações do mix de produtos e serviços. Nesse contexto, comemora-se na próxima segunda-feira (8/7) o Dia do Panificador – profissional responsável pela preparação do pão. A origem deste alimento milenar, item básico nas mesas das famílias brasileiras, reflete também a história da industrialização de São Paulo.

Hoje, segundo estudo de mercado feito pelo SEBRAE, a panificação está entre os seis maiores segmentos da indústria do Brasil, com participação de 36% na indústria de produtos alimentares e 6% na de transformação. Mas a atividade surgiu há cerca de 12 mil anos na região da Mesopotâmia, juntamente com o cultivo de trigo. Diferente dos produzidos atualmente, os primeiros pães eram mais achatados, duros e secos, não podendo ser consumidos logo depois de prontos por serem bastante amargos. 

Enquanto no século XVII a França se destacava como centro mundial de fabricação de pães através de técnicas mais aprimoradas de panificação, no Brasil, a atividade se popularizou só depois do século XIX, especialmente com a vinda dos italianos para o país, no início do século XX, quando o produto passou a ser essencial na mesa do brasileiro, que tinha uma dieta à base de milho e derivados da mandioca devido as culturas indígena e africana.  

Com a sociedade brasileira vivendo a Primeira República e em processo de adaptação a intensas transformações políticas e econômicas, o Brasil tornou-se um mercado altamente consumidor dos produtos de fora e, consequentemente, das ideias e hábitos europeus. Nesse contexto, empreendimentos voltados para moagem de trigo, panificadoras e produtos voltados para esse segmento passaram a ser criados.

Anúncio de rua da Farinha de Trigo São Leopoldo. Belo Horizonte; MG, Empresa Mineira de Anúncios S. A., anos 1920.

Presente no Brasil há 114 anos com atuação em diversos setores da alimentação, a operação da Bunge no país se iniciou, em 1905, quando a empresa começou a participar do capital da S.A. Moinho Santista Indústrias Gerais. Três anos depois, tornou-se acionista majoritária do negócio de compra e moagem de trigo em Santos –SP. Foi também uma das responsáveis pela construção e operação do Moinho Santos e aquisição do moinho Fluminense, o mais antigo do país. 

O Centro de Memória Bunge possui em seu acervo importantes registros históricos deste processo, com documentos e fotos sobre as primeiras padarias do país. Além disso, o local mantém e preserva um rico acervo de propagandas da época, como o anúncio de rua de 1920 da Farinha de Trigo São Leopoldo, em Belo Horizonte -MG.

Centro de Memória Bunge – Rua Diogo Moreira, 184 - 5º andar – Pinheiros, São Paulo/SP Tel.: (11) 3914-0846