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O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou na última terça-feira (10) dados que indicam a redução de 10,4% no número de mortes violentas intencionais no País em 2018 . Apesar da queda, 57.341 pessoas perderam a vida de forma violenta no ano passado em comparação a 2017, quando 64.021 pessoas foram mortas da mesma maneira.

Embora os dados indiquem um recuo no aumento de mortes violentas, o número de pessoas que perdem a vida em decorrência de violência no Brasil atingem dimensões mais preocupantes quando comparados a assassinatos em zonas de guerra.

De acordo com o Atlas da Violência, divulgado pelo mesmo fórum de segurança em parceria com o Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (Ipea) no ano passado, 553 mil pessoas foram assassinadas no País em 11 anos. O conflito armado na Síria, iniciado em 2001, contabiliza cerca de 500 mil mortes, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Chama a atenção no levantamento divulgado nesta semana que as mortes cometidas por policiais contra suspeitos de crimes chegaram a 6,2 mil no decorrer de 2018 e representaram uma em cada dez mortes no País. No Rio de Janeiro, 1.534 pessoas morreram em decorrência de ação da polícia no ano passado – o equivalente a quatro mortos por dia – e os supostos confrontos deixaram 343 policiais mortos no mesmo período.

Dados preliminares de 2019 indicam recorde histórico de mortes envolvendo policiais em meio a um discurso do governo que tenta legitimar essas ações. Uma das principais bandeiras de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PSL), a flexibilização da posse e do porte de armas, foi um dos temas centrais no Senado no primeiro semestre, que agora trabalha em um projeto de revisão do Estatuto do Desarmamento. Batizado de PL das Armas, o projeto tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e, se aprovado, aumentará a potência de arma autorizada para civis, exigirá exame toxicológico para aquisição de arma de fogo e o Estado poderá se omitir da responsabilidade da segurança pública, passando-a para a população civil.