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Carismático, elegante e adorado por seus alunos, o economista austríaco Joseph Schumpeter foi uma das personalidades mais incomuns do século XX. Talvez tenha sido o pensador mais influente de todos os tempos quando se pensa em inovação, empreendedorismo e capitalismo. Para ele, o capitalismo tem como característica essencial uma força denominada processo de destruição criativa. Esse axioma baseia-se no princípio de que o desenvolvimento de novos produtos, novos métodos de produção e novos mercados representa a destruição do velho para se criar o novo.



Pela definição de Schumpeter, o agente básico desse processo de destruição criativa está na figura do empreendedor. Embora cada empreendedor seja diferente, há algumas características que frequentemente emergem nesses indivíduos: otimismo, autoconfiança, coragem para aceitar riscos, desejo de protagonismo, resiliência e perseverança. Maquiavel, por sua vez, complementa: "empreendedores são aqueles que entendem que há uma pequena diferença entre os obstáculos e as oportunidades, e eles são capazes de transformar ambos em vantagem".



Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre o futuro do trabalho. A ansiedade compartilhada por muitos na tentativa de entender o impacto que as novas tecnologias têm sobre as indústrias, tende a reduzir essas discussões ao pressuposto de que máquinas inteligentes farão coisas extraordinárias para melhorar a vida das pessoas, tornando o trabalho humano obsoleto, criando, assim, uma distopia sem emprego. O empreendedorismo deve ser encarado como saída para a mobilidade social ascendente, maneira para a população média construir riqueza.



Mas por que o empreendedorismo e a inovação estimulam o desenvolvimento econômico? Preliminarmente, a resposta parece intuitiva: o empreendedorismo é essencial na promoção do crescimento econômico. Entretanto, a contribuição dos empreendedores é mais abrangente, podendo se destacar em quatro campos distintos: Investimento em produtos e serviços que as pessoas precisam - tradicionalmente, empreendedores criam novos negócios em resposta a necessidades não satisfeitas; Geração de emprego e renda - ao contratarem funcionários, as novas empresas criam oportunidades de trabalho, apoiando a melhoria da qualidade e padrão geral de vida das pessoas; Capacidade de transformar ideias em novos produtos e serviços é a principal fonte de prosperidade para qualquer economia; Impacto social, econômico e ambiental da inovação, que é crucial quando para enfrentar os desafios ambientais da atualidade - práticas de negócio inovadoras criam eficiência e conservam recursos, tendo impacto direto sobre a qualidade e custo de vida das pessoas. Em contrapartida, é fundamental reconhecer que o empreendedorismo e inovação dependem do acesso e participação.



Empreender significa desenvolver uma ideia, transformando-a em um negócio. Para que os empreendedores possam dar vida às suas ideias, é indispensável a existência de um ambiente de negócios apropriado. Sob condições adequadas, ao propor soluções inovadoras para os desafios cotidianos, os empreendedores têm um poder incrível de servir à sociedade e garantir prosperidade econômica. E como vaticinou Schumpeter: "A competição que mantém um homem de negócios acordado não é a dos concorrentes baixando o preço, mas de pessoas empreendedoras tornando seu produto obsoleto".



 



Andriei José Beber é professor da Fundação Getúlio Vargas



andriei@andrieibeber.com.br