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Enquanto o varejo brasileiro luta para tentar crescer mais de 2% no acumulado do ano, há uma fatia de mercado que saltou 33% ano passado: o de produtos ilegais. Segundo o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), em 2018, o mercado paralelo movimentou R$ 193 bilhões, um número alarmante que reflete tanto o menor poder de compra do brasileiro como o avanço da oferta de produtos e serviços que chegam ao País de modo ilegal e não possuem garantias. Para fazer esse cálculo, o Fórum calcula as perdas verificadas em 13 setores industriais, além de somar a estimativa dos impostos que deixaram de ser arrecadados pelo governo.

Estamos perdendo esta batalha

Para Edson Vismona, presidente do FNCP, esse dado mostra que o País continua perdendo a guerra para o crime organizado. "Em 2018, a soma dos gastos oficiais com a saúde e educação foi de R$ 208 bilhões, quase o mesmo valor que o Brasil perdeu por conta do mercado movido pelo crime A sociedade brasileira, não pode mais continuar convivendo com essa realidade" afirma ele, lembrando que este mercado é dominado por quadrilhas. "Esses grupos utilizam os lucros dessa atividade para financiar outros crimes como o tráfico de drogas e armas”, alerta.

Cigarro é o vilão da saúde e da ilegalidade

O cigarro, principal setor afetado pelo contrabando demonstra essa realidade. No ano passado, 54% de todos os maços vendidos no País eram ilegais, alta de seis pontos percentuais ante ao ano anterior. O principal estímulo a esse crescimento é a enorme diferença tributária entre os dois países. O Brasil cobra em média 71% de impostos sobre o cigarro, chegando a até 90% em alguns estados, enquanto que no Paraguai as taxas são de apenas 18%, a mais baixa da América Latina. Com isso, em 2018 a diferença do valor cobrado entre os cigarros brasileiros e paraguaios chegou a 128%.

Nem tudo está perdido

Apesar dos números impactantes e uma gama de produtos e serviços ilegais permeando o dia dia do brasileiro, seja com vestuário, óculos, combustível, TV por assinatura, perfumes, filmes e até defensivos agrícolas, Vismona acredita em um ponto de inflexão para a reversão deste dado. "Os presidentes eleitos recentemente no Brasil e no Paraguai já deram declarações públicas de que vão enfrentar essa o contrabando e o crime organizado nas fronteiras, e de que desejam atuar conjuntamente para solucionar o problema. Acreditamos que esse é o caminho correto", afirma.

Crédito flexível

Levantamento realizado pelo Itaú Unibanco aponta que, de 2017 a 2018, o número de clientes que transferiram limites de uma linha de crédito para outra apresentou um aumento bastante expressivo. As migrações para o cartão de crédito registraram crescimento de 32% no período, enquanto as transferências para o crédito pessoal apresentaram incremento na casa dos 18%. Os canais digitais (internet e mobile) foram os mais utilizados pelos clientes de todo o Brasil para realizar as transferências, representando 78% do total. /Agências

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