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Enquanto o governo federal colheu pouco, ou quase nenhum, resultado em investimento em infraestrutura nos últimos dois anos – apesar de esforços para atrair investidores e acelerar liberação dos editais – o governo do Piauí dá exemplo de sucesso em projetos de parcerias com o setor privado. Iniciado em 2015, no governo reeleito este ano, de Wellington Dias (PT), o programa de parcerias e concessões do estado já tem quatro projetos contratados e dois em processo de licitação, que exigirão investimentos de R$ 2,5 bilhões. Somados todos os demais projetos previstos, cerca de 26 em carteira, essa cifra sobe para R$ 7 bilhões. E quase sem verba pública.

Escolha de projetos prioritários

Além da revisão do marco regulatório, que foi criado em 2005, o programa deslanchou com a escolha de algumas obras prioritárias, a criação da superintendência e a governança dessa área. “O pontapé foi dado com a Ceasa, a central de abastecimento, o saneamento básico da capital, Teresina, e três terminais rodoviários”, conta a secretária da Superintendência de Parcerias e Concessões (Suprac) do Piauí, Viviane Bezerra. Dos quatro contratados, um está em licitação (ginásio de esportes), disse a secretária ao Relatório Executivo da GO Associados.

Miniusinas de energia solar

Os outros empreendimentos são de saneamento básico, uma subconcessão, a central de abastecimento, a PPP Piauí Conectado, de banda larga; e os terminais rodoviários. “Agora vamos iniciar também o processo de roadshow de oito miniusinas de energia solar. Temos ainda mais 26 projetos em estudo”, ressalta Bezerra, para quem o comprometimento e o interesse efetivo do governador são os principais motivos do sucesso do programa no estado, além do ambiente regulatório organizado, a transparência e “muito diálogo” com a sociedade, principalmente.

26 projetos, R$ 7 bilhões

Os quatro projetos já contratados totalizam R$ 2,1 bilhões de aportes. Se somadas as miniusinas e o ginásio de esportes, os investimentos aumentam para R$ 2,5 bilhões. Os recursos são integralmente bancados pelas empresas privadas que exploram as concessões. “Se colocarmos todos os projetos em carteira, chegamos a quase R$ 7 bilhões, sendo R$ 6,5 bilhões do setor privado. A maioria dos nossos empreendimentos não têm verbas públicas”, detalha a secretária do governo piauiense.

Decisão política e capacidade técnica

Ao lado da decisão política do governo do Piauí – este é o quarto mandato do petista Wellington Dias –, uma equipe técnica preparada, capital profissional e intelectual capaz de desenvolver e recepcionar estudos fez muita diferença na implantação do programa, resultando na estruturação de contratos adequados, como a PPP Piauí Conectado, que recebeu o aval do governo federal para emissão de debêntures incentivadas. “A maior dificuldade, já superada, era a desconfiança, não do mercado, mas da sociedade. Com diálogo, obtivemos licença social para fazer as concessões.”

Mercado de energia temporária...

A combinação de altas temperaturas e chuvas de verão, que marcam a estação mais quente do ano, favorecem o mercado de locação de geradores de energia. “Para este período, a expectativa é aumento de 50% da demanda do setor varejista. Atendemos desde os médios comércios, que buscam geradores para garantir energia extra para alimentar seus sistemas de ar condicionado e a iluminação das lojas, até grandes estabelecimentos, como shoppings centers, que precisam de soluções mais complexas e sob medida para oferecer conforto térmico para os seus clientes”, diz Abraham Curi, CEO da Tecnogera.

...cresce com verão e temporada de chuvas

A empresa, especializada em soluções completas em energia temporária e 12 anos de mercado, prevê dias movimentados na reta final de 2018 e nos primeiros meses de 2019. A temporada das chuvas fortes também impulsiona o segmento. “Ficar horas sem energia, além de impactar nas vendas, gera insegurança para clientes e funcionários. Manter um estabelecimento em plenas condições de funcionamento acaba se tornando um diferencial competitivo”, completa Curi. Para atender esta demanda extra, a Tecnogera conta com uma frota de mais de 900 geradores, a diesel e gás natural, com uma equipe altamente capacitada e atendimento 24 horas por dia, 7 dias por semana. Em franca expansão, a companhia prevê fechar 2018 com um incremento de 20% em sua receita em relação ao ano anterior.

R$ 200 milhões investimentos

O Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast) completa cinco anos de atuação. Desde o seu lançamento, já foram investidos mais de R$ 17 milhões em ações voltadas para aumento da competitividade do setor, R$ 170 milhões no incentivo à exportação e cerca de R$ 10 milhões em ações de promoção das vantagens do plástico. O foco se mantém:  aproximar os elos da cadeia e executar iniciativas para promover a competitividade e a produtividade na indústria de transformação de plástico. O PICPlast é uma iniciativa pioneira, fruto da parceria da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), e da Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas.

Confiança no País

Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser: otimismo com os próximos anos. FOTO: Divulgação

“Confiamos no nosso País e nos nossos produtos, por isso continuamos investindo fortemente em nossas operações. Em 2018 foram mais de R$ 21 milhões destinados à otimização dos processos, infraestrutura e capacitação dos nossos profissionais”, afirma Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser. Uma das maiores fabricantes de tablets do Brasil e uma das líderes nacionais nos setores de telefonia, eletroeletrônicos e informática, a empresa chega ao final de 2018 em alta, quando crescerá 21,9% em relação a 2017, no seu quadro de funcionários e investimentos ao redor de R$ 350 mil em capacitação profissional com treinamentos técnicos, comportamentais, oferta de cursos superiores e de pós-graduação. Além disso, mais de R$ 2 milhões foram distribuídos aos colaboradores como participação nos resultados. Neste ano, a  Multilaser destinou mais de R$ 2,5 milhões à área de Tecnologia da Informação (TI).

Troféus com sucata

Desenvolver troféus feitos com a sucata (materiais descartados dos processos fabris) da própria companhia foi o desafio lançado neste ano pela Embraco entre seus funcionários, para o Prêmio Embraco de Ecologia, realizado há 26 anos.  Foram 15 dias entre a ideia e a execução e 19 troféus manufaturados seguindo critérios como atendimento à proposta do prêmio, qualidade, segurança e estética. Dentre eles, quatro foram escolhidos e entregues às escolas campeãs. A ideia surgiu por estar alinhada ao foco de reduzir a geração de resíduos e ao objetivo de incentivar práticas socioambientais.

Liliana Lavoratti é editora de fechamento

liliana@dci.com.br