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As agências de viagens e turismo brasileiras passam por um mau momento. E o cenário econômico continua comprometendo a demanda, fazendo com que planos nessa área sejam postergados, principalmente quando se trata de idas ao exterior, por conta do dólar acima dos R$ 4. Já a atração de estrangeiros fica comprometida pela explosão de aplicativos como o AIRBNB. Este, apontado como inimigo do turismo, pode, no entanto, ser um grande aliado do setor. “A sobrevivência das empresas do setor depende da adaptação do negócio. Acabamos por tornar o aplicativo nosso aliado”, diz o CEO da Casa na Disney, Ricardo Molina.

Driblando a alta do dólar

A operadora de turismo especializada em aluguel de casas em Orlando (EUA) passou a usar o AIRBNB a partir de sua unidade brasileira há um ano e, como resultado, passou a atender a clientes de todo mundo, evitando períodos de vacas magras. “Além da instabilidade econômica e da alta do dólar, existem sazonalidades no mercado brasileiro compensadas pela demanda de outros países. Com o app, mantemos as casas ocupadas durante o ano todo. Ao mesmo tempo, a tecnologia permite atender cliente da Islândia a qualquer hora, sem ter uma agência nesse país”, explica.

Tecnologia como aliada

Há um ano, o canal tinha pouca relevância nos negócios da empresa. De setembro de 2017 ao mesmo mês deste ano, as receitas passaram de cerca de US$ 10 mil para US$ 70 mil. Hoje, metade do faturamento da Casa na Disney vem de operações fechadas através do aplicativo. “O crescimento foi muito rápido. As pessoas querem mais facilidade”, diz Molina. Os brasileiros ainda são minoria entre o público que aluga casas através do AIRBNB. Em agosto, a empresa registrou 81 reservas via aplicativo. Destas, somente cinco eram de brasileiros.

Clientes do mundo inteiro

“O brasileiro tende a migrar de plataforma. Os clientes vêm de todos os lugares do Irã à Islândia que entram em contato com nossa agência brasileira para fazer as reservas. Conseguimos atingir pessoas do mundo inteiro”, ressalta o CEO da Casa na Disney. A maior parte das reservas é feita por americanos para aluguel de curto prazo. A média mensal da agência física é de 40 reservas, todas de brasileiros. Apesar de ainda não serem tão familiarizadas com o AIRBNB como os estrangeiros, as pessoas preferem os canais online, como e-mail e Whatsapp.

Desintermediação

“O cliente não quer mais esperar o orçamento e os atendimentos da forma tradicional vão perdendo o apelo. Antes, queriam falar com a gente. Agora muitos não querem nem receber e-mail. O consumidor não quer ter esforço para fazer uma negociação. A desintermediação faz parte do turismo”, explica Molina. Outro desafio para as agências na era da disrupção é que se acaba perdendo o poder da negociação e, por consequência, a fidelização dos clientes. “O grande desafio é fidelizar. Os clientes depois de usar o serviço, muitas vezes, nem respondem mais”, diz.

Uso eficiente de recursos naturais

Grandes empresas brasileiras unem esforços para alavancar uma agenda positiva para o meio ambiente e para o bolso: o uso eficiente de recursos naturais. Só na União Europeia esse novo modelo, chamado de economia circular – por prever aumento da vida útil de produtos e materiais –, deve reduzir custos da ordem de US$ 340 a US$ 630 bilhões por ano, segundo estimativas da Fundação Ellen MacArthur, que dissemina o tema no mundo. De olho nessas oportunidades, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lidera um movimento do setor industrial para debater o tema e discutir propostas de políticas públicas para alavancar a economia circular no país. Uma proposta de economia circular foi entregue aos candidatos à Presidência que inclui retirada da cumulatividade tributária e medidas para ganho de escala em materiais reciclados. Entre os parceiros da agenda estão a Universidade de São Paulo (USP), a Fundação Espaço Eco e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).

Resolvendo mais  

A Qualicorp, administradora de planos de saúde coletivos, atingiu 90% de resolutividade em demandas de clientes nos Procons, de acordo com dados do Sindec (Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor), no período de janeiro a agosto de 2018. De acordo com Juliana Pereira, diretora executiva de Clientes da Qualicorp, “esse resultado decorre das iniciativas adotadas pela empresa e reforça o nosso compromisso com o consumidor”. A Qualicorp tem cerca de 2,6 milhões de clientes. Nos primeiros oito meses deste ano, foram registradas no Procon 566 demandas envolvendo a companhia. Destas, cerca de 510 foram resolvidas, ou 90% do total de demandas recebidas, segundo a empresa. “Entre as principais iniciativas estão a criação de uma diretoria voltada exclusivamente à área de clientes, a ampliação dos canais de atendimento ao cliente e a assinatura de acordos de cooperação com órgãos públicos de defesa do consumidor”, diz Pereira.

Compradores e fornecedores

Criada em 2017 para ser um portal de compra e venda de autopeças e serviços para empresas do transporte rodoviário, a plataforma 99kote cresceu neste ano. Após estudos sobre as necessidades dos clientes compradores, a nova versão ampliou o leque de fornecedores para atingir toda a cadeia de suprimentos para empresas de transporte, além de incluir ainda mais sistemas de gestão no seu portfólio de integrações já realizadas. “A 99kote pode ser integrada a qualquer software de gestão para que os usuários possam manter a operação de seus pedidos de forma automatizada, com a vantagem de continuar usando o processo de compras que já estão acostumados”, afirma Valmir Colodrão, sócio diretor da empresa. A proposta é atingir toda a cadeia de suprimentos para as empresas de transporte e ser o melhor ponto de encontro online entre compradores e vendedores.

Sugestões para a saúde        

A Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS) entregou aos candidatos à Presidência cinco sugestões de aprimoramento no setor de saúde, que vão desde questões regulatórias, participação maior da sociedade nas decisões governamentais adotadas até adesão de normas técnicas internacionais de comprovada eficácia. “Este setor é extremamente dinâmico e demanda alto investimento. O ciclo de vida dos produtos é curto, apesar do custo elevado e tecnologia envolvidos, e atrasos causados por regulação de baixa qualidade podem tornar a tecnologia superada mesmo antes dela ingressar no país”, explica o diretor executivo da ABIIS, José Márcio Cerqueira Gomes. A Aliança entende que o setor de dispositivos médicos é altamente regulado no Brasil e não poderia ser diferente, já que são equipamentos utilizados para prevenção, tratamento ou diagnóstico de agravos à saúde humana, porém é necessário buscar uma regulação inteligente, no sentido de que burocracias desnecessárias e, algumas vezes, sem objetivo prático não criem barreiras que afastem investimentos, encareçam produtos ou inibam a inovação no Brasil.

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