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A projeção de novos protestos contra e a favor do governo Jair Bolsonaro (PSL) pelas ruas do País pode representar uma ameaça à busca por estabilidade, segundo cientistas políticos ouvidos ontem pelo Estadão Conteúdo. Além da manifestação ocorrida domingo (26), e do protesto contra corte de verbas na educação, em 15 de maio, estão previstos atos contra a administração de Bolsonaro, nos moldes dos de duas semanas atrás, para o próximo dia 30. "Se a sociedade entrar numa espiral de protestos a favor e contra, isso vai tensionar ainda mais a governabilidade que já está bastante esgarçada. E é bem preocupante.”

Qualidade e não quantidade

A afirmação acima é de Rodrigo Prando, da Universidade Mackenzie de São Paulo. "Tudo entra numa ótica quantitativa: quem consegue levar mais gente para a rua, e não numa ótica qualitativa, de pensar na superação das crises do País. Essa escalada de manifestações pode aprofundar a crise a paralisar o País. Sucessivas manifestações geram instabilidade", acrescenta o cientista político. Já o cientista político José Alvaro Moisés, da USP, lembra que há uma tendência de atos na rua que vem se intensificando desde 2013.

Bolsonaro incentiva manifestações

"Em certo sentido, é um despertar de uma cidadania mais ativa, independente da posição ideológica dos participantes. No governo Bolsonaro, isso parece crescer porque o próprio governo incentiva as manifestações, sem que ele perceba que isso pode ser uma armadilha para um governo frágil, e que é mal avaliado. Talvez estejamos entrando em uma fase de mobilização permanente, e isso tem pontos a favor e contra a democracia representativa. Mas se isso cresce, pode suscitar conflitos", acrescenta Moisés.

Mas também trata-se da disputa por espaço midiático.

Política de redes sociais

"As questões políticas se negociam em outros espaços. Além do show de domingo, pouca coisa foi importante. Como também no caso da oposição, que tem se manifestado, mas não tem proposta apresentada. Então, estamos vivendo nesse ambiente de uma política 'de verdade' e de uma política das redes sociais, do ambiente midiático. Por isso, a instabilidade do governo Bolsonaro continua igual ou maior do que já existia", ressalta o cientista político Kleber Carrilho, da Universidade Metodista de São Paulo, ainda de acordo com o Estadão Conteúdo.

Jogo de forças continua o mesmo

Para Fernando Luiz Abrucio, da Fundação Getúlio Vargas, o ambiente político segue inalterado após os atos, sem mudanças no jogo de força entre Executivo e Legislativo. "O Congresso não foi pressionado pelo movimento. Ele causou certo constrangimento ao presidente, em vez de mostrar força. É um grupo relevante, mas é menor nas ruas que outros grupos como os do Centrão e da oposição", observou. "Bolsonaro não é a Dilma e nem o Temer. Ele ainda tem certo apoio popular, apesar de ser menor que o de outubro. O Congresso sabe disso", diz Abrucio.

Jornada empreendedora

Renovar ideias, gerar oportunidades, discutir possibilidades, apresentar novas tendências e ampliar o networkingsão algumas das diretrizes do Jornada Empreendedora USA, considerado um dos principais eventos sobre empreendedorismo no EUA. Registrando a sua segunda edição, terá como mote ajudar a internacionalizar marcas e empresas que desejam migrar os negócios para a terra do “Tio Sam”, gerando novos negócios locais, explorando oportunidades de consultorias com renomados profissionais do setor e absorvendo conteúdo junto aos  mestres do empreendedorismo. A Jornada Empreendedora, que espera cerca de 1,2 mil participantes, promoverá uma imersão aos participantes acerca do mundo dos negócios. Dentre os palestrantes no evento, de 3 a 5 de julho próximo, em Orlando, estão Kevin Harrington (“Gestão, liderança e marketing digital”), Camila Farani (“Como me tornei Tubarão”), João Pacifico (“Felicidade iLtda - Valores para quem quer ser feliz dentro e fora do trabalho”), Alejandro Rostagno (“A arte de encantar o cliente”).

Gênero de executivos

De acordo com pesquisa da Talenses Executive – empresa do Grupo Talenses especializada em recrutamento C-Level – há diferenças entre os fatores que atraem executivos C-level (diretores, vice-presidentes e CEOs) para uma nova posição de acordo com o gênero. Para os homens, o principal fator de atração são os desafios (87%). Em segundo lugar estão empatados salário/bônus e clima organizacional (80%), e em terceiro lugar está perspectiva atual do negócio (77%).  Já para as mulheres, o principal fator de atração é a cultura organizacional (89%). Em segundo lugar, estão empatados ambiente e clima organizacional (87%), e apenas em terceiro lugar estão (também empatados) salários/bônus e benefícios (82%). Este último fator (benefícios) entra apenas em sexto lugar para os homens (67%).

São Paulo colonial e imperial

“História econômica e social do estado de São Paulo 1850-1950”, novo livro da Imprensa Oficial, que documenta a evolução do Estado de São Paulo entre os séculos XIX e XX, será lançado hoje, na capital paulista, com a presença dos autores Francisco Vidal Luna e Herbert S. Klein. Neste livro, Vidal Luna e Klein, dão continuidade a seus estudos sobre São Paulo nos períodos colonial e imperial, estendendo-se até meados do século XX. Se em 1850 o dinamismo extraordinário de São Paulo não se evidenciava, em 1950 esse estado já era o mais importante centro econômico e populacional do país. “Neste segundo volume da história do Estado de São Paulo, nosso objetivo é explicar como São Paulo passou de uma província de fronteira pouco importante a uma das mais destacadas regiões agrícolas e industriais do mundo. O período 1850-1950 foi crucial no processo de transformação econômica e social de São Paulo – uma transformação cujo êxito pode ser comparado ao de outras áreas de fronteira nessa mesma época, como regiões do Canadá, Argentina e Austrália”, pontuam os autores no prefácio da obra.

Biodegradável só na propaganda

Consumidores e estabelecimentos acreditam estar contribuindo para a causa ambiental ao escolher sacolas e canudos plásticos “biodegradáveis” – em letras miúdas, oxibiodegradáveis. O que não sabem é que mais de 150 entidades de todo o mundo, incluindo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), voltaram a endossar o posicionamento da Fundação Ellen MacArthur que pede o banimento dos produtos com aditivos oxibiodegradantes incorporados. Estes supostamente possibilitariam a decomposição completa do plástico no meio ambiente, mas recentes análises trazem evidências de que os aditivos levam mais tempo do que o propagandeado para degradar o material e, na verdade, apenas o transformam em micropartículas. Publicado pela iniciativa Nova Economia do Plástico (New Plastics Economy, em inglês) no final de 2017, o posicionamento esteve fora do ar nos últimos meses devido à disputa judicial com um fabricante e para a realização de novas investigações sobre os oxibiodegradantes. Com a revisão das evidências, uma nova versão do documento foi divulgada recentemente, com o endosso de membros do Parlamento Europeu e organizações como PepsiCo, Unilever, Greenpeace e World Wildlife Fund (WWF). Enquanto isso, o marketing dos fabricantes desses aditivos e dos produtos aditivados continua a confundir o grande público por meio do greenwashing.

Startups brasileiras em Hong Kong

O Instituto Brasil China e a Igloo Network lançam o “Challenger Ibrachina”, um projeto de incentivo a startupsbrasileiras. Os três primeiros colocados terão a oportunidade de participar do maior evento deste segmento em todo o mundo, a Conference RISE 2019, em Hong Kong, no final de julho deste ano. Além disso, os vencedores do “desafio” receberão prêmios em dinheiro para impulsionar os negócios e participações em incubadoras e aceleradoras de negócios no Brasil. No dia 11 de junho, às 15h, uma bancada de profissionais especializados em empreendedorismo vai eleger os três melhores projetos. O evento será realizado no Centro Empresarial de São Paulo, sede do Igloo Network, parceira do Ibrachina no projeto. “É uma excelente oportunidade para esses novos empreendedores mostrarem seus talentos”, diz Thomas Law, idealizador do projeto e Presidente do Ibrachina. As inscrições vão até esta quinta-feira (30) e podem ser feitas pelo endereço:  http://bit.ly/2vrIg6G

‘Eles não usam black-tie’

Paloma Bernardi e Kiko Pissolato comandam o elenco da versão atual da peça clássica de Giafrancesco Guarnieri. (Foto: Divulgação)

Depois de temporada, em 2018 e viagens pelo Interior de São Paulo, a montagem do diretor Dan Rosseto para o clássico da dramaturgia brasileira “Eles Não Usam Black-Tie”, de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), reestreou na última sexta-feira (24), no Teatro MorumbiShopping. A trama revela a organização de uma greve de funcionários de uma fábrica. Diante de posições ideológicas e morais divergentes, está o operário Tião (Kiko Pissolato), representante do brasileiro que prefere não participar de protestos por reivindicação de direitos. Ele deseja uma vida estável e longe de debates. Já sua noiva, Maria (Paloma Bernardi), personifica o cidadão indignado com as opressões sociais e ávido por se manifestar publicamente contra tais injustiças. O texto de Gianfrancesco Guarnieri, de 1958, comemorou 60 anos da primeira montagem, no Teatro de Arena. Em 1981, a peça foi transformada em filme dirigido por Leon Hirszman, contando com Fernanda Montenegro e o próprio autor Gianfrancesco Guarnieri no elenco. A peça ficará em cartaz até 30 de junho.

 

Liliana Lavoratti é editora de Fechamento - liliana@dci.com.br