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Em estudo sobre as 100 grandes empresas que superaram seus pares em crescimento e retornos aos acionistas, o Brasil perdeu a liderança regional para o México – estável com 28 empresas. Em 2009, o Brasil tinha 34% de participação, contra os atuais 26%, segundo o The Boston Consulting Group (BCG), autor do levantamento. A lista das 100 mais relevantes multinacionais da América Latina conta com 26 brasileiras, dentre elas Alpargatas, Braskem, BRF, Duratex, Embraer, Fibria, Gerdau, GOL, Iochpe-Maxion, Itaú Unibanco, Klabin, Marfrig, Minerva, Natura, Netshoes, Stefanini, Suzano Papel e Celulose, Cielo e Votorantim Cimentos e WEG.

Sucesso com fusões e aquisições

O BCG identificou os fatores responsáveis pelo sucesso dessas multinacionais. De acordo com Marcos Aguiar, sócio do BCG, um deles é a habilidade em fusões e aquisições. “Os preços das ações de multilatinas que são ‘adquirentes em série’ subiram quase 70% de 2009 a 2017, cerca de dez vezes mais do que para outros compradores frequentes latino-americanos”, comenta. Outros motivos importantes são a capacidade de se conectar com os consumidores, gerenciar cadeias de valor apesar de ambientes regulatórios e fiscais difíceis, inovar e cultivar talentos.

Navegar e lucrar na turbulência

Ainda de acordo com o relatório “Why Multilatinas Hold the Key to Latin America’s Economic Future”, do BCG, “um conjunto de empresas de elite e com visão internacional conseguiu navegar durante a turbulência e a mudança estrutural das economias latino-americanas na última década, com crescimento das receitas de 5,2% ao ano, três vezes maior do que a média para as grandes empresas da região, e retornos excepcionalmente altos aos acionistas. O estudo analisou 5 mil companhias com operações na região e mais de US$ 1 bilhão em receita.

Setor privado resiliente

“As multilatinas demonstram que um setor privado resiliente é um dos maiores ativos da América Latina, e o Brasil está inserido nesse contexto. Essas empresas são fortes contribuintes para a produtividade, o investimento, a inovação e a criação de empregos na região e continuarão a impulsionar a América Latina no cenário internacional", afirma Daniel Azevedo, sócio do BCG e coautor do relatório. O estudo também traz outros recortes que demonstram as profundas transformações na economia regional desde a primeira edição, em 2009.

Mais consumo, menos commodities

Dentre as mudanças, a maior presença de empresas de consumo. A participação de multilatinas especializadas em bens de consumo e serviços aumentou de 31% para 44%. O número de empresas de commodities caiu de 12 para 7, em grande parte devido à desaceleração nos preços das commodities. Houve também maior diversidade geográfica. Embora as empresas do Brasil, do Chile e do México ainda dominem a lista das multilatinas de 2018, há mais empresas da Argentina, da Colômbia e do Peru do que em 2009, bem como da Costa Rica, de El Salvador e do Panamá.

Páscoa ainda não chegou...

A 2a1 Cenografia, especialista em soluções de cenografia dos mais diversos temas, especialmente o Natal, abriu as portas de seu showroom em Guarulhos (SP) para apresentar as novidades em decorações natalinas para shoppings e centros de compra. A empresa investe em licenças exclusivas das maiores corporações do mundo como Dreamworks, Mauricio de Sousa Ao Vivo, Play-Doh, Nickelodeon, entre outras. Para 2018, os temas explorados serão Patrulha Canina, Bob Esponja, Dora Aventureira, Shrek e Madagascar. Criada pelos irmãos Caio, Daniele e Nelson Paulino, a 2a1 Cenografia, fundada em 1999, atualmente ocupa uma posição de destaque no segmento cenográfico brasileiro. Mesmo em período de desconfiança no atual cenário econômico, a empresa viu sua demanda crescer 20% em 2017 devido às novas temáticas trazidas ao mercado. Para este ano, a projeção é de um aumento de 25% nas vendas.     

...e Natal já está na agenda

Segundo Daniele Paulino, diretora comercial da empresa, “a expectativa é que em 2018 o crescimento ocorra na mesma proporção que no ano passado. Temos muitas novidades em tecnologia e interatividade, realizamos um aporte bem grande nesta área. Estamos trazendo realidade aumentada no Bob Esponja, realidade virtual no Shrek e mega touch, que vamos apresentar para os clientes entre março e abril no nosso espaço de 1.500 metros quadrados. Depois disso começamos a trabalhar imediatamente nas produções”. Só no ano passado a 2a1 Cenografia realizou 60 natais. Para 2018 a previsão é de 75 projetos.

Indústria 4.0

“Com a tecnologia inserida no chão de fábrica, o objetivo é inserir funcionários em atividades menos desgastantes e com trabalhos mais nobres”, diz João Carlos Visetti, da TRUMPF Brasil, sobre o anúncio feito ontem pelo governo no Fórum Econômico Mundial para a América Latina (Mini Davos), em São Paulo, de um plano que visa incentivar empresas a ingressarem no modelo de "indústria 4.0". E, desta forma, inserir tecnologias de ponta como inteligência artificial, impressões 3D (manufatura aditiva), computação em nuvem (cloud) e internet das coisas (IoT). Segundo Visetti, a aplicação da inteligência amplia a capacidade de produção entre 50% e 60%. A alemã TRUMPF, líder mundial em laser para o processamento de chapas metálicas, investiu 13 milhões de euros na construção de uma fábrica para indústria 4.0 em Chicago. Ela foi inaugurada em setembro de 2017 e pode demonstrar a interação de pessoas, máquinas, equipamentos de armazenamento, automação, softwares e soluções da Indústria 4.0, que nada mais é a inteligência aplicada na fase pré-produção, e envolve todas as etapas, conectando pessoas, processos e máquinas.

Empregos para jovens

Flexibilização dos contratos de trabalho para acompanhar a evolução do mercado, implementação de programas de estágio ou workshops para reduzir a lacuna de habilidades dos jovens e treinamento contínuo e focar a integração da diversidade através da implementação de políticas voltadas para grupos vulneráveis no momento de conseguir um emprego foram defendidos por David Herranz, CEO do Grupo Adecco para América Latina, em debate no Fórum Econômico Mundial para a América Latina, que se encerra hoje em São Paulo. Ele citou que em grande parte da América Latina, mais de 40% dos jovens carecem de emprego. E seis em cada 10 estão no chamado "trabalho informal", ou seja, não há contrato adequado ou segurança social vital. Na verdade, cerca de um quinto dos jovens do continente (quase 30 milhões de pessoas) não possuem emprego, educação ou treinamento.

Liliana Lavoratti é editora de fechamento

liliana@dci.com.br