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A forma como os brasileiros vão prover recursos para sobreviver na velhice é um dos temas que ganhará cada vez mais espaço. Os motivos são variados: desde o foco no aperto das regras para aposentadorias e pensões da Previdência Social, dado pelo mercado e governo que assume dentro de alguns dias o comando do País, até o rápido envelhecimento da população. Nesse contexto, ganha relevância o dado de que 61,5 milhões de brasileiros não juntam dinheiro para aposentadoria – pouco menos da População Economicamente Ativa (PEA), a soma das pessoas que trabalham ou que estão procurando emprego, e que sustentam os demais.

Sem renda e endividados

A constatação é da pesquisa da Associação Nacional dos Participantes dos Fundos de Pensão (Anapar) em parceria com o Instituto FSB Pesquisa. O levantamento identificou que, combinados, alguns fatores levam a população a quadro de “desalento previdenciário”. São eles renda insuficiente (42%), despesas/contas (11%), dívidas (8%), preços elevados (6%) e gastos com saúde e educação, que somados formam 5%. Foram feitas entrevistas domiciliares com 2.045 pessoas a partir de 16 anos, em 152 municípios, entre 8 e 13 de novembro.

Só 13% poupam regularmente

Dos 150 milhões de brasileiros a partir de 16 anos, 112 milhões (75%) declaram ter dívidas. Desses, 33% se consideram muito endividados ou endividados. Mais de 94 milhões (63%) dizem ter renda insuficiente para viver. Somente 13% da população afirmam que poupam com alguma regularidade, 34% poupam de vez em quando e 51% não guardam dinheiro. Dos que poupam, 69% juntam até R$ 300 por mês; 46% afirmam que juntam apenas quando sobra dinheiro, 25% reservam uma parte assim que recebem e 17% deixam de comprar alguma coisa para poupar.

O futuro é aqui e agora

Claudia Ricaldoni, vice-presidente da Anapar. FOTO: Divulgação

Com tantas incertezas, o brasileiro, quando junta, não pensa em longo prazo, mas em emergências ou na realização de um sonho, e posterga o planejamento do futuro, de acordo com o Instituto FSB. Perguntados sobre a principal finalidade do dinheiro poupado, 14% respondem que é para eventualidades, viagens (13%), casa própria (11%), educação dos filhos (10%), eletrônicos e eletrodomésticos (8%), carro ou moto (8%) e despesas com saúde (7%). O endividamento é determinante na equação do “desalento previdenciário”.

(Im)previvência total

Três em cada quatro brasileiros têm dívidas. Entre eles, 36% pagam empréstimos, 22% têm financiamento de automóvel e 9% têm financiamento imobiliário. Dos endividados, 54% são mulheres e 64% têm 45 anos ou mais. Entre os endividados, 68% são trabalhadores ativos, 21% são aposentados, 4% estão desempregados e 74% têm conta em banco. E 61% não contribuem para a Previdência Social, portanto, não guardam dinheiro para uma futura aposentadoria por meio do INSS e deixam de contar com benefícios como auxílio doença e aposentadoria por invalidez.

Liliana Lavoratti é editora de fechamento 

liliana@dci.com