Publicado em

O primeiro trimestre de 2019 deve ter sido, para a economia, tão morno quanto o último trimestre de 2018. Esse quadro, embora ainda não oficial, foi confirmado pelas últimas projeções do Banco Central na sexta-feira (29) e ontem, pelo mercado financeiro, no boletim Focus. Já se espera menos de 2% para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A previsão para 2020 também encolheu em quase um ponto porcentual, agora a 2,75%. Desemprego alto, investimento fraco e consumo idem atestam que a bolsa de valores e câmbio são sinalizadores frágeis do desempenho econômico, dada a volatilidade desses ativos.

‘Estado forte é vital para economia’

“A História já deixou mais do que evidente que um Estado forte é vital para uma economia pujante. Quando digo Estado forte, não digo necessariamente um Estado grande ou muito gastador”, afirma o economista-chefe da Análise Econômica Consultoria, André Galhardo. “Se o Estado não consegue ser um guia claro da direção que a nação deve seguir, a economia permanece fragilizada”, acrescenta. Segundo ele, os dados que o IBGE divulga hoje sobre a produção industrial de fevereiro vão comprovar novo recuo, como mostraram os indicadores antecedentes.

‘Sem mudança no horizonte’

“É importante ressaltar que até aqui, nenhum elemento aponta para uma mudança significativa na atividade econômica brasileira”, diz Galhardo. Ou seja, o primeiro trimestre de 2019 deve ter sido tão morno quanto o último trimestre de 2018. Pelo contrário, o nível de desemprego subiu fortemente na passagem de janeiro para fevereiro, de acordo com a Pnad Contínua do IBGE. “Em meio a tanta polêmica, está difícil ser otimista. Enquanto Paulo Guedes tenta resgatar a confiança do mercado dialogando com o Congresso, tem ministro perdendo tempo com burrices”, alfineta.

‘Governabilidade quase nula’

É o caso, segundo o economista-chefe da Análise Econômica, do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores), “que atribuiu o regime nazista às políticas de esquerda. Até autoridades alemãs o chamaram de desonesto”, afirma Galhardo. “Mas, apesar dos encaminhamentos e do apaziguamento temporário entre governo e Congresso, o grande problema é que o presidente Jair Bolsonaro não está governando o país. A governabilidade do presidente eleito é quase nula”, critica o economista. “Celebrar os 55 anos do início da ditadura militar é jogar a democracia às traças.”

Cenário externo com freio puxado

Com as declarações erráticas do presidente da República e de alguns ministros, novas instabilidades políticas se instalam no governo. “Tudo isto tem como pano de fundo a Inglaterra aguardando por uma crise pior do que a de 2008, Zona do Euro com números incertos e EUA e China desacelerando”, argumenta Galhardo. Esta semana especificamente será relativamente tranquila, com a divulgação de alguns indicadores de clima - os Índices de Gerentes de Compras, PMIs - e atenção ao resultado do desemprego nos EUA.

Reforma na OMC

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Câmara de Comércio Internacional (ICC) se reúnem hoje, em São Paulo, com organizações empresarias dos Estados Unidos, México, União Europeia e países do Mercosul para discutir e apontar um caminho comum aos seus respectivos governos para a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC). As entidades vão apresentar propostas para aprimorar a governança do sistema multilateral de comércio mundial. A guerra comercial entre Estados Unidos e China, o crescimento do protecionismo no mundo, e o aumento na concentração das exportações mundiais colocam em xeque a OMC, que perde força. A entidade é responsável por regulamentar e fiscalizar o comércio no mundo. Os prejuízos para o Brasil são milionários se a reforma da OMC não se concretizar.

Especialistas em inovação

Um dos temas mais polêmicos relacionados ao avanço da tecnologia, o futuro do trabalho será debatido no Brasil com participação de dois dos maiores especialistas internacionais no tema. A norte-americana April Rinne e o britânico Daniel Susskind virão ao país para falar sobre as tendências mundiais do trabalho. Empresária e advogada, Rinne é conhecida por ter desenvolvido estratégias e modelos de negócios para grandes multinacionais voltados para eficiência e sustentabilidade diante da nova economia global. Susskind, pesquisador da Universidade de Oxford, é conhecido por pesquisas que elaborou sobre o futuro do trabalho, as quais apontam que haverá mudanças significativas nesse campo, embora apontem que os robôs não exterminarão os postos de trabalho, mas serão instrumentos complementares e de apoio ao homem. Ambos participarão do 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, 10 e 11 de junho, em São Paulo, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Mercado íntimo e sensual

Feira idealizada, organizada e realizada por uma mulher, a jornalista e empresária Susi Guedes, que faz questão de contratar apenas mulheres para a sua equipe, A Intimi Expo - Feira de Negócios do Mercado Íntimo e Sensual da América Latina realiza sua quinta edição de cinco a sete deste mês, na capital paulista. “Eu acredito que o mercado erótico e sensual está em plena expansão. Nosso evento é um ótimo momento para as pessoas que pensam em ingressar na área possam conhecer as grandes marcas do mercado e participar das várias palestras programadas. E eu acredito a cada dia mais que o público feminino domine esse segmento”, afirma a empresária. A feira reúne marcas de vários países, como Alemanha, Estados Unidos, China, Rússia, Espanha, Japão e Canadá. Segundo Susi Guedes, o impacto para os expositores é expressivo, pois representa um volume de vendas de até quatro meses de produção das empresas, abastecendo o mercado para atender a demanda dos lojistas por até um semestre, em especial, o Dia dos Namorados, que é a data comemorativa mais importante para o segmento.

Formas, cheiros, músicas

Felippe Moraes: camas que emite sons harmônicos. (Foto: Divulgação)

 

 

 

Uma reunião de 29 peças, entre obras e instalações de Felippe Moraes, sendo 13 delas inéditas e criadas especialmente para a mostra Solfejo, que o público pode conferir as obras gratuitamente de amanhã (3) até o dia 30 de junho, no Centro Cultural Fiesp, na capital paulista. Redes de deitar que badalam sinos; camas com tubos que emitem sons harmônicos; um neon com um verso da música Divino Maravilhoso, de Caetano Veloso, e um cheiro de alecrim que remete à canção Tanto Mar, de Chico Buarque, integram a exposição. Felippe Moraes é um artista plástico, pesquisador e curador independente nascido no Rio de Janeiro, Brasil em 9 de julho de 1988. Atualmente é doutorando em Arte Contemporânea no Colégio das Artes na Universidade de Coimbra e possui um MA Fine Art pela The University of Northampton.

 

 Liliana Lavoratti é editora de Fechamento - liliana@dci.com.br