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A decisão do governo Bolsonaro de estabelecer um mecanismo de monitoramento e controle das Organizações Não Governamentais (ONG’s) é totalmente equivocada, afirma o advogado Rubens Naves, especializado em terceiro setor e sócio do escritório Rubens Naves Santos Jr Advogados, de São Paulo. Na avaliação dele, “o controle do governo sobre as ONG’s está para o terceiro setor como a censura para a imprensa”. “Já existem órgãos de controle como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, além de órgãos do Executivo como controladorias e comissões de avaliação. Então, que controle seria esse do governo?”, questiona.

‘Descentralizar sem sociedade civil’

Ainda na opinião do especialista, “na realidade, isso não passa de um controle político e ideológico, que cria uma sociedade de controle. Além disso, essa medida vai na contramão do próprio discurso do governo recém-empossado, que fala em descentralização. Como irá descentralizar sem contar com a sociedade civil? É um total contrassenso”. Para Rubens Naves, a medida provisória que passou para a Secretaria de Governo o monitoramento e coordenação de ONG’s causa preocupação e perplexidade. A medida foi uma das primeiras anunciadas pelo novo governo.

Quem está na mira

“Essa medida é uma verdadeira violação de direitos na medida que não é resultado de um diálogo democrático e que respeita o Estado Democrático de Direito”, afirma o sócio do escritório Rubens Naves Santos Jr Advogados. Para observadores atentos da cena em Brasília, ao colocar sob as asas do general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz o monitoramento das ONG’s, o governo estaria mais interessado em monitorar as organizações que atuam na área indígena. É público o plano de transformar reservas indígenas em áreas produtivas.

Radicalização ideológica enquanto ...

A radicalização ideológica de Bolsonaro previne corrosão política enquanto a economia não reage. A avaliação é de Alon Feuerwerker na Análise Conjuntura Política da FSB Comunicação. “Qual o desafio imediato de Bolsonaro? Inverter rapidamente as expectativas econômicas para impedir o surgimento de uma bolha de frustração que drene seu prestígio popular antes de o governo apresentar resultados. O instrumento à disposição é manter a luta ideológica bem aquecida e tentar despertar o chamado ‘instinto animal’ do empresariado”, comenta.

... a economia não reage

De acordo com Alon Feuerwerker, “quem pede moderação e conciliação no discurso bolsonarista pede que o novo regime abra mão de sua principal fonte de poder: a convicção popular, alimentada por anos, de que a solução para os principais problemas do país reside na eliminação de um pedaço da política. Ou da própria sociedade”. É esperado que os operadores encarregados de aprovar as coisas no Congresso peçam alívio no discurso. Mas, quando propõem a conciliação, governos nascidos de batalhas políticas radicalizadas acabam passando a ideia de fraqueza, diz.

Aristocracia em decadência

Na trama, uma família resiste em vender o seu jardim de cerejeiras, ao qual atribui valor afetivo, apesar de improdutivo nos últimos tempos.

Para celebrar quarenta anos de vida artística o Grupo TAPA estreia O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov (1860-1904), no próximo dia 10, às 20h30, no Teatro Aliança Francesa, em São Paulo, palco que foi residência artística do grupo durante os primeiros quinze anos de atividades na capital paulista. Com direção de Eduardo Tolentino de Araujo, o elenco é formado por Adriano Bedin, Alan Foster, Alexandre Martins, entre outros. Última peça escrita pelo dramaturgo russo, a trama é ambientada no início do século 20 em uma Rússia na iminência da revolução social. A peça conta as peripécias de uma família aristocrata em decadência, que resiste em vender o seu jardim de cerejeiras, ao qual atribui valor afetivo, apesar de improdutivo nos últimos tempos.

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