Publicado em

Um dos efeitos colaterais da crise desencadeada pelos sucessivos aumentos dos preços dos combustíveis, com inúmeros transtornos econômicos, sociais e políticos é o liberalismo econômico ter sido colocado em xeque. E mais: esse discurso pode perder espaço no debate eleitoral. “A política de reajustes adotada pela Petrobras, que levava em conta a variação do barril do petróleo no mercado internacional e a flutuação do dólar, vem sendo duramente criticada pela opinião pública. Políticos, inclusive aliados do governo, cobram a demissão do presidente da estatal, Pedro Parente, e defendem intervenção na definição dos preços”.

Crise dos combustíveis dificulta...

A avaliação é dos analistas da Arko Advice, consultoria baseada em Brasília. Eles ressaltam que no Congresso, até mesmo parlamentares simpatizantes da chamada economia de livre mercado advogam a mudança dessa fórmula – já alterada para atender reivindicação dos caminhoneiros e transportadoras e será mensal para o diesel, daqui a 60 dias. “A opinião corrente é que a crise dos combustíveis dificulta o avanço de outras propostas de cunho fiscal-desestatizante, como a privatização da Eletrobras e a Reforma da Previdência”, afirma a Arko.

...agenda fiscal-desestatizante

No caso da Eletrobras, lideranças partidárias acreditam que a sociedade faz uma associação entre o aumento dos combustíveis e a possível alta da energia com a privatização do sistema. E tal visão contamina também a discussão de outras propostas com o mesmo viés. A fixação de uma ideia negativa sobre o receituário econômico liberal acaba dando ênfase às narrativas contrárias, que prevalecem nesses momentos de indignação. Mas também não dá para afirmar que quem se opor a essa agenda ganhará favoritismo do eleitorado.

Presidenciáveis calibram o discurso

E nesse contexto, presidenciáveis mais distantes da doutrina liberal – Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Jair Bolsonaro (PSL) e Álvaro Dias (Podemos) – aproveitam a situação para culpar a atual política econômica pelo caos. Já os candidatos de centro à direita, terão dificuldade para abordar temas relacionados ao ajuste fiscal. “Calibrar o discurso na medida certa, tornando-o palatável à grande massa do eleitorado e à opinião, é um grande desafio: nem parecer um ultradefensor do livre mercado, nem se apresentar numa linha estatizante-populista”, diz a consultoria.

Liberais não terão como fugir

Ainda de acordo com a Arko, o tucano Geraldo Alckmin (PSDB) terá de se equilibrar bem nesse cenário. “Pedro Parente é um quadro historicamente ligado aos tucanos e integrou o governo FHC. Em 2006, quando disputou a eleição presidencial, Alckmin não soube lidar com o debate sobre privatizações e acabou abatido por Lula, do PT.” Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do MDB, bem como João Amoedo (Novo) e Flávio Rocha (PRB), os mais liberais na corrida presidencial, também não terão como fugir da pauta e sofrerão ataques.

Prejuízos nas exportações

São bastante expressivos os números das estimativas de perdas nas exportações do agronegócio, decorrentes da crise do combustível. Somente no setor de proteína animal, seriam US$ 350 milhões em embarques que deixaram de ser feitos nos primeiros oito dias da greve dos caminhoneiros, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) previu para o analista da GO Associados David Abreu. E a Associação Brasileira de Laticínios Viva Lácteos avaliou em R$ 510 milhões o prejuízo na cadeia produtiva no leite no País.

Empreendedorismo nas favelas

A metodologia para fomentar o empreendedorismo e a geração de renda nas favelas e comunidades de periferia, idealizada pelo gaúcho Vinicius Mendes Lima, foi escolhida como umas das três mais importantes e relevantes entre os países que fizeram parte da Reunião da Cúpula de Ministros de Juventude do G20, na Europa. Vinicius, da Besouro Agência de Fomento Social, com sede em Porto Alegre, mostrou resultados da metodologia que está sendo aplicada no Programa Inova Jovem, do governo federal, em mais de 80 cidades brasileiras. (Ver Plano de Voo de 24/05/2018;  www.dci.com.br/colunistas/plano-de-voo/besouro-voa-alto-em-negocios-nas-favelas). O objetivo da Reunião da Cúpula foi o de promover o intercâmbio de boas práticas em políticas públicas de juventude, no âmbito dos países do G20.

Aposta nos dentes brancos

Com investimento recente de R$ 2 milhões em novas máquinas, a Dentalclean quer ampliar a capacidade produtiva de sua fábrica em 40%, possibilitando a criação de novos produtos que incrementem o seu portfólio atual, como os itens Dentalclean inspiradas nas obras de Romero Britto, licenciamento que trará toda a cor e alegria das obras do artista para a higiene oral. A companhia 100% nacional, com sede em Londrina (PR), está há mais de 20 anos no mercado fabricando escovas, géis dentais, fios e fitas, antissépticos bucais e complementos, além de uma linha profissional completa. “Uma das nossas apostas é conquistar 6% do mercado de géis dentais especiais, que hoje representa R$ 1 bilhão em vendas por ano no Brasil”, diz Nelson Teixeira, sócio da empresa.

Crescimento internacional

A Full Gauge Controls, fabricante brasileira de soluções para refrigeração, climatização e aquecimento, segue reforçando sua presença no mercado externo - responsável por absorver mais de 50% da produção da empresa. Só nos primeiros quatro meses deste ano, a companhia avançou 14,5% nas exportações, em comparação ao mesmo período de 2017. De acordo com o gerente de exportação da marca, Rodnei Peres, a prospecção na América do Norte, América Central e Caribe, é uma das maiores razões deste resultado. “Por meio de exposição em feiras, visitas técnicas e palestras, os clientes do Caribe, por exemplo, passaram a conhecer o DNA da Full Gauge Controls, ou seja, viram que apresentamos alta qualidade, com a garantia de um suporte técnico qualificado e sempre à disposição”, ressalta. Entre os produtos mais vendidos lá fora estão os controladores de refrigeração e a linha específica para fornos, lançada recentemente.

Uso adequado dos recursos públicos

Em ano de eleições, um dos temas mais discutidos é sobre o uso de recursos públicos e como isso impacta no fornecimento de serviços prestados aos cidadãos. Para melhorar a gestão pública brasileira, empresas de tecnologia nacionais desenvolvem soluções digitais que auxiliam administradores a empregar recursos com mais eficiência. É o caso da plataforma Paradigma WBC Public, que tem o diferencial é ir além do processo de compras, em todas as modalidades eletrônicas e presenciais, realizando toda a gestão dos processos. O projeto da plataforma foi desenvolvido em 2000, dois anos antes do lançamento da lei 10.520/2002 de pregão eletrônico. “O uso da plataforma gera mais economia, além de auxiliar na boa aplicação de recursos públicos. Também fornece maior qualidade na gestão, agilidade e controle de todos os procedimentos realizados, de tal maneira que um terço do tempo gasto no processo tradicional ou presencial de compras seja reduzido”, afirma Gérson Schmitt, fundador da Paradigma Business Solutions e executivo especialista em compras.

Liliana Lavoratti é editora de fechamento

liliana@dci.com.br