Publicado em

Homem, branco, casado, católico e pai: esse e o perfil dos juízes brasileiros, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Dominado pelo perfil do cidadão que detém a maior parte da riqueza do País, o indicador aponta o abismo de representação entre as mulheres, que em termos de população já é maioria, mas entre os magistrados representam 37%. Outro dado alarmante é que, quanto mais alto o cargo, a incidência de mulheres diminui. “Mulheres e homens competem por meio de provas. No entanto, algumas progressões dependem de indicações”, diz a diretora do Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ, Maria Tereza Sadek.

Viva o Piauí!

Ainda mais marcante que quando comparado com mulheres, a discrepância entre a realidade brasileira e o perfil dos ministros, juízes e desembargadores salta aos olhos quando analisado o perfil étnico. Apenas dois em cada 10 magistrados são negros, ainda que a população preta ou parda também seja maioria por aqui. Dentro deste indicador, o estado com a melhor distribuição dos cargos foi o Piauí, onde 45% dos juízes são negros. Na outra ponta, Santa Catarina e Rio Grande do Sul aparecem com a menor proporção, já que 97% dos magistrados são brancos.

Famílias abonadas

Ainda que o processo para ingresso nesta carreira se dê por meio de provas, é nítido no estudo da CNJ como as famílias mais abastadas colocam com mais facilidade sua prole neste ramo. Cerca de 51% dos juízes têm pais com ensino superior e, destes, a atuação no direito é a mais comum. Quando analisado os cônjuges, 92% dos parceiros dos magistrados possuem ensino superior. A título de comparação, dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que 52% dos adultos brasileiros não têm diploma do ensino médio.

Justiça divina

Outro dado de comportamento dos juízes brasileiros diz respeito à religião. Na análise deste ano, 82% dos entrevistados se colocaram como católicos. Na sequência aparecem os espíritas, com 12,7% do total, os que se declaram sem religião (18,2%) e os evangélicos, com 6%. Na análise do Brasil como um todo, a proporção de católicos tem caído ano a ano e, em 2016, somava 56% da população, segundo dados do IBGE. As religiões de origem africana representam apenas 0,6% dos magistrados brasileiros, um pouco acima da religião Judaica (0,4%).

Mais perto da política do que se imagina

Antes de serem ministros, juízes ou desembargadores 67% dos entrevistados afirmaram ter exercido um cargo público. Entre os que participaram da vida pública a grande maioria (48%) tiveram cargos dentro do próprio Poder Judiciário. A segunda maior incidência se deu no Poder Executivo (25%), seguido por Ministério Público (13%). Bastante comum na política, a criação de “castas familiares” também é presente entre os magistrados, ainda que tenha diminuído nos últimos anos. Em 1990, 30% dos juízes tinham familiares em cargos similares, agora este número é 13%.

Paula Cristina é Editora Comércio e Serviços 

paulacs@dci.com.br