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A miscelânea de indicadores oficiais e não oficiais de inflação no Brasil não é novidade. Enquanto o indicador oficial de inflação – o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), do IBGE – alcançou o menor nível para os meses de novembro desde a implantação do Plano Real (-0,21%), indicadores mais direcionados mostram que a situação é um pouco diferente. O IPCA acumula alta de 4,05% nos últimos doze meses e, portanto, está quase 0,5% abaixo do centro da meta de inflação brasileira. O índice que mede a variação de preços para idosos (IPC-3i), do IBRE/FGV, havia alcançado em setembro 5,15% nos mesmos termos.

Atrás apenas da Venezuela, Argentina

Em setembro, o IPCA acumulado em 12 meses era 12% menor que os preços do grupo da terceira idade. As observações são do economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo. “A despeito da significativa queda da inflação mensal em novembro, e olhando nossos pares comparáveis da América Latina, o indicador anual da inflação no Brasil só não é maior que o da Venezuela, Argentina e Uruguai”, diz. Ou seja, na realidade, a média da alta – ou queda – dos preços, captada pelos índices, pode ficar longe da realidade, já que isso depende da cesta individual de consumo.

Governo mudava de indicador...

Além do IBGE, responsável pelos dados da inflação oficial do país, o Brasil tem diversas instituições competentes que realizam os mesmos cálculos, por produtos, por nicho, por faixa etária, etc. “Em outros períodos, o governo mudava o indicador oficial como se muda de roupa. Se um descontrole inflacionário vindouro tivesse suas causas no câmbio, abandonava-se o IGP-DI e partia-se para o IPC. Se as causas do descontrole inflacionário afetassem o IPC, migrava-se novamente aos indicadores de preços da Fundação Getúlio Vargas”, lembra Galhardo.

...como se muda de roupa

Além dessa dança das cadeiras entre indicadores oficiais e não-oficiais, o governo insistia em atribuir menos ou mais importância a alguns produtos sempre que isso se mostrava necessário para mascarar o resultado da inflação. “Apesar disso, a construção de variados indicadores, na realidade, é positiva uma vez que nos ajuda a ter uma ideia mais clara da real situação do país e do comportamento dos preços”, acrescenta o economista-chefe da Análise Econômica. Apesar de os números não serem mascarados, é bom relativizar a verdade embutida neles.

Inspiração pós-keynesiana

Será lançado hoje, em Brasília, o livro macrodinâmica pós-keynesiana (Alta Books), do professor do Departamento de Economia da UNB José Luis Oreiro. “A obra é um manual didático sobre as teorias de crescimento e distribuição de renda de inspiração pós-keynesiana, ou seja, as teorias elaboradas a partir dos trabalhos seminais dos discípulos diretos de Keynes, como Roy Harrod, Joan Robinson e Nickolas Kaldor”, conta o autor. Entre os temas abordados no livro encontram-se a relação entre a distribuição funcional da renda e crescimento econômico.

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