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O grande potencial da internet como gerador de renda para as classes C, D e E começa a despertar empresas e organizações do terceiro setor para fomentar o microempreendedorismo na era digital. A constatação é de Mauricio de Almeida Prado, diretor da Plano CDE, que há quase uma década faz pesquisa e consultoria voltadas a projetos de impacto social. “Muitas corporações veem o digital só como meio de comunicação e venda, mas não enxergam o usuário como microempreendedor. Ainda predomina a ideia de que negócio no ambiente digital é para a Amazon. Esse é um desafio para para Sebrae, por exemplo: dar suporte a essas iniciativas.”

120 milhões de brasileiros

Em torno de 120 milhões de brasileiros pertencem às classes C, D e E, observa Almeida Prado. “Podem ter ocorrido migrações de parcela dessas camadas sociais, da C para D e E e vice-versa, mas a essência do perfil dessa população permanece, e assim que a economia voltar a crescer, esse contingente da população, com muitas necessidades de consumo, voltará a ascender”, comenta. Esse contexto, junto com as inovações tecnológicas, cria oportunidades de ouro para as empresas e para microempreendedores, na avaliação do diretor da Plano CDE.

Boom em produtos e serviços

A primeira onda de bens e serviços para as classes C, D e E ocorreu de 2006 a 2012, período de boom de consumo, parte em decorrência das políticas distributivas de renda dos governos do PT. Essa fase foi muito bem aproveitada por grandes fabricantes de alimentos, que adequaram seus produtos para os consumidores emergentes. “Uma segunda onda, menos falada, é a de serviços, a partir de 2012, centrada na educação – com maior acesso a cursos universitários, principalmente – e saúde, com clínicas de consultas e odontologia populares”, diz Almeida Prado à Plano de Voo.

Ninguém sabe dialogar com eles

“Esses brasileiros sofisticaram sua cesta de compras e usam serviços que a tecnologia tornou acessíveis, como internet e smartphones. Wifi resolve a dificuldade de mobilidade de moradores da periferia: a Netflix proporciona lazer a custo baixo e a pesquisa na internet substitui a aula de reforço do filho”, explica o diretor da Plano CDE. Na atual etapa de transformações de comportamento, como as empresas vão lidar com esses consumidores? “Nem as corporações nem o governo sabem dialogar com esse público, mas o potencial de avanço desse mercado é imenso.”

Novos modelos de negócios

Na visão da Plano CDE, além de conhecer melhor esses 120 milhões de consumidores, outro desafio está na consolidação de modelos de negócios que atendam esse público. “Isso não é simples, é preciso uma parceria com ONG até a empresa ganhar fôlego e sobreviver. Talvez as microfranquias possam indicar caminhos”, ressalta Almeida Prado. Ao mesmo tempo, lembra, é necessário avançar em formas de inclusão de microempreendedores nessa nova onda de serviços e produtos voltados para as camadas de renda menor.

Não é só o brasileiro de camadas mais baixas de renda que está mudando hábitos. Quem frequenta a Greenlife, rede de academias cearense com cinco unidades em Fortaleza, mais do que praticar atividades físicas, está embarcando em um conceito que tem conquistado cada vez mais adeptos no mercado fitness: o da Trilha da Experiência. Projeto arquitetônico, design, aroma, cores, temperatura, iluminação e som são adequados a cada modalidade de exercício. “Na Greenlife, desenhamos um projeto exclusivo, com foco no conforto da família. Todas as idades são atendidas com o mesmo cuidado. Colocamos os óculos do cliente da academia para entender seus desejos. E aí, criamos o projeto para surpreendê-lo”, comenta Patricia Totaro, fundadora do Patricia Totaro Arquitetura de Resultados, e criadora do conceito da Trilha da Experiência para o universo fitness e de bem-estar.

... também em A e B

A Greenlife adota o posicionamento de “academia- clube”, com diferenciais para brigar com o segmento low-cost, em franca expansão também no Nordeste. A rede reúne variedade de espaços e atividades para atender toda a família: lounge, SPA e área infantil integram ambientes modernos e sustentáveis ao mesmo tempo, com aproveitamento racional de água e iluminação natural. Móveis feitos a partir de pneus e pallets fazem parte do projeto.

Investimentos em transportes

Os investimentos federais em transporte, o que inclui recursos para rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias, caíram 15,5% no ano passado na comparação com 2016. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em números do Siafi, mostra que o governo federal destinou R$ 9,42 bilhões ao setor, em 2017, contra R$ 11,15 bilhões no ano anterior. A queda em relação à média anual observada nos últimos 11 anos (R$ 14,2 bilhões) foi ainda mais expressiva, chegando à casa de 33,6%. A CNI defende mais investimentos da iniciativa privada na gestão da infraestrutura como caminho para a recuperação da economia e para a retomada da competitividade dos produtos brasileiros.

Cargas em ferrovias crescem

A movimentação de mercadorias nas ferrovias, em janeiro de 2018, foi de 42,1 milhões de toneladas úteis, valor 4% superior ao verificado no mesmo mês de 2017. Na comparação entre janeiro deste ano e o começo de 2016, a elevação no movimento de cargas pelo modal ferroviário chegou a 12%. O levantamento foi feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). De acordo com os dados, o minério de ferro responde por 82% do total movimentado nas ferrovias brasileiras. Os números mostram também que a produção agrícola, com exceção da soja, foi a que apresentou o maior crescimento na movimentação de mercadorias, com alta de 50% de 2017 para 2018, enquanto o transporte ferroviário de carga não conteinerizada registrou retração de 26% no mesmo período.

Rede de franquias...

As redes de franquia de alimentação estão em um constante crescimento no Brasil. Segundo a mais recente pesquisa da ABF (Associação Brasileira de Franchising) as redes passaram por um processo de internacionalização, cerca de 200 redes internacionais já vieram para o Brasil. Desse total de marcas estrangeiras, 40% vieram dos Estados Unidos e 15% fazem parte do setor de alimentação, um desses casos é a Pizza Studio, que terá sua primeira unidade em Recife em junho. A rede californiana tem como sua master franqueada no Brasil o Grupo Drumattos, que detém as redes Camarão & Cia, Camarada Camarão e Recife’s Seafood.

...aposta no casual dinner

“Estávamos estudando as possibilidades de internacionalizar nossas marcas, enquanto isso conhecemos algumas franquias americanas. Nos deparamos com a Pizza Studio, que trazia o conceito de fast casual, com toda a rapidez de um fast food e os serviços de um casual dinner, assim começamos as negociações para trazer a rede para o Brasil” explica Raphael Mattos, gerente de novos negócios do Grupo Drumattos, que estudou por anos o processo de internacionalização das redes de franquia. “O fast casual já é uma tendência nos EUA. Os consumidores procuram pratos mais elaborados ao invés do tradicional fast food, essa tendência chegará ao Brasil com muita força”, finaliza Mattos.

Liliana Lavoratti é editora de fechamento

liliana@dci.com.br