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Passado o Carnaval, período mais festivo do calendário brasileiro, a visão de ruas, praças e avenidas é a mesma: sobra lixo espalhado. Já em casa, e curtindo uma ressaca, pouco são os que pensam no rastro de plástico, latas e dejetos que acompanharam os blocos. Mas essa falta de consciência não é fruto de Carnaval. Segundo um estudo da WWF e preparado com dados do Banco Mundial, o Brasil produz anualmente 11,3 milhões de toneladas de lixo plástico, e desse volume, muito pouco é reciclado. Com esse número alarmante, o País figura em 4º lugar entre as nações mais poluentes do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia.

Já gastou sua cota hoje?

Na divisão por pessoa, cada cidadão brasileiro produz um quilo de lixo plástico por semana, em média, enquanto na Indonésia essa é a produção a cada 10 dias e no Senegal, a cada 25 dias. A maior parte desse lixo é descartada de forma irregular. "É hora de mudar a maneira como enxergamos o problema. O próximo passo para que haja soluções concretas é trabalharmos juntos por meio de marcos legais que convoquem à ação os responsáveis pelo lixo gerado", afirmou Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, por meio de nota.

Números vergonhosos

Ainda que produção, e descarte, do plástico se dê em ritmo industrial, quando o assunto é reciclagem a gente age como artesão: só 1,28% do plástico descartado é reciclado, muito abaixo da média mundial (9%). Nos Estados Unidos, maior produtor mundial de lixo plástico, a reciclagem é de 34,6%. Na China, de 21,9%. No Brasil, segundo dados do Banco Mundial, mais de 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular em lixões a céu aberto. Outros 7,7 milhões de toneladas vão à aterros sanitários e mais de 1 milhão de toneladas nem são recolhidas.

É tão estranho...

Um estudo divulgado ontem pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) aponta que a metade das mortes de jovens entre 10 e 24 anos em países do continente americano ocorre por causas evitáveis. As três principais são os homicídios, os acidentes de trânsito e os suicídios. O estudo mapeou a saúde dos jovens das Américas entre 2010 e 2018 e mostrou que a taxa de mortalidade de jovens na região é maior entre os homens. Os homicídios matam a cada ano mais de 45 mil jovens entre 15 e 24 anos nas Américas. A maioria dos casos envolve armas de fogo.

... os bons morrem jovens

Outro dado mostra que a taxa de suicídios vem aumentando em toda a região e as mortes também atingem, principalmente, os jovens do sexo masculino. São cerca de 12 mil mortes por suicídio a cada ano na faixa etária entre 15 e 24 anos. Em relação ao trânsito, os condutores jovens têm até dez vezes mais probabilidade de se envolver em acidentes que os adultos. Aproximadamente 30 mil jovens de 15 a 24 anos morrem a cada ano no trânsito nas Américas. Por fim, o alto índice de jovens grávidas colocou a América Latina e o Caribe no topo da lista de mães entre 15 e 19 anos.