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Dizem que para bom entendedor meia palavra basta. Na toada de que precisamos entender o contexto mundial para anteciparmos problemas e oportunidades em um futuro próximo, um sinal do Banco Central norte-americano, o FED, precisa ser visto com muita atenção: não haverá novos aumentos de juros em 2019. O posicionamento da última ata do órgão foi clara, e os sinais já eram aventados antes. Diante disso, o mundo todo precisa se reorganizar, e o Brasil, mais do que nunca, deve estar preparado para evitar que tal postura dos EUA não reverbere negativamente por aqui. O alerta é do Julio Lage, sócio do grupo Belvedere Capital.

Fluxo começa nos EUA

O especialista, que também é CEO da Belvedere Capital Advisors, alerta que o posicionamento norte-americano não é sem motivo. O Fed enxerga no momento uma desaceleração econômica, menor pressão inflacionária e a economia saudável, com expectativa de crescimento neste ano de cerca de 2%, dados que sustentam a decisão com relação aos juros. Neste cenário positivo, ganha força também a estabilização das relações entre EUA e China. O ambiente para negócios tende a melhorar dentro da maior economia mundial, mas não necessariamente para outras nações.

Mas movimenta o mundo todo

Na economia real, a ata do Fed pode ser revertida em condições melhores de negócios no mundo todo, mas é preciso é cautela. Ainda que o Banco Central dos EUA indique ainda inflação sob controle – o que norteia parte da decisão com relação ao juros – já dizia minha avó que o seguro morreu de velho. Ainda não ficou claro na decisão quais fatores externos estão dirigindo essa calmaria. Pode ser só um erro momentâneo, e que nas próximas reuniões pode ser revisto, ou então – e mais grave! – a pressão do presidente Donald Trump na condução dessa perspectiva positiva.

E o Brasil?

Nesse momento, a decisão do Fed é positiva para o País. Mas há condições delicadas que precisam estar alinhadas para garantir que tiremos o melhor proveito possível do atual cenário. A primeira, e mais importante delas, é a aprovação da reforma da Previdência. A estimativa de Julio Lage é que só com tal movimento macroeconômico seja possível reduzir mais a nossa taxa básica de juros, a Selic. “Alguns especialistas já projetam algo abaixo de 6% ao ano”, conta ele, atrelando tal movimento como necessário para não haver um desbalanceamento com as projeções dos EUA.

Criando oportunidades

Firmadas as mudanças aventadas pelo governo federal brasileiro – reformas, redução de gastos e forte processo de privatização, o País poderia aproveitar o posicionamento norte-americano para atrair mais investimento internacional. Isso porque com os juros baixos em solo norte-americano, investidores de todo o mundo procurariam outras nações para colocar seu capital e as privatizações se tornariam interessantes para diversos investidores. Diante de tantas tensões e oportunidades o Brasil pode vender botes salva-vidas, ou ser levado pela maré. /Agências

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