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O peso argentino recuava 3% ontem, enquanto o risco-país subia para níveis não vistos desde 2005, depois que o governo anunciou planos de refazer o perfil de US$ 100 bilhões das dívidas, deixando investidores avaliando quais dificuldades eles podem enfrentar. As últimas angústias do país, afetado pela recessão e inflação, começaram quando o presidente Mauricio Macri sofreu uma derrota esmagadora nas eleições primárias de 11 de agosto, nas mãos do peronista populista Alberto Fernández. Isso preocupou os investidores, que temem que o retorno da esquerda possa levar outra reestruturação da dívida na terceira maior economia da América Latina.

Reformulação da dívida da Argentina

Uma reformulação da dívida já era esperada quando o Ministro da Fazenda, Hernán Lacunza, disse na quarta-feira que o governo quer estender os prazos de vencimento de sua dívida com credores privados e com o Fundo Monetário Internacional (FMI), como forma de assegurar a capacidade de pagamento. O peso argentino abriu em queda de 3%, a US$ 59,9, nesta quinta, tendo perdido 24,3% de seu valor desde a derrota de Macri nas eleições primárias. Os spreads da Argentina sobre os Treasuries, que medem o risco de default, aumentaram 172 pontos-base, para 2.244.

Governo britânico desafia rivais do Brexit

Enquanto isso, no Reino Unido, o governo do primeiro-ministro Boris Johnson desafiou oponentes da separação britânica da União Europeia no Parlamento a derrubarem o governo ou mudarem a lei se quiserem impedir o Brexit. Mais de três anos após o referendo, o Reino Unido ruma para uma crise constitucional grave e um confronto com a UE, prevista para daqui a 63 dias. Em sua manobra ousada como premiê, Johnson enfureceu os opositores de um Brexit sem acordo ordenando a suspensão do Parlamento durante quase um mês.

‘Ultraje constitucional’

O presidente da câmara baixa do Parlamento, John Bercow, disse se tratar de um ultraje constitucional, já que limita o tempo que a sede de 800 anos da democracia inglesa tem para debater e ajustar o curso da história britânica. Mas Jacob Rees-Mogg, defensor do Brexit a cargo dos assuntos do governo no Parlamento, desafiou os oponentes a darem tudo de si. “Todas estas pessoas que estão rangendo dentes sabem que há duas maneiras. Uma é mudar o governo, e a outra é mudar a lei. Se fizerem uma destas, isso terá um efeito. Se não tiverem a coragem sairemos em outubro”.

A Itália e a União Europeia

Mas não é só a Grã Bretanha que tem dificuldades na Europa. Na Itália, o presidente Sergio Mattarella pediu nesta quinta-feira ao premiê Giuseppe Conte que lidere uma coalizão formada pelo Movimento 5 Estrelas e o Partido Democrático, de centro-esquerda, em um gesto que pode ser um ponto de inflexão nas relações fragilizadas do país com a União Europeia. Ele autorizou Conte a formar um gabinete menos de uma semana depois de o premiê renunciar em reação a uma decisão do partido Liga, de extrema-direita, de desfazer sua coalizão com o 5 Estrelas. /Agências

 

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