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Duas semanas depois de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) trocar o comando do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sob alegação de que o órgão manipulava a divulgação de dados sobre o desmatamento, a triste realidade ambiental se impôs. O total de focos de queimadas no Brasil atingiu na última semana o recorde dos últimos sete anos, com 72.843 pontos registrados pelo Inpe, entre janeiro deste ano e a última segunda-feira, 83% acima em relação a igual período de 2018. O levantamento do Inpe, feito diariamente por satélite e divulgado ontem, mostra que só entre o domingo e a segunda-feira, foram 1.346 novos focos no país.

Em cinco dias, 9,5 mil novos focos

Desde a última quinta-feira (15), são 9.507 novos pontos de queimada, de acordo com a Reuters. Imagens de Roraima mostram o Estado coberto por fumaça escura. O Estado do Amazonas decretou situação de emergência na região sul e na zona metropolitana de Manaus por causa das queimadas. E o Acre instituiu estado de alerta ambiental a partir da última sexta-feira. Desde janeiro, Mato Grosso foi o Estado que mais acumulou focos de incêndio, com 13.682 pontos, 87% acima do registrado no mesmo período de 2018. Os focos vêm aumentando também no Pará e no Amazonas.

No ‘dia do fogo’, alta de 300%

Dos 10 municípios com maior número de registros este mês, quatro são no Pará, inclusive os campeões, Altamira e São Félix do Xingu, e Novo Progresso, onde fazendeiros marcaram 10 e 11 de agosto como o “dia do fogo”, para início das queimadas. O Inpe mostrou, nesses dias, alta de 300% nos focos de incêndio em Novo Progresso e de 743% na região de Altamira. O “dia do fogo” foi revelado pela “Folha do Progresso”. Ao conversar com fazendeiros da região, o jornal teria ouvido que precisavam “mostrar ao presidente Bolsonaro que querem trabalhar e o único jeito é derrubando”.

‘Capitão motosserra e agora Nero’

Questionado sobre o aumento das queimadas, o presidente Jair Bolsonaro reclamou de estar “sendo acusado de ser Nero”, comparando-se ao imperador romano que teria posto fogo em Roma. “Era o capitão motosserra e agora o Nero, tocando fogo na Amazônia. É época de queimada por lá”, disse em entrevista ao sair do Palácio da Alvorada na manhã de ontem, ainda de acordo com a Reuters. O presidente lembrou ser época de queimada, mas, apesar do início da seca no Norte e Centro-Oeste, a quantidade de focos de incêndio não é natural, segundo o Inpe.

‘Fogo é ação humana’

O pesquisador Alberto Setzer, coordenador do grupo de monitoramento de queimadas do Inpe explica que não há nada de anormal no clima deste ano. Na região amazônica, a previsão de chuvas neste trimestre está um pouco abaixo da média, mas nada anormal. "Todos os anos há alterações. Não é nada fora do padrão”, garantiu. “É comum se ouvir dizer que clima causou as queimadas. Não é bem assim. A seca cria condições favoráveis ao uso do fogo e à propagação, mas quando se inicia o fogo é a ação humana, seja de propósito, seja por descuido.”

Lições da Austrália

O economista australiano Gary Banks apresentará a representantes da indústria e do governo brasileiros os impactos positivos do aumento da produtividade no crescimento econômico e na competitividade da Austrália. O tema será discutido em mesa-redonda que ocorre hoje na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. Gary Banks liderou a Comissão de Produtividade da Austrália entre 1998 e 2012 e, atualmente, preside o Comitê de Política Regulatória da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE). A Comissão da Produtividade é um órgão consultivo do governo australiano que propõe políticas públicas e regulamentações que promovam o crescimento econômico. As propostas da Comissão ajudaram a colocar a Austrália no terceiro lugar do ranking Competitividade Brasil 2018-2019. Na lista, organizada pela CNI que compara o Brasil com 17 países de economia similares, a Austrália está atrás apenas da Coreia do Sul e do Canadá. O Brasil está em penúltimo lugar, só à frente da Argentina.

Reforma da Previdência e tributos

Os aspectos tributários da reforma da Previdência, as alterações na tributação da folha de pagamentos, mudanças no eSocial, decisões da Justiça e a tecnologia aplicada no compliance e na fiscalização tributária serão abordados por Pedro Ackel e Leonardo Mazzillo, sócios do WFaria Advogados, nesta sexta-feira (23), em São Paulo, em evento gratuito (eventos@wfaria.com.br). Ackel é coordenador da área de Direito Previdenciário e Mazzillo é especialista em Direito Tributário, Previdenciário e Trabalhista e no WFaria coordena as áreas de Consultoria Tributária e Human Capital.

Reflexão sobre cultura do excesso

Começa hoje, em São Paulo, e vai até domingo (25), a SP-Foto 2019, que se consolidou como o mais importante evento dedicado ao trabalho fotográfico no Brasil. Com o conceito “Colírio para um mundo em excesso”, definido pela Vivo, que patrocina o evento pelo quinto ano consecutivo, a mostra propõe a reflexão sobre a cultura do excesso e a importância dos momentos que nos permitem enxergar as coisas como elas realmente são. Durante o evento, de hoje a domingo (25), no Shopping Iguatemi, serão realizadas visitas guiadas com quatro roteiros temáticos. Neste ano, as visitas contarão com uma novidade: um tradutor de libras estará à disposição durante todo o evento para acompanhar visitantes com deficiência auditiva. Cada grupo terá até 10 pessoas e as inscrições devem ser realizadas no local do evento.

Ucranianos e poloneses no Paraná
Legenda: Senhoras Avelina e Lídia Marszal, filha e neta de imigrantes poloneses, Rio do Banho, Cruz Machado, PR, 1986. Foto: João Urban.

Uma homenagem do fotógrafo paranaense João Urban às suas raízes. É assim que O Museu Paranaense, em Curitiba, recebe, a partir de amanhã (22), a mostra fotográfica "Aproximações - ucranianos e poloneses nas fronteiras agrícolas do Paraná", com imagens de descendentes de imigrantes poloneses no Paraná - em Cruz Machado, Araucária (Colônia Tomás Coelho) e São José dos Pinhais (Colônia Murici) - e dos descendentes de imigrantes ucranianos nas cidades de Irati, Mallet, Prudentópolis, Antônio Olinto e seus arredores entre 1979 e 2016. Nascido em Curitiba (1943) e descendente de poloneses, Urban passou a infância e juventude no Campo da Galícia, atual bairro Mercês, quase região central da capital paranaense. O nome fazia referência à Galícia Oriental, importante região sob domínio do Império Austro-Húngaro, de onde vieram muitos imigrantes poloneses e ucranianos.

 
Liliana Lavoratti é editora de Fechamento - liliana@dci.com.br