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Enquanto discussões acaloradas sobre sim ou não à Reforma da Previdência ganham espaço do Congresso Nacional às mesas de bar, uma verdade inconveniente foi lançada ontem: 6 em cada 10 brasileiros não se preparam para a própria aposentadoria. Os dados são da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Banco Central (BC) e mostram que o despreparo para o futuro não é uma questão de negligência de uma sociedade inconsequente mas, principalmente, porque os problemas que dizem respeito ao pagamento da luz, água, aluguel, cartão de crédito acaba mitigando planos que ultrapassem o médio prazo.

Ricos se preparam mais

A pesquisa da CNDL mostrou algo óbvio: com mais recursos, as pessoas das classes A e B se preparam mais, e melhor, para a velhice. Segundo o estudo 55% dos indivíduos que compõem essas classes sociais têm projetos para se garantir financeiramente quando não for mais possível trabalhar. Indicador que, apesar de alto, poderia ser maior, já que, em teoria, seria mais fácil para essa parcela da população direcionar recursos que visem o complemento financeiro para acompanhar o nível atual de vida para depois dos 60, ou 70 anos.

Enquanto isso, na base da pirâmide...

Entre os brasileiros com menos recursos disponíveis, a situação é preocupante. Cerca de 36% dos que não se planejam não o fazem por não sobrar dinheiro, ao passo que 18% credita à falta de emprego tal situação. Para 17%, não vale a pena guardar o pouco dinheiro que sobra no fim do mês. Outro dado interessante é que 39% dos entrevistados disseram que conseguiriam arcar com gastos imprevistos equivalentes ao ganho mensal, sem recorrer à ajuda de terceiros ou empréstimo. O tempo médio dos entrevistados para manter o padrão de vida sem emprego é de cinco meses.

O seguro morreu de velho...

A pesquisa da Confederação também identificou os meios mais comuns que os brasileiros se preparam para a aposentadoria. São eles as aplicações financeiras (42%), principalmente a previdência privada (20%), e outros ativos financeiros, como ações, títulos ou fundos (20%). Para 35%, os recursos do INSS servirão de renda e 16% dizem que dependerão de terceiros, tais como cônjuges, filhos ou outras pessoas da família. Já 37% dos pesquisados disseram que, ao se aposentar, pretendem continuar ativos no mercado de trabalho para garantir recursos mensais.

...mas o velho morreu seguro?

Na possibilidade de virem a enfrentar algum problema financeiro, 47% garantem que cortariam despesas desnecessárias, ao passo em que 33% avaliariam quanto ganham e gastam para decidir o que fazer – proporção que salta para 48% nas classes A e B. Já 13% reconhecem que não saberiam por onde começar e teriam medo de encarar a situação. “Manter reserva financeira é fundamental em qualquer etapa da vida, pois imprevistos podem acontecer a qualquer momento”, disse o chefe do departamento de promoção da cidadania financeira do Banco Central, Luis Mansur. /Agências

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