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O avanço da demanda de serviços de saúde e, ao mesmo tempo, a maior oferta de profissionais da área, principalmente médicos, tornam o mercado de clínicas populares um novo filão de negócios atrativo para investidores nacionais e estrangeiros. Algumas empresas emergentes já ganharam recursos de empresários bem-sucedidos em outras áreas – como Elie Horn (fundador da incorporadora Cyrela) e  Roberto Justus (publicidade e comunicação). Esse caminho também está sendo trilhado pela GlobalMed,  que conversa com fundos de investimento nacionais e estrangeiros para injetar R$ 20 milhões no próximo ano.
 
Expansão com investidores
“Em 2018, seremos mais agressivos nos planos de expansão, com 30 novas unidades no Sudeste e Nordeste. Até 2021, queremos 135 unidades em operação, entre próprias e franqueadas”, afirma o CEO da clínica, Bruno Carvalho.  Em dois anos e meio de existência, a GlobalMed implantou dez unidades – a maioria na capital paulista e algumas no interior do estado –, sendo duas próprias e oito franquias. “É melhor ter um dono do que um gerente”, diz Carvalho, administrador de empresas que entrou no mercado de saúde depois de conviver com vários familiares atuantes na área.  
 
Crescimento anual de 130%
Com faturamento de R$ 9 milhões neste ano e crescimento de 130% em relação a 2016, a GlobalMed tem uma carteira de mais de 15 mil pacientes, cerca de quatro mil atendimentos ao mês por 200 médicos, informa o CEO. As consultas de 30 especialidades e realização de exames custam de R$ 55 (sessões de fisioterapia) a R$ 140 (psiquiatria e geriatria). Uma característica do modelo de negócio da GlobalMed é o foco na gestão dos serviços, com ferramentas de controle de qualidade, que resultam em bonificação aos médicos, além da triagem com caráter preventivo.
 
Famílias desembolsam mais que o governo
Para amenizar a lacuna de procedimentos complexos, como cirurgias, não cobertos pelo atendimento ambulatorial das clínicas populares, a GlobalMed negocia com hospitais parceiros descontos “expressivos” nos valores cobrados de pacientes particulares. “O panorama da saúde no Brasil é de uma deficiência atroz. As famílias gastam mais com saúde do que o governo”, sublinha o CEO da GlobalMed, citando dados do IBGE. Enquanto as famílias gastaram R$ 227 bilhões (4,3% do Produto Interno Bruto), os governos investiram na área R$ 190 bilhões (3,6% do PIB).
 
71% esperam em filas ou pagam
Na avaliação de Carvalho, a tendência é a popularização dos serviços à saúde no Brasil. “Existe uma falta de opção de medicina de qualidade para população das classes C, D e E”, ressalta. Ele cita que planos de saúde atendem 24% da população, especialmente das camadas de renda A e B; a capacidade do Sistema Único de Saúde é para 5% dos brasileiros. “Ou seja, 71% da população, ou 143 milhões de pessoas ainda esperam na fila do SUS ou usam recursos próprios para ter acesso aos serviços de saúde”, conclui.
 
Juros menores, novos projetos
A redução da taxa básica de juros, a Selic, a 7% ao ano, se refletirá diretamente no custo de capital das empresas que operam no Brasil, avalia Mauricio Carvalho, sócio da Condere –  assessoria independente e acionista brasileira do Global M&A. “O que vejo de interessante nisso é a rapidez com que as taxas de juros caíram e o possível impacto na atividade de negócios e de investimentos”, enfatiza. Estudos na Condere mostram diversos setores da economia com ROIC [na sigla em inglês, Return Over Invested Capital, ou retorno sobre capital investido] entre 8% e 12%, o que provavelmente passa a viabilizar novos projetos com a nova taxa”, argumenta. Carvalho lembra que, como geralmente os processos de orçamento e planejamento das empresas são anuais, vários projetos que no ano passado não faziam sentido estão sendo aprovados agora para serem executados em 2018/2019. “Acredito que, se o governo não atrapalhar, podemos ter um bom 2018”, comenta.
 
Guerra aos hackers
O mercado de segurança da informação cresce vertiginosamente, com investimentos cada vez maiores das empresas para combater o ataque dos hackers. Em 2014, esse mercado avançou 6%, em 2015 a taxa passou para 7%, em 2016 chegou a 8% e, atualmente, representa cerca de 10% do orçamento de TI de uma companhia. A Real Protect, empresa especializada em segurança da informação, por exemplo, criou uma ferramenta de monitoramento e análise de dados que coleta informações nos sistemas de seus clientes em tempo real e detecta os riscos iminentes de forma preventiva, segundo Daniel Lemos, CEO. Para dar suporte à Equipe de Segurança, a empresa tem um time interno focado em desenvolvimento de pesquisas de inteligência em segurança, oSecurity Red Team. “A idéia é estar cada vez mais preparado para essa guerra diária com os hackers”, acrescenta Lemos.

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