Publicado em

Passadas duas semanas desde o rompimento da barragem de Brumadinho (MG), as investigações começam a expor as digitais da tragédia que ceifou a vida de centenas de pessoas, além de rios, fauna e flora por onde avançaram os mais de 11 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério. “Uma barragem como a de Brumadinho não vem abaixo repentinamente. A ruptura ocorre por uma soma de fatores”, afirma Lucas Tatibano, arquiteto e sócio-diretor da Tequipe Engenharia Inteligente. Todos os fatores já estavam há muito tempo dando sinais, e poderiam ser detectados caso os instrumentos estivessem em perfeito estado de funcionamento”, ressalta.

‘Rejeito e água se misturaram...’

Um dos fatores que contribuíram para romper a barragem é que a construção foi feita pelo método a montante – proibido em diversos países – no qual os novos diques ficam sobre o rejeito já sedimentado no lado interno da mesma, segundo Tatibano. “Outro fator é que o rejeito já sedimentado, mesmo em barragens inativas como em Brumadinho, pode voltar a se movimentar através de um processo conhecido como liquefação, quando o rejeito se mistura com a água iniciando um movimento contínuo, similar a um organismo vivo.”

‘...como um organismo vivo’

Ainda de acordo com o sócio-diretor da Tequipe Engenharia Inteligente, “liquefação é provocada por trepidações que, no caso da Vale, podem ser provocados por explosões para a extração de minério ou mesmo pelo trânsito de máquinas pesadas nas proximidades da barragem”. O fluxo contínuo criado pela liquefação é considerado danoso quando o mesmo alcança uma camada superior formada por material mais coesivo, a qual tem característica impermeável, e se apresenta como uma placa de bloqueio, impedindo o avanço dos materiais em processo de liquefação, diz.

Liquefação e drenagem

“Ao tentar transpor essa placa de bloqueio e não conseguir, o material em liquefação inicia um novo processo de sedimentação, podendo originar vazios. Devemos levar em consideração que a maioria das barragens rompidas, segundo estudos recentes, estava em avançado processo de liquefação”, sublinha Tatibano. “Também se destaca a tentativa recente de uma drenagem forçada do maciço, através da execução de drenos horizontais profundos, os quais se demonstraram ineficazes e comprovaram eventual falência do sistema de drenagem interna dos diques.”

‘Tábua sobre bolo de chantilly’

Para o especialista, “a ruptura nos indica movimentação abrupta, para baixo, da placa de bloqueio impermeável no interior da piscina de lama, devido ao excesso de vazios causado pela liquefação, o que alterou a linha freática e pressionou contra a face interna do dique, que já estava frágil”. “Esse movimento da placa de bloqueio corresponde à colocação de uma tábua sobre um bolo de chantilly, onde a massa em liquefação foi esmagada empurrando o dique a partir da sua base e desmoronando os diques superiores construídos a montante, e que usavam o próprio rejeito como fundação.”

Mais dois milhões de brasileiros...

Tornar-se microempreendedor individual (MEI), de forma fácil e rápida, obtendo o CNPJ e garantindo formalidade, estabilidade e uma série de benefícios. Essa é uma saída para os brasileiros que não conseguem recolocação no mercado de trabalho, após perder o emprego, ou para os profissionais que deveriam ingressar o mercado. O número de novos CNPJs de microempreendedores cresceu 18% em 2018, aponta pesquisa da MEI Fácil, plataforma digital para quem já é ou quer se tornar um microempreendedor individual. No total, foram cerca de dois milhões de cadastros feitos, recorde absoluto no setor, se comparado aos 1,7 milhão de novos cadastros abertos em 2017.

...se tornam microempreendedor individual

Além de ter o CNPJ, o MEI garante benefícios ao microempreendedor, como, por exemplo: ampliar as formas de pagamento e recebimento, maior chance de se conseguir um empréstimo, emissão de notas fiscais, contribuição para o INSS de forma simples, entre outras vantagens. “Tornar-se microempreendedor individual tem sido uma tendência no País”, afirma Rodrigo Salem, sócio fundador da MEI Fácil. "Muitos trabalhadores acabam perdendo possibilidades de negócio por não serem regularizados. Emitir nota fiscal e oferecer outras formas de pagamento são pontos importantes para que o serviço se torne atrativo, alcançando mais consumidores", afirma.

Investimento colaborativo

Renata Monteiro, presidente da Apsis Consultoria: aposta no segmento de equity  crowdfunding com o lançamento da Capta (Foto: Divulgação)
 

equity crowdfunding, nova forma de captação de recursos financeiros regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliárias, começa a decolar no Brasil. Uma empresa pode obter recursos vendendo participação para centenas de pequenos investidores pessoa física. O aporte mínimo em uma nova empresa ou projeto pode ser de apenas R$ 500,00. Esta modalidade de investimento movimentou US$ 2,5 bilhões no mundo em 2017 e estima-se que mais de R$ 60 milhões já tenham sido levantados no Brasil. Com o objetivo de fomentar o empreendedorismo brasileiro, a Apsis Consultoria – que tem 40 anos de experiência em análise de empresas e investimentos no mercado nacional – está lançando a Capta no próximo no próximo dia 19, na Fábrica de Startups, no Rio de Janeiro. A nova empresa do grupo vai atuar em equity crowdfunding, inicialmente em projetos imobiliários, de sustentabilidade, tecnologia e mineração.

‘Banco’ para baixa renda

Formas inovadoras e tecnologias que proporcionam um melhor atendimento às pessoas de baixa renda ou pouco assistidas pelo mercado financeiro tradicional no Brasil. Esse tema será debatido hoje, em Haia (Holanda) , na  Cúpula Global de Fintechs de Impacto. Participam do evento mais de 50 presidentes e fundadores de empresas que fazem parte dos portfólios do Accion Venture Lab, Quona Capital, FMO e Catalyst Fund, juntamente com mais de 200 investidores, além de empreendedores e líderes que trabalham para acelerar a inclusão financeira. O CEO da fintech brasileira Jeitto, Adriano Duarte, participa do debate. O Jeitto é uma carteira digital para compras e pagamentos, que além da função pré-pago, provê de forma única uma linha de crédito disponibilizada no aplicativo.  Com isso, a fintech está transformando a experiência financeira das pessoas, não apenas pela conveniência de sua plataforma, mas, principalmente, por prover crédito a uma parcela da população pouco assistida pelo mercado financeiro tradicional.

*Liliana Lavoratti é editora de fechamento

liliana@dci.com.br