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Enquanto a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro (PSL) fala muito de reformas estruturantes como a saída para destravar a economia, pouco se fala sobre a retomada dos empregos. Mais do que a consequência natural da maior confiança dos empresários, o retorno do emprego passa pela geração de vagas que se enquadrem à maior parte da população: a mais humilde e com menos instrução. Na “era petista”, o fomento do emprego se apoiou na construção e, hoje, o que se vê são muitos canteiros: mas todos vazios. Nos últimos quatro anos, o setor perdeu quase 4 milhões de postos e não é por falta de projetos, já que são 14,4 mil obras públicas paradas.

 

R$ 144 bi aprovados, mas não aplicados

 

Dentro das quase 14,5 mil obras públicas paralisadas em todo o território nacional, o Conselho Nacional de Justiça em parceria com os Tribunais de Contas da União, dos estados e dos municípios sugerem um valor global estimado de R$ 144 bilhões nos canteiros que deveriam estar em atividade neste momento. A estimativa, ainda preliminar, irá balizar um mapeamento mais assertivo sobre o tamanho do problema que o País enfrenta na construção, e para só então desenvolver  políticas públicas para tentar destravar pelo menos uma parte delas.

 

Construtores formam bloco parlamentar

 

A crise na construção não atingiu apenas o ente público. Entre as empresas privadas, o cenário de demissões, cancelamento de obras e postergação de projetos também é uma realidade. Para tentar mudar esse quadro negativo, ontem a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) foi a Brasília lançar, junto com 200 parlamentares, o projeto “Construção: 1 Milhão de Empregos Já”. O objetivo é formar uma frente parlamentar  que destrave medidas de fomento para que o setor volte aos números pré-crise.

 

‘Não estamos de pires na mão’

 

Durante o encontro que aconteceu em um hotel na capital federal, o presidente da CBIC, José Carlos Martins, explicou que o setor da construção trabalha em alternativas que permitam ao capital privado suprir o investimento público nessas obras, explicou. De acordo com ele, o capital privado só não está mais presente neste mercado por conta da insegurança jurídica. “Não estamos de pires na mão, não estamos pedindo benesse. Precisamos de segurança jurídica, crédito e planejamento. Sinalizamos nosso interesse em fazer parte da solução e não do problema”, destacou.

 

Concessões: a luz no fim do túnel

 

Um estudo divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a construção civil ainda não encerrou o ciclo negativo, mas sinaliza que as concessões formam um dos pilares que irá sustentar a retomada. “As concessões podem gerar um novo fôlego para o investimento em infraestrutura”, dizia o relatório. Além desse processo, eles citam que as reformas estruturantes, a manutenção da taxa de juros, a inflação sob controle e outras medidas macro econômicas vão garantir que haja sustentabilidade na reação do setor.

 

Troca de lixo eletrônico

 

A Secretaria de Telecomunicações do Ministério da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações decidiu agir contra as cerca de 1,5 milhão de toneladas de lixo eletrônico acumulado por ano no Brasil, o sétimo maior produtor de resíduos do mundo. O órgão faz a troca de resíduos eletrônicos por credenciais para a 12° edição da Campus Party São Paulo,  de 13 a 16 de fevereiro de 2019 no Expor Center Norte, em São Paulo. A campanha de arrecadação de resíduos eletrônicos é fruto de uma ação realizada pelos Centros de Recondicionamento de Computadores do MCTIC. Todo resíduo arrecadado será utilizado como insumo para a formação de jovens e posteriormente serão doados a Pontos de Inclusão Digital, como bibliotecas, escolas públicas e telecentros. Cada eletroeletrônico doado será trocado por uma credencial que permite o acesso a um ou mais dias de evento.

 

Brasil contemporâneo no palco

Legenda: A peça faz crítica ao contexto democrático brasileiro atual (Foto: Divulgação/Vitor Vieira)

Nova montagem do grupo Tablado de Arruar, com direção de Clayton Mariano e do próprio autor, faz crítica ao contexto democrático brasileiro atual. Elenco traz André Capuano, Alexandra Tavares, Gabriela Elias, Ligia Oliveira e Vitor Vieira. “Pornoteobrasil”, o novo espetáculo, tem texto do dramaturgo Alexandre Dal Farra, e estreia em 21 de fevereiro na Oficina Cultural Oswald de Andrade, onde segue em cartaz até 6 de abril. O espetáculo se passa no Brasil contemporâneo, no cenário de um acidente ou atentado – não é possível afirmar ao certo. É neste espaço de destruição e catástrofe que a peça se dá. O cenário devastado, de acordo com Clayton Mariano, é uma metáfora para a situação sociopolítica brasileira atual. “O acidente é tanto uma referência mais direta à greve dos caminhoneiros de 2018 como também a imaginação de um desastre na estrada, no qual vários caminhões tombam e derrubam seus produtos na pista. E, como a peça começa com essa imagem, é como se no Brasil já vivêssemos nessa tragédia antes mesmo do recente avanço da direita”, explica.

*Liliana Lavoratti é editora de fechamento

liliana@dci.com.br

Colaborou: Paula Cristina