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Único projeto concreto apresentado pelo governo, nos dois primeiros meses do mandato, e cantada em prosa e verso como “a” saída para todos os males do Brasil, a reforma da Previdência corre risco de ser “desidratada”, ou até mesmo não ser aprovada no Congresso Nacional, como já admitem alguns analistas atentos aos movimentos em Brasília. O que não dá para entender é: se esse projeto é tão importante para o governo e para o País, por que tanto desencontros no discurso e nas ações, dentro do próprio governo, que só prejudicam o processo? O alto escalão do governo passa recado atravessados à sua também confusa base na Câmara e no Senado.

Integrantes do primeiro escalão...

Em meio ao mutirão feito por iniciativa do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) – que ganha ares de primeiro-ministro face ao vazio na articulação do Palácio do Planalto –, para tentar abrir caminho e reduzir a resistência à reforma no Congresso, os ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia), também deram sua colaboração, ontem, à piora do quadro já bastante confuso. Disseram que a economia de, no mínimo, R$ 1 trilhão em dez anos é “cláusula pétrea da reforma da Previdência”.

...se contradizem o tempo todo

Ou seja, enquanto uns puxam para um lado, os outros para o outro. A baixa disposição dos dois ministros em negociar alterações no texto original da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) foi enfatizada um dia após o esforço concentrado, anteontem (26), com reuniões nas duas Casas e em várias comissões; no Alvorada, com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seus líderes no Congresso; do ministro da Economia, Paulo Guedes, com os presidentes da Câmara e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), entre outros interlocutores do governo no Legislativo.

Agora vai?

A falta de coordenação na articulação política do governo também fica evidente quando, um dia após o presidente reconhecer a legitimidade dos congressistas em fazer alterações na proposta, Lorenzoni e Guedes praticamente desautorizam Bolsonaro. Cobrado anteontem à noite no jantar com parlamentares governistas para ser mais atuante na defesa da reforma, o presidente, eleito com ajuda das redes sociais, disse que fará sua parte. Escalando o filho problema Carlos Bolsonaro para ajudá-los a fazer vídeos que serão postados após o Carnaval. Agora vai.

GM sem incentivo fiscal no RS

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou ontem que não pretende dar novos incentivos fiscais para a General Motors (GM) de Gravataí (RS). O governo articula uma solução de logística para ajudar a empresa, viabilizando o uso do Porto de Rio Grande, informou a Agência Estado. A GM negocia tanto com o governo de São Paulo quanto com o do Rio Grande do Sul uma saída para a empresa voltar a lucrar. Há algumas semanas, a empresa enviou uma carta aos funcionários das fábricas informando que sairia do País caso não revertesse os prejuízos.

Os dois lados da moeda...

Haraly Rodrigues, sócia do escritório Roncato Advogados Associados (Foto:Divulgação)
 

“Não há como negar a necessidade latente de fazer uma reforma Previdenciária. Em 2008, o sistema previdenciário possuía um déficit de R$ 77 bilhões e a projeção para este ano é de fechar com um vultuoso rombo de R$ 292 bilhões”, avalia Haraly Rodrigues, sócia do escritório Roncato Advogados Associados. Mas diversos pontos da proposta chamam atenção e dividem opiniões. “Questões como o aumento da idade mínima para mulher se aposentar, antes de 60 anos e na proposta 62 anos, o aumento do tempo mínimo de contribuição, que passaria de 15 para 20 anos, ou ainda o fim da aposentadoria somente por tempo de serviço, antes concedida após 30/35 anos de contribuição, geram grande discussão por conta de dificultarem o acesso à aposentadoria”, diz a especialista.

...das mudanças na Previdência

Por outro lado, para Rodrigues, as mudanças pretendidas podem equilibrar as contas da Previdência Social, dando segurança para a população. “É importante conhecer a proposta do governo e acompanhar a discussão a respeito do tema”, ressalta. “Ainda não há grandes certezas sobre o assunto. A proposta apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro terá longa tramitação no Congresso Nacional, o que poderá acarretar em muitas mudanças na proposta original”, finaliza.

Expectativa dos executivos financeiros

O mais recente levantamento do índice iCFO Saint Paul Escola de Negócios e Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (IBEF), com mais de 100 executivos de empresas nacionais e multinacionais, antecipa o sentimento de melhora na economia. Para eles, a projeção de crescimento neste ano deve alcançar 2%, mas ainda esperam uma leve alta na Selic. A expectativa média dos CFOs, quanto às variáveis macroeconômicas para os próximos 12 meses, é de inflação de 4,1%, câmbio a R$ 3,90, Selic 6,9%, e PIB de 2 %. Ou seja, eles esperam aumento da Selic em 0,4 pontos percentuais. “Além de representar importante indicador antecedente para a atividade econômica, na análise com indicadores macroeconômicos selecionados identifica-se relação direta entre a evolução do índice e o investimento produtivo – principal motor de crescimento econômico”, afirma Eliane Teixeira dos Santos, professora da Saint Paul.

Gerenciamento de risco

A BBM Logística investiu cerca de R$ 2 milhões na modernização da estrutura de gerenciamento de risco em 2018. Os recursos serviram para implantar um centro de monitoramento próprio na sede da empresa, em São José dos Pinhais (PR), reforçar a equipe com profissionais especializados e agregar a tecnologia que permite controle total sobre toda a frota, 24h por dia e sete dias por semana. Hoje, esse sistema, que envolve rotas mais seguras, pontos de parada pré-determinados, protocolos para toda a atividade e monitoramento permanente,  acompanha a movimentação de R$ 800 milhões em cargas todos os meses e, recentemente, somente em uma intervenção recuperou R$ 900 mil em eletrônicos roubados em Itatiba (SP). “A central detectou a ocorrência imediatamente e, com as nossas informações, a polícia rapidamente interceptou o caminhão”, explica  André Prado, CEO da BBM.

Década do Divino Maravilhoso

Musical reúne teatro, documentário e música. O título traz uma interrogação porque propõe questionamentos sobre as dualidades do período, uma década de incertezas (Foto:Divulgação)
 

Depois do sucesso de 60! Década de Arromba - Doc. Musical, que apresentou Wanderléa à frente do elenco, estreia em 16 de março, 21 horas, no Theatro Net São Paulo, o espetáculo 70? Década do Divino Maravilhoso - Doc. Musical, nova produção que faz parte da tetralogia do idealizador, produtor e diretor Frederico Reder e do roteirista, dramaturgo e pesquisador Marcos Nauer. Desta vez a dupla leva para o palco momentos marcantes dos anos 1970 em acerca da política, moda, comportamento, esportes e artes em geral. Esses itens são embalados por mais de 250 músicas brasileiras e internacionais, divididas em duas partes, como num disco de vinil, em lado A (1970-1976) e lado B (1977-1979) – muitas das músicas são apresentadas em pequenos fragmentos. As Frenéticas Dhu Moraes, Leiloca Neves e Sandra Pêra são as três cerejas do musical, no bloco dedicado à febre das discotecas, fenômeno que estourou nas pistas de todo o mundo há exatos 40 anos. E cantora Baby do Brasil apresenta sucessos como “Brasileirinho”, “Menino do Rio”, “Lá vem o Brasil Descendo a Ladeira”, “Aquarela Brasileira”, entre outros sucessos da década.

 

Liliana Lavoratti é editora de Fechamento- liliana@dci.com.br