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Não apenas de manchetes preocupantes vive o Brasil. O mercado de celulose nacional tem dado, repetidamente, motivos para orgulho e otimismo: nosso país é o maior exportador de celulose do mundo e o segundo maior produtor, atrás apenas dos Estados Unidos. Na produção de celulose de fibra curta de eucalipto estamos na liderança e temos matéria-prima renovável.

Os índices de exportação de celulose aumentaram nos últimos anos em razão da alta demanda por parte da China (que recebeu mais de 40% de celulose do Brasil em 2018), dos EUA e da Europa, tendo como destino fabricantes de tissue (papel higiênico, toalhas e lenços de papel, guardanapos). A perspectiva é que o cenário continue competitivo e conte com a grande capacidade produtiva brasileira.

A comparação dos resultados de 2018 e 2017 é inequívoca. A quantidade de produtos exportados oriundos da indústria de papel e celulose cresceu 25,5%, totalizando US$ 10,7 bilhões. Já as exportações de celulose e papel subiram, respectivamente, 31,5% e 8,3%, contribuindo para o saldo positivo de US$ 9,7 bilhões, quase 30% maior que o do ano anterior.

Os números de produção de celulose também impressionam, com 21 milhões de toneladas fabricadas em 2018, 7,5% acima de 2017 – a fábrica da subsidiária brasileira do grupo chileno CMPC, em Guaíba (RS), por exemplo, da qual sou diretor-geral no Brasil, registrou recorde histórico de quase 1.9 milhão de toneladas.

O ano de 2019 tem sido desafiador para este mercado, após um período de alta demanda no mercado internacional em outros anos. A redução do crescimento das economias globais, principalmente da China, tem levado as empresas a buscarem alternativas para o destino dos seus produtos.

O Brasil deve continuar destino para os investimentos estrangeiros no setor. Condições naturais altamente propícias e expertise na elaboração de fibra curta de eucalipto nos tornaram uma potência mundial. Atualmente, dos quase 10 milhões de hectares de florestas plantadas no território nacional, 75,2% são de eucalipto, cujo principal diferencial é atingir a maturidade em apenas sete anos.

O crescimento econômico, porém, não pode vir às custas de danos ambientais. A sustentabilidade é especialmente importante no universo da celulose, que se vê diante de duas grandes tendências: a substituição do plástico pelo papel no setor de embalagens e a contínua expansão do mercado de reciclagem, que deve valer US$ 55 bilhões até 2025 no mundo, de acordo com a Mart Research.

É fundamental que as empresas continuem alinhando suas atividades a esse movimento global de consciência ambiental, representado, inclusive, pelo rigor maior das legislações. Na CMPC, investimos em reflorestamento, reaproveitamento de resíduos, iniciativas de valor compartilhado ligadas à cultura, educação, geração de renda e economia circular, além de parcerias com entidades de assistência social, programas de desenvolvimento e capacitação de pessoas.

Temos uma janela de oportunidades com o cenário atual de juros e inflação baixos, mão-de-obra capacitada e disponibilidade industrial. A partir das reformas, o Brasil pode entrar em um novo ciclo de crescimento. Por tudo isso, apesar das incertezas, é justificável a confiança na força econômica do segmento de papel e celulose e nos benefícios que ele proporciona ao País.

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