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São Paulo - As maiores varejistas do comércio eletrônico aproveitaram a recessão para ganhar mercado, aumentando a concentração no setor. As cinco que mais faturaram, entre elas B2W, Via Varejo, Magazine Luiza e Privalia, passaram a responder, ao final do ano passado, por quase 52% de toda a receita bruta do e-commerce. Em 2015, a fatia era de 48%.

Os dados foram divulgados ontem pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e englobam o estudo "70 Maiores Empresas do E-commerce Brasileiro". As cinco primeiras do ranking faturaram juntas R$ 23,067 bilhões em 2016, ou 15,3% a mais do que o montante registrado um ano antes. A tendência, segundo o presidente da SBVC, Eduardo Terra, é que o movimento de ampliação da distância entre as grandes e pequenas também ocorra ao final deste ano, mas estabilize a medida em que a crise chegue ao fim.

"O efeito pós-crise deve fazer com essa calda longa do e-commerce comece a andar mais forte. Tem também o movimento das grandes tirarem o pé da operação de varejo e acelerarem o marketplace, o que acaba jogando dinheiro para os pequenos vendedores e diminui o tamanho das grandes como varejistas", afirma.

On-line x físico

A concentração no comércio virtual fica ainda mais em evidência quando comparada com o cenário do varejo físico. Segundo outro estudo da SBVC, que mediu as 300 maiores do comércio como um todo, a fatia das cinco maiores, em relação ao faturamento total, era de 28,6% em 2016 - quase metade da participação registrada no e-commerce.

Para Terra, a concentração superior no varejo virtual ocorre pela dificuldade maior de se tornar grande no setor, ultrapassando a barreira do R$ 1 bilhão. Ele explica que apesar da relativa facilidade de entrada, o ganho de escala necessário para crescer se torna um limitador para muitas empresas.

"Para ficar grande se demanda muita escala e no e-commerce isso é ainda mais caro. É preciso investir basicamente em tecnologia, ter muito fluxo de caixa, e muito investimento em marketing. Foram poucas as empresas que tiveram capital aberto, fundos de investimentos ou que eram de grupos maiores e tiveram fôlego para ganhar essa escala e se tornar grandes."

Apesar da excessiva concentração, Terra afirma que o cenário não é um problema estrutural, já que não inibe o desenvolvimento das empresas pequenas. De acordo com ele, o crescimento das maiores do setor não está vindo em cima das companhias de menor porte e sim do varejo físico. "A concentração só é um problema estrutural quando inibe o crescimento das pequenas."

Se ampliado para as dez maiores do ranking, o grau de concentração sobe ainda mais, para mais de 60% do faturamento total. De acordo com o estudo, as dez maiores faturaram R$ 26,717 bilhões (Veja no gráfico), com um crescimento, em relação a 2015, de aproximadamente 5,18%. As 70 companhias analisadas no levantamento da SBVC faturaram juntas R$ 33,584 bilhões no ano passado, o equivalente a 75,6% do faturamento total registrado no comércio eletrônico - que totalizou R$ 44,4 bilhões, segundo dados da E-bit.