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O Grupo Peixoto , um dos maiores atacadistas do País, sediado em Uberlândia (MG) pretende elevar para 350 o número de lojas de sua rede associativista Valor e ultrapassar o faturamento de R$ 1 bilhão em 2006. Até o ano passado, o grupo contava com 240 lojas e havia faturado R$ 774 milhões com os pontos-de-venda. Também estão entre os planos da empresa ampliar o número de cartões private label, que passarão dos atuais 30 mil para 50 mil cartões e a ampliação dos supermercados que agem como correspondente bancário. Hoje, são 47 e até o final de 2006 este número deve atingir 100 unidades. "O correspondente bancário é importante porque aumenta o fluxo de clientes na loja e fornece uma renda extra para o varejista", diz Rafael Francalancci, gerente de operações da rede Valor.A Peixoto tem parceria com a Caixa Econômica Federal para financiamentos de equipamentos e com o Unibanco , para atuar como correspondente bancário e nos cartões private label. No entanto, diz estar aberta a discutir com outras instituições financeiras. "Conversaremos com qualquer instituição financeira que tenha produtos ou serviços que melhorem os ganhos e diminuam as despesas das nossas lojas", afirma Francalancci.A empresa irá priorizar o sul de Minas, em cidades como Varginha, Pouso Alegre e Alfenas, na abertura das novas lojas. "É uma região muito rica e que cresce bastante", afirma Nilton Peixoto de Sousa Jr, diretor executivo da rede Valor. O faturamento da empresas atacadistas sediadas em Minas Gerais correspondeu a 35,6 % do faturamento do setor atacadista em 2006. (veja boxe). O executivo não revela quantas lojas serão integradas à rede na região, mas afirma que a maior parte dos novos supermercados da bandeira estarão naquele local. "É um lugar estratégico onde ainda não temos uma forte presença e é uma região geograficamente próxima da área em que atuamos", comenta.A Valor também investirá na modernização das lojas, renovação dos equipamentos e trabalhará a operação de maneira a ajudar o varejista no que ele precisar. "O modelo de negocio ainda não está maduro, por isto além de negociar e comprar bem o varejista precisa ter uma boa gestão", explica Sousa Jr.Atualmente, a rede Valor possui 240 lojas e faturou R$ 774 milhões em 2005. As lojas estão localizadas no Triângulo Mineiro, na Grande São Paulo, região de Campinas, Ribeirão Preto e Vale do Paraíba. No total são 677 check-outs (caixas) em lojas de vizinhança que vão de 2 a 5 check-outs. Criada em 1999, a rede Valor tinha como proposta para fidelizar os clientes da empresa. "A rede surgiu para resolver as carências do pequeno e do médio varejista, pois ele utiliza a estrutura comercial já existente da empresa atacadista. Além disso, toda a parte de logística e grandes volumes negociados com as indústrias são revertidos em benefícios para as lojas", comenta Sousa Jr.O executivo acredita que os modelos de lojas no estilo Smart ou Valor serão uma tendência para as empresas atacadistas distribuidoras saírem do 'circulo vicioso' da cotação de preços. "O caminho do atacado é a prestação de serviços, seja atuando em gestão de lojas especializadas ou com lojas fidelizadas".Segundo a empresa, o principal benefício deste modelo de negócios para o Peixoto e para os varejistas é aumentar a lucratividade através da fidelização. "O Peixoto tem um compromisso com os varejistas e eles com o Peixoto. O compromisso é o fortalecimento da rede, aumento da venda da loja, modernização da loja e atualização dos conhecimentos", argumenta Francalancci.O sistema da Rede Valor funciona da seguinte maneira, a Peixoto tem um contrato com os varejistas onde os dois lados têm direitos e obrigações. No contrato, os pequenos e médios varejistas tem direito ao uso da marca Valor e ao uso do cartão mais Valor (private label). Além disso, existe uma quantidade de tablóides, jornais com ofertas, destinada aos varejistas, que também podem participar de campanhas promocionais feitas ao longo do ano pela rede. Os comerciantes também tem o direito de utilizar a central de compras e distribuição da Valor. "Os supermercadistas podem utilizar um programa de treinamento para os seus funcionários. Fazemos também o projeto de layout da loja quando ela entra na rede, tudo para modernizar o estabelecimento", afirma Francalancci.As obrigações que os varejistas tem de cumprir vão desde o pagamento de uma taxa mensal ao Peixoto, até a compra obrigatória de produtos que fazem parte de ações promocionais e tablóides. "Uma campanha como a da Copa Junina tem mais de 5 mil itens. É claro que os varejistas não vão comprar todos, mas tem uma cota para comprar", comenta Francalancci.Na rede Valor, o desafio, segundo o Sousa Jr., é fazer com que a área de compras da empresa aproveite a diversidade regional na escala de compras. Para isto, a Valor aproveita o mix de maneira adequada e conta com fornecedores regionais e nacionais.São três os modelos de fornecimento na rede Valor. No primeiro, a indústria fatura diretamente para as lojas itens básicos, commodities e produtos perecíveis. No segundo, a indústria fatura via Peixoto, que forma um estoque e repassa para as lojas, itens de marca própria, bazar e produtos de menor giro como calçados e utilidades domésticas. Geralmente são produtos que oferecem uma margem de rentabilidade maior para os varejistas. O terceiro modelo é o de refaturamento. O Peixoto tem uma filial ou um centro de distribuição em cada região, que é operada por um comprador. O operador compra diretamente da indústria itens já vendidos para as lojas e repassa imediatamente aos varejistas que solicitaram os produtos. "A diferença para o faturamento via Peixoto é que não há compra e armazenamento, pois neste modelo só compramos o que os lojistas pediram", explica Francalancci.Atualmente, a Peixoto Atacadista, que possui 45 anos de mercado, conta com 90 mil clientes cadastrados, sendo que, deste montante, 45% dos clientes é composta por supermercados. O grupo negocia com 145 indústrias de todos os tamanhos, tem 1.200 representantes comerciais e cinco gerentes comerciais pelo Brasil, além de quatro centros de distribuição.