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Os atacadistas registraram recuo de 4,60%, em termos nominais, nas vendas acumuladas de janeiro a maio, sobre um ano antes. Com o resultado, os empresários trabalham com a perspectiva de que a retomada, tão esperada para 2018, fique para 2019.

Os dados são da pesquisa mensal da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (ABAD). “A greve dos caminhoneiros prejudicou o desempenho do setor atacadista e distribuidor em maio assim como outros setores da economia. Mas ninguém foi mais prejudicado do que a população, que é quem sempre paga a conta da instabilidade política e econômica”, afirma o presidente da ABAD, Emerson Destro. Para ele, com o desemprego em alta é difícil pensar no crescimento do consumo ainda neste ano.

“Começamos o ano com boas expectativas em relação à retomada econômica, mas o nível de desemprego continua alto e não há tempo para reverter essa situação com um cenário de eleições que vai tomar todo o segundo semestre. Portanto, 2019 será mais um ano de resiliência”, avalia.

E os supermercados?

Enquanto os atacadistas ainda patinam, o faturamento real dos supermercados no estado de São Paulo no conceito de todas as lojas apresentou alta de 10,13% no mês de maio ante igual período de 2017. Este saldo fez o acumulado de 2018 chegar a 5,66% de crescimento em relação a 2017.

Já no conceito de mesmas lojas – que contabiliza apenas operações com mais de um ano –, o resultado de maio de 2018 foi 7,65% superior ao mesmo período de 2017, o que fez o acumulado do ano chegar a um crescimento de 3,88%.

“Como o setor supermercadista trabalha com estoques de até 15 dias, em média, maio não ficou necessariamente comprometido com os onze dias de paralisação dos caminhoneiros”, explicou o economista da entidade, Thiago Berka, pontuando que a histeria para abastecimento dos lares em maio ajudou no crescimento das vendas.