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São paulo - O Brasil é a nova mina de ouro das maiores grifes de luxo do mundo, e a Rua Oscar Freire, na capital paulista, tornou-se o metro quadrado mais disputado do País para abertura de lojas voltadas para a alta renda, como Gucci e Sephora, dentre outras, que chegam com planos ousados ao País.

A tendência é explicada no resultado do estudo da Excellence Mistery Shopping, pelo qual a Rua Oscar Freire é cotada hoje como a oitava via mais luxuosa do mundo em termos de varejo, ficando à frente, inclusive, da Avenue des Champs-Élysées em Paris. Há dois anos as marcas Louis Vuitton, Chanel, Hermès, Burberry, Louboutin, Carolina Herrera e Marc Jacobs nem pensavam em marcar presença em terras tupiniquins e hoje já disputam o metro quadrado de uma das ruas mais luxuosas do mundo.

Segundo o designer de consumo Maurício Queiroz, atualmente São Paulo concentra 66% do varejo de luxo no Brasil, e o momento agora é de abrirem-se cada vez mais lojas. "Em 2015 com certeza teremos outras marcas, mas o momento será mais da expansão destas que chegaram nos últimos anos do que da vinda de novas grifes", enfatiza Queiroz.

Para deixar a moda das brasileiras com ar mais europeu, a Le Lis Blanc acaba de inaugurar no Brasil a sua sétima loja aberta este ano. A nova loja fica na cidade paulista de Sorocaba (SP). Com isso, a grife de roupas femininas premium atingiu 64 unidades no País, das quais 54 são próprias e dez são da marca Bo.Bo..

O número representa aumento de 12% sobre as lojas com que a rede encerrou dezembro de 2010. A empresa ampliou sua área de vendas total de 17.993 metros quadrados para 19.763 m². Das sete lojas inauguradas neste ano, quatro são unidades próprias, e três são conversões de lojas licenciadas. A companhia anunciou ter encerrado 2010 com receita líquida de R$ 351,1 milhões, 31,3% maior que a de 2009. O lucro líquido consolidado ficou em R$ 37,1 milhões - um salto de 458%.

Outra líder no mercado da alta renda, a marca italiana de bolsas, acessórios e roupas Gucci, controlada pelo grupo PPR, vai inaugurar mais quatro lojas no Brasil. A rede possui uma unidade no Shopping Iguatemi, em São Paulo. Segundo a empresa, o objetivo é levar a marca a outros estados, como Brasília e Rio de Janeiro, além de inaugurar mais uma loja na capital paulista, desta vez no Shopping Cidade Jardim. No ano passado, a grife registrou faturamento de mais de 2,6 bilhões de euros e vive hoje um de seus melhores momentos. A rede afirma que os preços no Brasil são 50% mais altos na comparação com os dos Estados Unidos.

De acordo com o designer de consumo Maurício Queiroz, este tipo de medida - os preços mais altos - não impede que o brasileiro faça compras aqui. "Quem consome neste tipo de mercado não está necessariamente preocupado com o preço. Quem compra hoje nos pontos de luxo do País procura um bom atendimento munido com a segurança de ter a possibilidade de efetuar trocas caso seja necessário", explica Queiroz. E lembra que um dos pontos negativos de se fazerem compras fora da terra natal é que não se podem efetuar trocas, e que compras por impulso ou necessidade não são feitas, o que muda com a vinda dessas lojas. "A chegada de marcas juntamente com a possível isenção de impostos na época das Olimpíadas e da Copa Mundo pode mudar este cenário."

Na área de perfumes isso parece realidade, pois o Brasil já ganhou o posto de segundo maior consumidor do mundo de perfumaria de luxo. Isso atraiu a tradicional marca francesa de cosméticos Sephora, que chega ao Brasil em março de 2012. A empresa dará início à abertura de suas 16 lojas planejadas para o eixo Rio-São Paulo durante os dois anos seguintes. Em seguida, a marca pretende atingir o número de 50 lojas em todo o País em um prazo entre cinco e oito anos. Hoje a empresa francesa fundada em 1969 conta com lojas em 13 países. Nos Estados Unidos ela tem mais de 275 pontos de venda.

Especiarias

Na área alimentícia também há espaço para o glamour. A Petrossian - responsável por 20% do mercado mundial de caviar - inaugurou ontem sua primeira loja na América Latina. Localizada no Shopping Cidade Jardim, a loja terá os mesmos produtos disponíveis na Europa: peixes defumados, várias versões de foie gras, patês, blinis, azeites, temperos, chás, bolos, chocolates, geléias e biscoitos. No espaço também haverá um pequeno restaurante. A loja também atenderá todo o mercado latino: restaurantes poderão encomendar os produtos Petrossian para usá-los em seus pratos.

O otimismo dessas empresas vem dos números do setor de luxo no País, que em 2010 teve alta de 22% em comparação ao ano anterior, o dobro do crescimento do varejo. A expectativa é o Brasil, em 2025, ter 6% do mercado global, que chega a US$ 63,5 bilhões.