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São Paulo - O menor poder de compra do brasileiro, em especial dos consumidores da classe C, pode ajudar o segmento de brechós a deslanchar. Além das lojas estarem com um bom nível de profissionalização, empresários do segmento contam agora com plataformas virtuais capazes de ampliar a visibilidade e as vendas.

"Segundo dados do Sebrae, os brechós no Brasil saltaram de cerca de 4 mil para mais de 11 mil, em cinco anos. Cerca de 80% das lojas on-line de roupas e acessórios usados ainda estão baseadas em blogs ou sites institucionais, sem a integração de um meio de pagamento", disse a sócia fundadora do Brechó Market, Raquel Braga.

Percebendo a necessidade de um canal virtual de compras mais completos, Raquel lançou recentemente o Brechó Market, um marketplace voltado exclusivamente para quem atua com a venda de itens usados. "Eu e meu sócio [Fábio Motta] identificamos essa demanda e começamos a planejar um marketplace que trouxesse facilidade e segurança para os compradores, e fornecesse toda a estrutura de venda on-line necessária para os vendedores", disse ela. O investimento na criação da plataforma foi de R$ 300 mil e hoje conta com mais de 50 brechós ativos. Até dezembro, o número deve chegar a mil lojas distintas.

E-commerce

Para o presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), Maurício Salvador, a relação do e-commerce com a venda de itens usados é antiga. "O e-commerce tem muita afinidade com a venda de produtos usados. Grandes marketplaces como o e-Bay e o Mercadolivre entraram no setor vendendo justamente itens de segunda mão", disse.

Para ele, em momentos de arrefecimento da economia, os marketplaces e os brechós são grandes aliados. "O empresário conseguirá se aproveitar do tráfego de pessoas na plataforma de marketplace, além de economizar com publicidade paga", declarou. Nas plataformas, o custo aos 'brecholeiros' está condicionado a uma porcentagem da venda. "Em caso de venda de produto, o Brechó Market é remunerado em 20% do valor negociado. Nesse custo de 20% já estão inclusas todas as taxas de cartão de crédito e boleto. É o Brechó Market quem paga", concluiu a empresária Raquel.

Mercado de luxo

Para a fundadora do Etiqueta Única - brechó de produtos de luxo - Patrícia Sardenberg, o menor crescimento da economia ajudará a ampliar o segmento. Nas palavras da executiva, as pessoas estão consumindo cada vez mais de forma consciente e se perguntam para que vão pagar mais caro. "Ainda mais se podem ter o mesmo produto pela metade do preço", falou a executiva.

Com a perspectiva de faturar R$ 4 milhões este ano, Patrícia diz que o segredo do sucesso está no atendimento. "Dependendo do caso, eu atendo pessoalmente. Temos a política de troca que deixa a cliente mais segura."

Patrícia, ao ser questionada sobre o maior impasse da operação, diz que é o preconceito com itens usados. "Aos poucos isso tem se tornado menor e as pessoas estão aderindo mais aos brechós", concluiu.