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A Casas Bahia , maior varejista de eletros e móveis do País, tem três opções para financiar a sua expansão: a abertura de capital na bolsa de valores, uma emissão de debêntures ou aumentar a operação com o Bradesco . A informação partiu de Michael Klein, diretor executivo da Casas Bahia, em entrevista exclusiva ao DCI. Nenhuma destas opções, diz Klein, será definida a curto prazo. A empresa projeta expansão de 20% para as vendas do Natal deste ano e também traça seus planos para 2006, tanto no varejo popular quanto para os consumidores de classe média. Recentemente, a Casas Bahia comprou um terreno em uma área nobre da capital paulista, esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação. No local, diz Klein, será construído ou um shopping center ou um edifício de escritórios de alto padrão, com uma loja da Casas Bahia."A intenção é ter uma Casas Bahia no local. Estamos negociando com as incorporadoras: a idéia é construir um shopping center ou um prédio de escritórios. No local, passará mais uma linha de metrô. O terreno está em um local sofisticado e de movimento", afirma Klein. O governo estadual abrirá, em 2006, a Linha Amarela, ou Linha 4 do metrô, cujo traçado passa sob a Consolação, e uma das estações está em construção ao lado do terreno. A estação terá intersecção com a Linha 2, ou Verde, do metrô.Enquanto não define que tipo de prédio construirá no local, a Casas Bahia continua em forte ritmo de expansão. A empresa está abrindo 4 lojas por semana e a meta é fechar 2005 com 500 lojas. Para 2006, diz Klein, o objetivo é abrir mais 100 lojas, todas em um raio de 1.100 quilômetros de distância da Grande São Paulo. "Dou um motivo para abrirmos lojas só neste raio de 1.100 quilômetros: para quê abrir lojas distantes, se temos, perto de nós, 200 cidades com quarenta mil habitantes cada? Vamos crescer, em grande parte, nestas cidades", diz Klein.O diretor executivo da Casas Bahia diz que, no momento, a empresa não tem interesse em entrar no comércio eletrônico. Também diz que a empresa não tem interesse de usar as ferrovias para transportar mercadorias e manterá sua frota própria, que soma 2.100 caminhões. Isto ocorre porque, diz, as ferrovias, atualmente, só partem com a carga quando todos os vagões estão cheios, o que muitas vezes demora mais de 48 horas. "Meus consumidores não podem esperar mais de 48 horas para receber a mercadoria", diz Klein.ConcorrênciaKlein diz que muitos concorrentes viraram líderes em mercados regionais, como a Insinuante , no Nordeste. Além disso, há a questão logística, já que a empresa fez fortes investimentos para abrir centros de distribuição no Sudeste, recentemente. Daí a opção da empresa por abrir novas lojas em cidades com 40 mil habitantes nas duas regiões ou em partes do Centro-Oeste onde já atua, como Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal."Não vou esmagar os pequenos. Quero chegar às pequenas cidades e ter a minha loja, ser uma opção a mais para os consumidores locais", diz Klein. O executivo também diz não temer o avanço dos hipermercados, como Wal-Mart e Carrefour , que estão aumentando as vendas de eletros e móveis. "Não existe este risco. Não acredito nesta história, que o Wal-Mart chega e os concorrentes quebram. Nós trabalhamos com uma filosofia diferente da dos hipermercados: nossa ênfase está no atendimento e na dedicação ao consumidor. Por isso, todo mundo vai sobreviver, cada um com a sua loja", diz Klein. A cada mês, 16 milhões de pessoas compram nas 476 lojas da Casas Bahia. A empresa, que lucrou R$ 150 milhões no ano passado, deverá alcançar um lucro líquido de R$ 200 milhões neste ano e um faturamento bruto de R$ 12 bilhões. "A meta é lucrar R$ 200 milhões. Gostaria de lucrar R$ 250 milhões, mas não sei se será possível", diz Klein.NatalKlein diz que, para o Natal de 2005, a expectativa é que os televisores sejam um dos produtos mais vendidos. A Casas Bahia planeja vender, em todo 2005, 1,2 milhão de televisores, ou 20% a mais que no ano passado. No ano passado, a empresa vendeu 1 milhão dos 5 milhões de aparelhos feitos pela indústria nacional. "Acho que TV vai vender bem no Natal. O preço da TV de 29 polegadas caiu muito, hoje um aparelho custa R$ 800. Além disso, 2006 é ano de Copa do Mundo", diz. No ano passado, o produto com mais saída no Natal foi o telefone celular. Em 2004, a Casas Bahia vendeu 2,5 milhões de celulares, 20% a 25% do total comercializado no País. "Em 2005, acho que venderemos um pouco menos; afinal, a base de comparação já é muito forte", diz.