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são paulo - Habitada predominantemente por comerciantes nipo-brasileiros, a Liberdade, na região central da capital paulista, espera pela falta de produtos japoneses, em decorrência da tragédia geográfica e nuclear que devastou (e ainda castiga) o Japão. Apesar disso, a maior parte das mercadorias comercializadas no bairro tradicional tem origem chinesa ou podem ser substituídas, como afirmam comerciantes e o representante de uma associação comercial.

"Deverá haver um desabastecimento de produtos específicos, mas a maioria tem substitutos aqui no Brasil", afirmou o empresário Nilton Fukui, que mantém o Espaço Liberdade, no qual são vendidas "miudezas". Dentre as mercadorias de marca japonesa que o comerciante vende, 80% são fabricados na China.

Fukui destacou os "alimentos supérfluos" como o mais provável tipo de produto a faltar nas prateleiras da Liberdade. São temperos como o wassabi, a raiz forte japonesa, que, quando importada, apresenta melhor qualidade. No caso do molho shoyo, o Brasil produz e até mesmo exporta a mercadoria para Japão.

"Desde a década de 1980, o comércio exterior japonês está desaquecido, ao contrário do que pensam", analisou o comerciante.

Relações exteriores

Já o diretor superintendente da Associação Comercial de São Paulo, José Alarico Rebouças, tem outra opinião. O representante reconhece que os produtos vendidos na Liberdade são, em maioria, chineses e brasileiros, mas também acha que os nissei e sansei (descendentes de japoneses no Brasil) tentarão dar preferência às relações comerciais com japoneses.

"Para cada produto japonês, há um coreano", afirmou Rebouças. "Mas os comerciantes vão resistir, por causa de laços familiares e com conhecidos no Japão, até que percebam que o desabastecimento pode ser forte demais", continuou.

Mas ainda é cedo para dizer. Segundo o representante, as mercadorias levam em média um mês para vir do Japão ao Brasil, o que significa que ainda há remessas de produto no mar, em direção ao País, pelo menos até meados de abril.