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As vendas dos vestidos leves e das estampas de leopardo da Dolce & Gabbana estão aumentando, enquanto as roupas de outras grifes continuam nas prateleiras das lojas. O segredo é que a coleção D&G é tão popular entre os compradores jovens quanto o topo de linha da empresa, além de ser mais barata.

Diante da fraca demanda dos consumidores pela marca Thierry Mugler, a Clarins S.A. está fechando o ateliê de costura. A Prada Holding NV e a Gucci Group NV estão cortando custos. A LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton S.A. está vendendo empresas para reduzir dívidas.

O ateliê de costura de Milão, de propriedade dos estilistas Stefano Gabbana e Domenico Dolce, em contraste, teve aumento de 48% nas vendas no exercício fiscal do ano passado e espera alta de 41%, para 445 milhões de euros, o equivalente a US$ 479 milhões no exercício fiscal de 2003, que se encerra em 31 de março.

"Qualquer um que esteja crescendo neste mercado está roubando participação dos outros", afirmou Scilla Huang Sun, que administra um fundo de bens de luxo de 50 milhões de euros no Clariden Bank .

Enquanto o mercado global de bens de luxo, de 60 bilhões de euros, continua nos níveis de 2000, a Dolce & Gabbana cresce, principalmente porque decidiu vender roupas mais baratas, com sua coleção separada D&G. A D&G tem as características da coleção de topo de linha da empresa, a 50% do preço.

Ao mesmo tempo, os estilistas consolidam o controle da marca, recomprando licenças e desenvolvendo produção própria - uma idéia emprestada de marcas maiores como Giorgio Armani SpA, Gucci e Prada.

Crescimento

A Dolce & Gabbana está crescendo de uma base menor do que concorrentes maiores como Gucci , Giorgio Armani e Hermès S.A. , os quais reportaram desaceleração ou queda das vendas em 2002.

A empresa opera 31 lojas de marca própria, sete destas abertas no ano passado, em comparação às 353 da Gucci Group, 260 da Armani e 300 da Louis Vuitton.

Em um momento em que os consumidores estão reduzindo viagens e gastos com produtos mais caros, não ter uma dispendiosa rede de lojas para manter pode ser uma vantagem, de acordo com informações do analista de produtos de luxo do Morgan Stanley , Claire Kent, que escreveu em relatório recente que "estruturalmente, as empresas de luxo estão mal adaptadas ao ambiente de baixo crescimento".

A Dolce & Gabbana abrirá uma loja em Veneza e 12 no Japão ainda este ano, inclusive sete para a D&G.