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BRASÍLIA - A partir de folhas colhidas no chão, um grupo de artesãs do Distrito Federal criou um modelo de negócio altamente sustentável e ambientalmente correto. Especializada no assunto, a Flor do Cerrado Arte e Design Ltda. tem produtos de boa qualidade, segue práticas de inclusão social e respeita o meio ambiente. Agora, pronta para atender um público mais exigente, parte em busca de um plano estratégico para se inserir no mercado de forma diferenciada.

Com essa proposta, a empresa será um dos grupos participantes do I Encontro Internacional de Comércio Justo e Solidário, que acontece nesta terça-feira e quarta-feira (19 e 20 ) no Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro (RJ). O encontro tem por objetivo proporcionar a realização de negócios com compradores brasileiros e estrangeiros.

Estão previstos painéis e palestras com especialistas do setor que debaterão os rumos e o crescimento dessa prática no Brasil e no mundo. Produtores de dez estados estarão em estandes para apresentar seus artigos, desde artesanato a produtos agrícolas. Para o evento, são esperadas cerca de 500 pessoas de todo o Brasil e de outros 42 países.

Além da Flor do Cerrado, o DF apoiará a exposição dos produtos da Associação de Bordadeiras de Taguatinga – Flor do Ipê, de três produtores de mel orgânico e derivados, de dois produtores de café, de uma cooperativa de confecção e de outros dois produtores de artesanato autônomos, de Brasília e do Entorno.

“Esta participação significa maior prospecção de mercados, nacional e internacional, troca de experiências e criação de rede de contatos. Além disso, os participantes vão poder se adequar aos critérios para operar dentro do movimento do Comércio Justo”, explica Kátia Cristina Magalhães, gestora do Comércio Justo pelo Sebrae/DF.

Valor agregado

Os critérios do Comércio Justo há anos são difundidos pela empresa Flor do Cerrado. Desde 2002, quando as artesãs eram apenas um grupo, já trabalhavam com produtos de alto valor agregado. Todo o trabalho, feito a partir de um processo de esqueletização das folhas, mantém até hoje as características do artesanato regional, a um preço justo, com consciência ecológica, responsabilidade e preocupação com a qualidade da sociedade local.

“Não vendemos só o produto, vendemos valores que estão atrelados ao produto. Nossa preocupação é com o crescimento de nossa comunidade, com a redução dos impactos no meio ambiente e com o nosso trabalho”, diz a empresária Roze Mendes.

Desde 2002 o grupo realiza trabalhos voluntários em algumas comunidades em Samambaia, cidade na periferia de Brasília. Em 2003, a associação entrou no programa de Empreendedorismo Social do Sebrae no Distrito Federal, para incluir no mercado grupos de produtores menos favorecidos, contribuindo para o aumento de emprego, renda e resgate da cidadania de comunidades locais.

Com apoio do Sebrae, as artesãs participaram de cursos e receberam orientações para aprimoramento de produção, design, customização de peças, criação de identidade e noções de empreendedorismo. Foi o passo inicial para que a o grupo de artesãs da comunidade local se tornasse, em 2006, a empresa Flor do Cerrado Artesanato e Design Ltda.

Atualmente, a empresa conta com o trabalho de 20 pessoas, que beneficia cerca de 250 famílias do DF. Dentre os princípios da empresa, estão práticas sociais que visem ao bem-estar e à qualidade de vida de seus colaboradores e da sociedade; respeito ao meio ambiente, aos clientes e colaboradores; trabalho em equipe para crescimento contínuo auto-sustentável; e igualdade de tratamento entre as pessoas.

Comércio Justo

Baseado em diálogo, transparência e respeito, o Comércio Justo e Solidário é um movimento que propõe desenvolvimento sustentável, melhores condições de troca e garantia dos direitos a produtores e trabalhadores de todo o mundo que estão à margem do mercado internacional. De acordo com estudo do Sebrae, em 2006, existiam no Brasil mais de 14 mil empreendimentos solidários, distribuídos em 41% do território nacional.