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SÃO PAULO

Redes tradicionais do segmento de franchising estão apostando em modelos de negócios menores, tipo quiosques, atentas ao potencial de investimento do pequeno e médio empresário brasileiro. Entre elas o Grupo Habib's, que acaba de lançar a Ragazzo Express, empreendimento que seguirá a mesma linha de comida italiana rápida (fast-food), mas que foi criado para acelerar a expansão da companhia no País, como aponta o gerente da marca Ragazzo Express, Rodrigo Rabello. "Queremos chegar a mais pontos comerciais, já que está muito difícil encontrar um espaço grande em cidades como São Paulo. Esse modelo mais compacto visa principalmente facilitar o investimento e operação do negócio".

Com expectativas de chegar a mil lojas até 2024, a operação chega para ser um novo braço do Ragazzo, que está no mercado há mais de 20 anos. "Serão dois modelos de negócios, um mais completo para lojas de rua, shopping e galerias, que irá vender toda linha da marca, já a segunda opção será em formato quiosque, com o cardápio bem reduzido, que comercializará apenas sorvetes e coxinhas, carros-chefes da marca. Ambos com valor inicial de R$ 150 mil para investimentos", disse.

Com alguns contratos fechados, a primeira unidade da Ragazzo Express será aberta no Largo Treze, em São Paulo, a partir do segundo semestre. "O objetivo é abrir lojas em pontos estratégicos, onde a movimentação de pessoas seja grande. A perspectiva é fechar o ano com pelo menos dez contratos assinados, já que a rede tem aceitação do público".

Presente em São Paulo, Santa Catarina e Goiás, a capital paulista lidera com o maior número de lojas da Ragazzo. No total são mais de 50 unidades da marca nos três estados. "Hoje contamos com 14 cozinhas centrais que abastecem todas as lojas do Grupo (Ragazzo e Habib's) no País".

Com "preços acessíveis", o executivo afirma que os valores dos produtos das marcas Ragazzo e Habib's foram criados para a classe C, porém atendem a todo perfil consumidor, sendo extremamente democrático. "Estamos atentos a algumas regiões do País, como o Nordeste, onde a classe média tem crescido muito. Inclusive, temos um plano sendo traçado apenas para aquela local. Também estamos focados em abrir unidades no Rio de Janeiro, que é um estado muito forte para a companhia".

Ainda de acordo com ele, assim como outros modelos de negócios do grupo, o Ragazzo Express contará com um sistema de entregas em domicílio (delivery). "Já estamos com um projeto para o seguimento de entregas, isso porque estamos há vários anos no mercado. Hoje temos um único telefone central que atende à demanda de qualquer lugar do País. É um sistema de atendimento unificado", ressaltou.

Só delivery

Outra rede que investe em empreendimentos compactos é o Big X Picanha. No mercado há 14 anos, a marca lança novo modelo exclusivo para delivery, direcionado a cidades com até 200 mil habitantes, como conta a diretora de franquias, Rita Poli. "Criamos esse segmento devido ao aumento da procura de investidores com menor poder aquisitivo, com valores de R$ 200 mil a R$ 300 mil. Outro ponto foi a crescente demanda pelo sistema de entregas, logo unimos as oportunidades".

Com planos de expandir a rede para as cidades do interior paulista, além de abertura de lojas no Rio de Janeiro e Minas Gerais, a marca espera manter os números vistos no ano passado, quando a companhia faturou R$ 60 milhões e registou um incremento de 20% nos negócios. "Estamos presentes em sete estados, mas queremos chegar a outros locais como a região Norte. Lá existe grande oportunidade de investimento estimulada pelo crescimento da classe C no Brasil, além de baixa concorrência. Na nossa escala de investimentos, a região Sul está em último lugar nos planos de expansão".

Ao todo, a Big X Picanha conta com 50 unidades em funcionamento, sendo apenas cinco próprias. Com preços que começam em R$ 14 e chegam até R$ 20, a rede acaba atendendo todas as classes e garante fazer sucesso em estados como o Pará, como afirma Rita. "Em relação às vendas, destaque para nossa unidade em Marabá, no Pará, que está dentro da média de faturamento como uma das lojas que mais vende".

Com a média de 40 itens no cardápio, voltados na sua maioria para as classes A e B (prime), a companhia não tem encontrado muita concorrência no mercado. "Nosso carro-chefe é o Big X Picanha, sucesso absoluto nas lojas. Como vendemos apenas hambúrgueres prime, acabamos não tendo muitos concorrentes nos shopping centers, locais onde vendemos muito no horário do almoço", comentou. Para abrir uma unidade da marca, os valores começam em R$ 200 mil para os modelos em delivery e podem chegar a R$ 450 mil para quem optar por uma loja.

Mercado de bolos

Criado por Ivani Calarezi, a rede de franquias Amor aos Pedaços é outra empresa do segmento de alimentação que resolveu diversificar seus investimentos. No mercado há mais de 30 anos, a marca especializada em bolos artesanais aposta em pontos de venda menores para se expandir. "Criamos esse formato de negócio devido aos altos custos de ocupação nas grandes cidades. O modelo vem para completar o espaço que temos no mercado, já que conseguimos garantir nos quiosques e lojas da marca as mesma operações, além do sistema de delivery", afirmou o gerente de expansão da Amor em Pedaços, Julio Valeriano.

Com o novo modelo, a empresa espera fechar o ano com 15 novas unidades e crescimento de 25% frente aos 20% registrados no ano passado. "Hoje nós temos 65 unidades em funcionamento, sendo cinco próprias. No nordeste, estamos em estados como Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e até o final do ano chegaremos a Fortaleza. Também contamos com lojas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília e Paraná".

Voltadas para as classes mais altas, a Amor em Pedaços quer se consolidar no mercado premium e para isso deve abrir lojas em aeroportos, como informou Valeriano. "Nosso foco não é a classe C, porém temos as promoções que acabam atendendo a esse público. Hoje são mais de 130 itens em nosso cardápio, entre doces, tortas, salgados e pavês. O maior sucesso da marca são os bolos tradicionais, além das campanhas sazonais como os festivais do chocolate e morango". Com alto custo de investimento, uma loja da rede começa R$ 450 mil e os quiosques R$ 250 mil.