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Mesmo diante de uma desaceleração já esperada no primeiro trimestre, a RD, antiga Raia Drogasil, pretende manter intacto seu plano de expansão para 2018 e 2019, de abrir 240 unidades por ano.

Nos três primeiros meses de 2018, a companhia abriu 44 lojas e fechou três, totalizando 1.651 unidades. “Abrimos um pouco mais que no mesmo período de 2017 e agora vai começar a aceleração para entregar o guidance de 240 lojas para o ano e para 2019. O guidance está absolutamente mantido da forma que anunciamos”, disse em teleconferência o vice-presidente de planejamento e relações com investidores, Eugênio De Zagottis.

Na opinião da consultora independente de varejo farmacêutico, Silvia Osso, manter o plano é um risco, já que pode também fazer concorrência às próprias lojas da rede. “Mas eles não vão dar um sinal de fraqueza. Eles precisam sair à frente e precisam dos acionistas capitalizando para o plano”, comenta.

Segundo Silvia, a companhia tem um nível de profissionalização superior aos rivais, o que deve beneficiar a meta “audaciosa” do grupo. O plano, no entanto, será muito desafiador. “A área de planejamento trabalhará como nunca no segundo semestre”, supõe.

Para a consultora, o acompanhamento das novas lojas deverá ser muito bem feito para que a companhia “corrija” escolhas malsucedidas rapidamente. “A falha [que pode ocorrer] não está relacionada à capacidade de gerir, mas ao número de lojas. O processo deverá ser revisado o tempo todo, fecho uma aqui e abro lá. Uma análise permanente.”

De acordo com ela, outras marcas – por exemplo a Extrafarma que abriu 100 lojas nos últimos 12 meses, com forte avanço em São Paulo – possuem planos agressivos. “Essa é uma tendência até o final de 2019. Elas não vão recuar agora, mas acredito que ano que vem começarão a ver o reflexo desse crescimento acelerado. Até lá, alguns verão que o excesso de abertura não leva a lugar nenhum”, diz.

No primeiro trimestre, o lucro líquido da RD foi de R$ 121,3 milhões, margem líquida de 3,4% e alta de 15% ante o mesmo período de 2017. A receita líquida de vendas e serviços desacelerou, mas cresceu 12,3% (R$ 3,4 bilhões). No período, considerando as operações de varejo, a RD cresceu em média 2,7% nas mesmas lojas e caiu 1% nas maduras.

Futuro promissor

Animados com o futuro, os executivos da RD esperam que o segundo semestre seja melhor. Silvia também concorda com a previsão, e ressalta que o fato das farmácias e indústrias trabalharem em conjunto em busca de melhores negócios, além da perspectiva de novos serviços nas drogarias – como vacinação – tendem a aumentar cada vez mais a rentabilidade das empresas. “Isso cria uma receita adicional. Não é apenas o medicamento que vai incrementar”, lembra.

Ela também ressalta que as lojas que ainda estão em processo de maturação (36,1% na RD) devem melhorar a rentabilidade aos poucos.

Alerta

Segundo o analista da Ativa Investimentos, Pedro Guilherme, a princípio, o resultado da RD não agradou muito. “Alguns aspectos decepcionaram, como a expansão abaixo do esperado e o índice de participação de mercado em São Paulo.”

Na opinião dele, apesar do ganho de 1 ponto percentual (p.p) de market share no Nordeste, em São Paulo o crescimento ficou abaixo do esperado (0,3 p.p). “São Paulo é um mercado com alto poder aquisitivo, maior que o consumidor do Nordeste [..] Não entendemos essa desaceleração, já que vinha ganhando share rapidamente nos últimos tempos, e isso chamou a atenção.”

Outros detalhes destacados por ele foi a perda de alavancagem operacional, aumento das despesas de depreciação, a menor alavancagem operacional em função das despesas fixas das lojas, a piora do fluxo de caixa e o aumento da dívida líquida da companhia.