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Diante da morosidade da retomada econômica e crescente concorrência do varejo nos grandes centros, as franquias brasileiras têm buscado cada vez mais espaço em mercados fora do Sul e Sudeste. Como resultado deste movimento, no segundo trimestre deste ano, a participação financeira dos estados do Norte, Centro-Oeste e Nordeste cresceu dentro do setor de franchising.

Os dados, que fazem parte da pesquisa trimestral realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), apontam que, entre o segundo trimestre de 2018 e o mesmo período do ano passado, a região Sudeste teve queda de 0,7 ponto percentual (p.p.) – atingindo 54,4% de participação na receita do setor. Na mesma esteira, a Região Sul viu sua fatia recuar em 0,1 p.p. no período analisado, chegando a cerca de 10,1%.

Na contramão, as regiões Nordeste (15,4%), Centro-Oeste (8,3%) e Norte (5,4%) viram seu percentual de crescimento avançar (veja mais no gráfico).

“Assim como o aumento do faturamento das redes em outros estados, o movimento de interiorização das unidades desses negócios, fora do eixo do Sudeste, também faz parte da tendência de expansão das franquias pelo País”, afirmou o presidente da ABF, Altino Cristofoletti.

Segundo ele, as marcas vão seguir expandindo para o interior do Brasil, tendo em vista novos formatos de negócio e melhores condições de parcelamento e promoções para o público nessas regiões.

No segundo trimestre deste ano, o faturamento total do setor avançou 8,4%, alcançado a cifra de R$ 40 bilhões. Quando analisado o resultado do primeiro semestre, o incremento foi de 6,8% com movimentação de R$ 79 bilhões.

Como destaques para esse avanço robusto, o presidente da ABF ressalta lojas de lazer e entretenimento (16,1%), hotelaria e turismo (14,6%), casa e construção (11,3%).

De acordo com Cristofoletti, outro fator que auxiliou em parte o aquecimento do mercado interno de turismo foi a alta do dólar. “Vimos um grande aumento no número de pacotes domésticos”, afirmou. O faturamento das redes de hotelaria e turismo somou R$ 3,2 bilhões no segundo trimestre.

Na mesma perspectiva do presidente da entidade, a diretora-executiva da consultoria empresarial Grupo Bittencourt, Lyana Bittencourt, diz que “as sucessivas altas da moeda americana certamente influenciaram o comportamento do brasileiro que começou a olhar mais para o turismo local para fazer suas viagens”. Para ela, outros negócios com foco no mercado externo sentiram com maior contundência as oscilações do dólar. “Inclusive as redes de franquias de serviços de viagens tiveram impacto negativo na venda dos programas de intercâmbio, por exemplo”, diz.

No que diz respeito ao fenômeno de interiorização, Bittencourt considera uma maior “democratização” – fora do eixo Rio-São Paulo e uma espécie de saturação dos grandes centros urbanos como força motriz desse movimento.

“Essas redes, fizeram revisão nos seus modelos de negócios, desenharam estratégias especificas para essas cidades com menor potencial e agora avançam também para esse perfil de município. Esse é um movimento que deve se manter nos próximos anos”, explicou.

Além disso, ela cita o esforço por parte de algumas empresas na diversificação dos produtos. “Duas das maiores redes no franchising como a CVC e a Flytour, por exemplo, tiveram ampliação nas vendas do setor corporativo e isso, de certa forma, reverbera a volta da confiança dos empresários. Algumas empresas durante o ponto alto da crise haviam criado alternativas às reuniões presenciais como teleconferências e reuniões online.”

Força nordestina

Um dos exemplos de franquia com foco na estratégia de regionalização é a escola de games e efeitos visuais Gracom, com atuação voltada em grande parte para a Região Nordeste. “Começamos a operar em 2008, fazendo preços direcionados para esses locais”, afirmou o presidente da escola de games, Diego Monteiro.

De acordo com ele, o tíquete médio da Gracom gira em torno de R$ 280,00; e as regiões Norte e o Nordeste, berço do negócio, correspondem por 50% das 23 unidades ativas da rede. O faturamento do negócio em 2017 girou em torno de R$ 27 milhões. Para este ano a expectativa da empresa é de conseguir R$ 30 milhões em termos de receita.

“À medida que vimos que o tíquete médio estava bem equilibrado, fomos criando novos cursos para adaptar às regiões em que atuamos”, argumentou Monteiro.

Ainda de acordo com o presidente da escola de efeitos visuais, o número total de alunos do negócio está, atualmente, em 17 mil.