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SÃO PAULO - Um dos maiores centros de comércio popular do Brasil, a Rua 25 de Março, que movimentou em torno de R$ 16 bilhões ano passado, ganhará uma nova versão que ficará pronta em outubro de 2009 e que é semelhante aos moldes de alguns pólos atacadistas, que envolvem infra-estrutura de shopping centers. Denominado Centro Comercial Nova 25 de Março, o empreendimento pertence ao Grupo Savoy, que detém outros centros de compras, como o Shopping Aricanduva, o Shopping Interlagos e o Central Plaza Shopping, e receberá R$ 200 milhões. Os recursos são próprios, e a empresa diz não ter hábito de utilizar financiamentos.

O espaço promete ser um segundo pólo de vendas tanto no atacado como no varejo, dependendo da opção de cada lojista. Das 400 lojas previstas no centro, 105 já foram comercializadas. Localizado no bairro de Santo Amaro, zona sul da capital paulista, o centro de compras terá filiais de redes da 25 de Março e de outros centros populares, como lojas do Brás e do Largo 13, por exemplo.

De acordo com Márcio Bevilacqua, gerente comercial do grupo, a diferença do local será a infra-estrutura, com estacionamento para 2,5 mil vagas, plataformas para ônibus de turismo de compras, praça de alimentação e uma réplica do Mercado Municipal de São Paulo. Além disso, há espaço para a construção de hotéis, lojas de departamentos e outras opções de lazer, como boliche, em uma segunda fase de expansão, a começar quando 80% das lojas já estiverem comercializadas.

O gerente afirma que "a região da 25 de Março é insubstituível, mas a intenção é ser um segundo balcão de vendas" com potencial para atingir o mesmo público do local, composto por várias classes sociais, principalmente o público da zona sul da capital paulista e de outras cidades, que têm maior dificuldade de acesso ao centro da cidade, diferentemente de moradores da zona norte e leste.

O executivo destaca que o novo centro é de fácil acesso, pela Marginal do Pinheiros, e fica próximo à estação de trem Socorro, além de estação de metrô e terminal de ônibus Santo Amaro. "A 25 de Março está saturada, não há para onde crescer, estacionar, e muitos consumidores deixam de ir até lá por acharem desgastante. Vamos criar um clone da 25, com as mesmas operações e preços competitivos, mas outras vantagens." Bevilacqua explica que já possuíam o terreno, onde ficavam galpões industriais desativados. O projeto, que começou há 3 anos, foi inspirado na própria 25 de Março.

Um dos comerciantes que terá uma unidade no Centro é Miguel Giorgi Júnior, dono da rede Gaivota e presidente da Federação das Entidades do Turismo de Compras e Negócios do Estado de São Paulo (Fature- SP). O empresário já possui uma unidade na 25 de Março e uma em São Bernardo do Campo (SP), além de estar construindo a filial de Santo André, no ABC paulista. Ele investirá R$ 350 mil no local, e disse que tinha interesse em abrir outras filiais, pois acredita que atingirá o público da zona sul e do litoral paulista. "É necessário despolarizar para atender melhor."

Carlos Rito Neto, dono da loja virtual Vitrine 25 de Março, também aposta no projeto e destaca que a região da 25 de Março não possui mais espaço físico para crescer e é muito valorizada, com um aluguel que pode chegar até a R$ 10 mil por metro quadrado, Por sua vez, o aluguel no novo Centro será mais barato e atrairá diversos lojistas.

Modernidade

O consultor da União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco), Ricardo Scurzio, reforça que há público consumidor e que o Centro será moderno e planejado. "O índice de compra será alto. Em um shopping convencional, 12% das pessoas que entram compram mercadorias, mas na 25 de Março esse índice é 90%. O Centro também será forte", diz. O conceito do Centro é semelhante ao de pólos atacadistas de vestuário, como o Mega Polo Moda, em São Paulo, e alguns no Paraná, como o Rua da Moda, ou mesmo no Nordeste, como o Maraponga Mart Moda, em Fortaleza (CE), com espaço para turistas.

Investidor

O Grupo Savoy atua como investidor no mercado imobiliário, compra terrenos para alugar, seja para empreendimentos comerciais, escritórios ou centros de distribuição. Discreto, Hugo Salomone, presidente e fundador da empresa, é dono de importantes terrenos e prédios em São Paulo, como o Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, e imóveis onde ficam lojas de redes como Wal-Mart, Carrefoure Casas Bahia, entre outras.