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São Paulo - Enquanto o varejo briga para se adaptar ao mundo digital, algumas lojas virtuais fazem o caminho inverso: buscando espaços físicos para divulgar a marca. Um formato que tem atraído esse perfil de lojista - principalmente os pequenos e micros - são as lojas colaborativas, onde mais de um varejista expõe seus itens em boxes.

Com custos fixos consideravelmente menores, já que são diluídos entre todas as marcas que comercializam no espaço, o modelo de operação tem se tornado uma saída para varejistas virtuais divulgarem seus produtos no físico, melhorando o contato com o consumidor e, consequentemente, incrementado as vendas no on-line. É o caso do e-commerce de vestuário Heir e da Crystal Semijóias.

Até um ano atrás, ambos atuavam apenas através do comércio eletrônico. Apesar da vontade de expandir a marca também para o canal físico os custos altos de aluguel e a complexidade operacional inibiam o movimento. "A loja colaborativa foi uma oportunidade que encontrámos para colocar nosso produto em um espaço físico com um custo acessível", diz o coordenador administrativo da Heir, Anderson Akino.

Há cerca de um ano a varejista começou a expor suas roupas na The Cool Lab, loja colaborativa localizada na região do ABC, em São Paulo, que já trabalha com 80 marcas diferentes. O valor cobrado pelo aluguel mensal gira em torno de R$ 350, mais uma taxa de 20% das vendas efetuadas, conta a dona do espaço, Caroline Makimoto Tironi. A empresária explica ainda que a contratação dos vendedores e toda a parte operacional da loja fica a cargo dela. Esse ponto é um dos benefícios citados pela dona da Crystal Semijóias, Cristina Joo, de operar em uma loja colaborativa. Assim como a Heir, a marca começou a vender na The Cool Lab há cerca de um ano - logo que o espaço foi inaugurado.

Apesar do modelo viabilizar a entrada das marcas no comércio físico, ambas afirmam que as vendas no local têm sido muito fracas. No caso da Heir, por enquanto elas estão garantindo apenas a cobertura dos custos, sem gerar lucro. "Mas traz o benefício da visibilidade, o que acaba ajudando a incrementar as vendas no comércio eletrônico", afirma.

Outra marca que encontrou no modelo colaborativo a saída para ingressar no comércio físico foi a Clamarroca. Focada no público Plus Size, a grife, que surgiu no ano passado no e-commerce, decidiu abrir uma loja colaborativa junto com outras duas marcas de roupa, também focadas nesse nicho.

Inaugurado há três semanas, o espaço Clamarroca já fechou mais duas parcerias nesse meio tempo e conta hoje com cinco marcas. "Tem algumas varejistas que sozinhas não conseguem abrir uma loja física. O modelo é bem interessante porque viabiliza isso", diz. De acordo com ela, as outras quatro marcas que vendem no espaço possuem o mesmo perfil que ela: atuavam pelo e-commerce, e buscavam uma maneira de expor os produtos em um espaço físico.

Para o especialista em varejo da AGR Consultores, Roberto Vautier, a exposição dos produtos no físico é uma necessidade hoje em dia, mesmo para quem atua no on-line. "O físico gera experiência e um contato maior com o cliente. O consumidor exige cada vez mais isso", diz. Segundo ele, a tendência é que os dois canais caminham de forma conjunto, complementado um ao outro.

Tendência

Sobre o modelo de loja colaborativa ele afirma que atualmente é uma tendência muito forte no Brasil e que deve 'explodir' nos próximos anos. "É muito puxada pelo espírito de colaboração, mas além disso tem a questão da crise que impulsiona ainda mais", diz.

"Muitos lojistas não tinham condições de investir em um empreendimento, e o modelo veio para atender essa fatia grande do mercado", conclui.