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As redes de varejistas brinquedos começam a negociar mercadorias para o Dia da Criança e criam estratégias para comprar a preços mais baratos. A Ri Happy , maior rede de brinquedos do Brasil, com um mix de 4 mil itens, e a PB Kids , reduzem margens de lucro para oferecer preços baixos. Comprar menos para evitar gastos com armazenagem são as táticas da Petit Bebe , que é mais forte na venda de roupas e calçados para crianças. Já a Brinquedos Laura aumentou em 10% o número de seus fornecedores para oferecer uma variedade semelhante às redes com alto poder de compra, como Lojas Americanas .Pioneira na venda de brinquedos pela Internet, a Ri Happy pretende reduzir a margem de lucro, hoje 30% do faturamento bruto, para ganhar da concorrência em datas comemorativas. Segundo o diretor comercial Ricardo Sayon, a rede mantém os 140 fornecedores de brinquedos. "Vamos começar a comprar para o Dia das Crianças em julho", diz. Devemos comprar o mesmo volume que em 2004 e esperamos um crescimento de no máximo 3% por loja, acompanhando o PIB", diz.Segundo Sayon, grandes redes que também comercializa roupas, calçados e acessórios, além de brinquedos, como a Lojas Americanas , são concorrentes cada vez mais fortes. Eduardo Pedro, diretor comercial da Brinquedos Laura , diz que é difícil competir com os preços da Lojas Americanas, pelo alto poder de compra da empresa. Para ele, as redes menores têm de criar meios de se diferenciarem das grandes. "Fazemos um atendimento personalizado e embrulhamos os presentes. Na Lojas Americanas, eles vêm num saco. Além disso, aumentamos a nossa lista de fornecedores em 10% para incrementar o nosso mix de brinquedos e aumentamos o número de funcionários nas seis lojas da marca", diz. De acordo com o executivo, as compras para o Dia das Crianças começam na segunda quinzena de julho. "Adiantamos as negociações com fornecedores para tentarmos conseguir preços mais baixos e prazos de pagamento mais longos", diz. Para a data, ele afirma que comprará 10% a mais que em igual período do ano passado. "Os bonecos dos filmes Star Wars e Batman já estão em falta e deverão ser a coqueluche de 12 de outubro", alerta. Na Ri Happy, para o Dia das Crianças, Sayon afirma que a estratégia para atrair clientes é aumentar os prazos de pagamentos, em parcelas de até quatro vezes sem juros. Eliana Rubbo, gerente comercial da PB Kids, diz que a empresa busca parcerias junto as operadoras de cartões de crédito para oferecer um facilitador aos clientes "Mas não há margem em nossos preços para conceder descontos de acordo com a forma de pagamento".Em maior ou menor intensidade, dependendo da época do ano, Eliana costuma trabalhar com margens enxutas e negociar descontos com fornecedores, mediante compras à vista. "Temos conseguido economias que variam de 5% a 15%. De um modo geral, as margens são apertadas e temos que buscar redução de custos de todos os lados". Em função da ampliação do mix da rede, o número de fornecedores aumentou no último ano, chegando a 120 empresas.A pretensão de Marc Antônio Lahoud, diretor comercial e proprietário da Petit Bebe, que tem oito lojas no Estado de São Paulo, é incrementar a margem de lucro da empresa, que no ano passado cresceu 2,6%. "A tarefa é árdua, visto que as despesas operacionais em lojas de shopping são muito altas", afirma. Para chegar ao seu objetivo e incrementar em 30% o faturamento da companhia, ele reduziu o número de fornecedores de mais de 100 empresas para 64. Unido ao investimento em tecnologia da informação (TI), Lahoud garante uma economia de 7,5% nas despesas da empresa, em relação a 2004. "Neste ano, começamos a trabalhar com um novo ERP - softwear de gestão - focado em varejo.Com os novos relatórios para análise de giro, diminuimos em 18 % as compras, evitando as sobras", afirma. Com 20 anos, ainda cursando o nível superior, Lahoud conta que reduzirá ainda mais o número de fornecedores. A partir deste ano, ele pretende abrir apenas lojas grandes, com mais de 180 metros quadrados."A injeção de capital da Petit Bebe em 2004 para a criação de uma marca própria e loja virtual deverão incrementar a receita da empresa em pelo menos 10%".ComprasNa Petit Bebe, as mercadorias de marca própria são desenvolvidas com um ano de antecedência. "As multimarcas tem compra programada com 3 a 6 meses de antecedência. Já a linha de puericultura e brinquedos têm reposição quinzenal", afirma Lahoud. Segundo ele, por estratégia da empresa, os setores de roupas e calçados crescem e hoje respondem por 66% das vendas da Petit Bebe, seguido pelo segmento de puericultura e brinquedos.Há mais de um ano na PB Kids, formada em Administração de Empresas, Eliana afirma que as compras da empresa são quinzenais. "Em alguns casos, fazemos compras semanais para evitar os estoques altos, que custam muito caro", diz.Já Sayon, medico pediatra formado pela USP, que está na Ri Happy há 18 anos, afirma que as compras da rede são diárias. Na opinião dele, se o dólar continuar desvalorizado, os preços de produtos importados da rede deverão cair no início do ano que vem, quando a Ri Happy compra o lote de importados para o ano inteiro."Mesmo as lojas que compraram depois da queda do dólar, tiveram um desconto muito pequeno. Além disso, a maior parte dos brinquedos são importados da China, que sofreu recentemente uma elevação dos preços em dólar", diz. Uma tática da empresa é negociar diretamente com as indústrias estrangeiras, evitando assim um intermediário que pode não repassar os descontos. Na Eco Baby , antiga Lojas Hércules , as compras são semanais, segundo a gerente comercial Maria do Rosário Botelho.Compras a prazoSegundo Lahoud, as compras à vista não são comuns no segmento de brinquedos. "Há uma grande resistência dos fornecedores em darem descontos aos varejistas por comprarem à vista", diz. Eduardo Pedro, da Brinquedos Laura, diz que os pagamentos são parcelados em até 90 dias no segmento.Lojistas dizem que a Americanas será o rival mais agressivo na data