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São Paulo - O segmento de lojas colaborativas - onde mais de um varejista expõe seus produtos em boxes - passa por um momento de reinvenção. Da criação de marketplaces e venda on-line, até a entrada em shopping center, vale de tudo para fazer o modelo de negócio ganhar ainda mais espaço no varejo.

A Endossa, uma das mais antigas no setor, conta hoje com três lojas - Rua Augusta, Centro Cultural Vergueiro, na capital paulista e em Brasília (DF). Divididas em operações próprias e franquias, a aposta da rede agora, para despontar no mercado, é abrir uma loja no tradicional Shopping Ibirapuera. "Investimos cerca de R$ 500 mil e esperamos inaugurar a Endossa até o final deste mês", afirmou ao DCI o sócio fundador da Endossa, Carlos Margarido.

O empresário e um dos seus sócios, Gustavo Ferriolli, afirmaram que o conceito colaborativo de venda ajuda os micro e pequenos empresários e que, em momentos de crise, ele pode ser válido para os que não estão dispostos a arcar com todos os custos de uma operação varejista. "É uma ferramenta com bons benefícios, em especial àqueles empresários que têm estoque diminuto e pouca agilidade na reposição de estoques", explicou Ferriolli.

Os sócios informaram que a nova loja terá 69 boxes para locação. "As categorias serão definidas conforme o interesse do consumidor."

Mercado promissor

As lojas colaborativas, fenômeno surgido em 2008, conta ainda com players como Cada Qual e mais recente, desde julho desse ano, o Club Vintage. Para Margarido, este mercado tem mostrado resiliência, mesmo diante a queda nas vendas no varejo como um todo. "A lista de espera para ocupar um box na loja da Augusta, por exemplo, chega a mais de um ano", revelou o executivo.

Os empresários afirmaram que as vendas não têm o mesmo ritmo de anos anteriores, mas que a rentabilidade maior da loja colaborativa vem do aluguel dos espaços.

O empresário explica ainda que sempre procura iniciativas que ajudem a alavancar as vendas de seus parceiros. "Os preços de locação variam de R$ 200 a R$ 900 e a permanência do espaço depende de uma meta mínima de venda. Como o empresário acompanha em tempo real as vendas é possível ver o que está com vendas baixas e substituir a categoria", explicou Margarido.

A comodidade e a visibilidade de estar em uma loja com o conceito diferenciado foi o que atraiu a empresária Beatriz Vallego, sócia da marca PauBrasil, empresa que comercializa produtos feitos em madeira. "Pessoas próximas comentaram sobre a loja e isso despertou o nosso interesse", disse a empresária. Há um ano a vendas em lojas colaborativas - Endossa da Vergueiro e Cada Qual na Augusta - Beatriz explicou que, além da comodidade em não se preocupar com os processos administrativos de uma loja, estar em um desses boxes a ajuda no lançamento de produtos. "Usamos para lançar novidades e ver a aceitação do público", enfatizou.

Questionada sobre a rentabilidade das vendas, Beatriz afirmou que é instável, mas que vale o investimento. "Nesse período batemos todas as metas de vendas e renovamos o contrato de locação [que pode ser mensal e trimestral] constantemente", disse.

A empresária explicou ainda que estar na loja colaborativa ajuda a impulsionar as vendas no seu e-commerce. "A visibilidade que temos nessas lojas ajuda nas vendas on-line. O consumidor procura mais os nossos produtos na loja virtual o que ajuda no crescimento deste canal", concluiu.

Mundo virtual

A criação de um marketplace - loja on-line agregador de marcas varejistas - está nos planos do empresário Eder Dias, proprietário da Galeria Clube Vintage. Com a queda nas vendas e a possibilidade de fechar a sua loja de vestuário, diante da crise econômica, levou o empresário a transformar a loja convencional em colaborativa. "Estava analisando rescindir o contrato de aluguel quando preferi apostar em uma loja colaborativa. Investi R$ 120 mil no projeto e já estou tendo bons resultados", explicou ele.

Em junho deste ano o empresário reformulou o seu modelo de negócio e com os resultados positivos, Dias colocará no ar, em breve, a loja virtual da Clube Vintage. "Já contratei uma empresa que está montando a loja on-line e logo mais estará no ar", disse.

Diferentemente do modelo de seus concorrentes, o Clube Vintage trabalha mais o conceito de curadoria. "Eu selecionei as marcas, pois já conheço o público da loja e sei o que eles procuram. Em quatro meses já estou com lista de espera", comemora ele.

Mais do que roupas e acessórios, no Clube Vintage o consumidor encontrará artigos de decoração e um espaço Café Bistrô. "Outro diferencial é que os nossos parceiros têm espaço para guardar alguns estoques, e as marcas não concorrem entre si", concluiu ele.