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De olho no potencial de consumidores mais preocupados com a origem dos produtos, algumas varejistas têm investido em ações e artigos sustentáveis. Embora o Brasil seja maior produtor de algodão sustentável no mundo, a demanda ainda é considerada incipiente no mercado.

“É uma tendência que está se consolidando cada vez mais, não só nas grandes varejistas, como também nas pequenas e médias empresas. Nós acreditamos que esse movimento veio para ficar. O consumidor vem buscando produtos com maior utilização de matérias-primas sustentáveis e que tenham garantia de origem”, afirma o diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), Edmundo Lima.

Seguindo esse movimento, a Renner, que alcançou receita líquida de R$ 4,9 bilhões nos primeiros nove meses de 2017 (alta de 15% em relação ao mesmo período de 2016), viu a importância de inovar a produção para vender peças confeccionadas com componentes menos impactantes ao meio ambiente. Recentemente, a varejista lançou uma coleção sustentável com 130 modelos distribuídos entre os departamentos feminino, masculino e infantil.

“Essa ação está voltada aos ideais da empresa. Aos poucos, estamos incorporando os critérios para redução de impacto em toda a linha de produção dos nossos produtos. O maior desafio, quando pensamos em sustentabilidade, está ligado à tecnologia e processos mais eficientes para conseguir entregar produtos sustentáveis de alta qualidade”, diz o gerente sênior de sustentabilidade da Renner, Vinicios Malfatti.

Segundo a varejista, o volume de peças feitas com matérias-primas no catálogo da empresa chegou a 500 mil em 2017. Dentre os itens sustentáveis da marca estão vestidos, blusas, calças, bermudas e camisetas, que são produzidos através do uso de fio reciclado ou liocel. Enquanto a primeira é originada da reciclagem de materiais têxtil ou garrafa PET, a segunda é uma fibra celulóstica, que pode ser extraída da polpa de madeiras certificadas, por meio de recursos naturais.

PMEs também investem

Engana-se, no entanto, quem acredita que esse tipo de investimento e preocupação esteja apenas a cargo das grandes varejistas: moda sustentável também pulsa nas veias da Insecta Shoes, marca gaúcha que trabalha com calçados e acessórios de origem natural. Idealizada em dezembro de 2014, a empresa viu seu faturamento crescer ininterruptamente ano a ano: em 2017, por exemplo, ela registrou um avanço acima de 20%, obtendo uma receita de R$ 2,2 milhões.

“Acabamos de completar quatro anos de existência. Não trabalhamos com couro, nem lã; nada que tenha origem animal. Começamos trabalhando com nossa linha vintage, onde garimpamos roupas usadas e transformamos elas em novas, com tecido de garrafa PET e algodão reciclado”, comenta a sócia-fundadora da Insecta Shoes, Barbara Mattivy.

Presente em diversos países por meio do comércio multimarcas, a Insecta Shoes ainda não tem uma presença quantitativa em lojas no País: são apenas duas operações próprias e um espaço no RIOetc, no Rio de Janeiro. Mas o que sustenta os avanços no faturamento da marca é o e-commerce, responsável por quase 70% da receita. Outro fator que atrapalha uma penetração maior no cenário doméstico é o alto valor dos produtos, que custam R$ 289, em média.

“Nós trabalhamos com multimarcas em países como os Estados Unidos, França, Alemanha, Canadá e Espanha. O ano de 2017 foi o que mais prospectamos e confirmamos vendas. Não pensamos em franquias ainda. Queremos crescer sim, com loja no Rio de Janeiro ou em outras capitais. Às vezes, as pessoas querem provar o sapato e sentir ele de perto e o e-commerce não é tão satisfatório nisso”, diz Barbara.

Engajada na causa ambiental, a Lush conta com cinco lojas no Brasil. Segundo a diretora geral da marca no Brasil, Renata Pagliarussi, os cosméticos vendidos pela empresa são frescos e sem testes em animais – a empresa sequer faz negócios ou parcerias com fornecedores que utilizam essa prática: "Cerca de 85% de nossos produtos são veganos e 100% são cruelty-free . O combate aos testes em animais faz parte das nossas causas."