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São Paulo - Casar está na moda e o mercado de produtos e serviços para casamentos faturou cerca de R$ 16 bilhões ano passado no Brasil. Entre as empresas que comemoram a alta nos negócios estão as de aluguel de roupas, com previsão de incremento de até 40% este ano.



 



Segundo a Associação dos Profissionais, Serviços para Casamento e Eventos Sociais (Abrafesta), ano passado o setor registrou aumento de 17%. A indústria bilionária de festas, sendo as de enlace matrimonial as principais desse mercado, contam porém com um público cada vez mais exigente. Assim, é preciso incrementar os negócios, principalmente por conta da forte concorrência. É o que afirma o consultor do Sebrae-SP, Marcelo Sinelli.



 



Segundo ele, o segmento está em alta e existem muitas oportunidades, pois os casamentos e as festas de 15 anos, por exemplo, são verdadeiras superproduções. A respeito dos aluguéis de roupas em específico, Sinelli disse que o consumidor final entende que vale mais a pena alugar do que comprar ou mandar fazer as peças, mas é preciso cuidado. "O empresário deve procurar um diferencial para atrair o cliente, ou o preço ficará como o quesito de atratividade. Logo a margem será pequena e isso é cilada".



 



Conforme o especialista do Sebrae-SP, é importante fazer análise sobre os pontos fracos dos concorrentes e buscar uma brecha também para festas de formaturas e de debutantes. "O que for possível inovar em relação à moda".



 



Inovação na medida



Afora encontrar um diferencial para os produtos oferecidos, nada como localizar um novo nicho no setor. Na área de matrimônios, a companhia Noiva em Forma é um exemplo, pois surgiu por conta de uma demanda curiosa: a preocupação das noivas em chegar ao altar mais vistosas, esbeltas e saudáveis.



 



A startup foi criada por Carina Rosin, personal trainer que estudou e pesquisou o segmento e junto de uma sócia deu início às atividades da empresa, que visa auxiliar as noivas a perderem peso por meio de um programa completo, até com ajuda de nutricionista. O aplicativo chega a atender cerca de 30 mulheres por mês e a meta é fechar 2014 com faturamento médio de R$ 300 mil. "Eu fui pesquisar o mercado e percebi que ninguém trabalhava com isso. Fui atrás de blogueiras especializadas e criamos a marca, registramos e começamos a anunciar a princípio em blogs e, depois, em feiras de casamentos".



 



Conforme a empresária, o sucesso tem surpreendido e já soma mais de 100 noivas atendidas no portfólio da empresa. "A marca vem ganhando espaço e a previsão é expandir em 2015 para atender outras regiões além de São Paulo", disse. Carina ainda garantiu que em três anos a Noiva em Forma teve um crescimento impressionante e triplicou a atuação. "A próxima etapa é levar o serviço para fora de São Paulo".



 



 



Demanda a rigor



Atuar de maneira tradicional, com lojas de rua, continua também um negócio atraente. Na capital paulista, a famosa Rua São Caetano, no Centro, conta com empresas como a Fashion Noivos e a Bruno Taveira Confecções, que têm comemorado bons negócios. A projeção delas é faturar até 30% a mais este ano, em relação ao ano anterior.



 



Há cinco anos, a Bruno Taveira Confecções começou fabricando peças masculinas para casamentos. Hoje são duas lojas, além da confecção mais voltada para o atacado. Também foi aberta há três meses uma loja para o varejo, em Belo Horizonte (MG), voltada para os noivos.



Na rede, o enfoque é a alfaiataria para noivos, pais e pagens, com smockings, fraques, meio fraques, túnicas e roupas para festas a rigor. "O foco é casamentos, mas confeccionamos para outros eventos. Já atendemos, por exemplo, músicos da Sala São Paulo, que vieram fazer casacas. Advogados também são um nicho, interessados em ternos sob medida", disse Taveira. Para ele, hoje 60% dos negócios estão no aluguel e 40% no atacado.



 



 



Com clientes mais exigentes, a empresária Justina Lima, dona da Fashion Noivas, só trabalha com aluguel e diz que o desafio é aprimorar o atendimento. "A noiva coloca muito o emocional quando escolhe a peça-chave, o vestido", afirma.



 



Nas duas lojas da rede, as peças saem de R$ 1,5 mil a R$ 5 mil, "fora produtos com muita renda francesa". Os vestidos podem ser pagos em até 10 vezes no cartão e o incremento nos pedidos costuma acontecer em eventos, como a feira Expo Noivas. Este ano, a previsão da empresa é alugar mais de 500 peças, sendo isso um aumento de 40% em relação ao ano anterior. "A tendência hoje nos casamentos é mais de festas com o pé na areia, vestidos de renda, menos brilho e algo mais romântico", conclui ela.